Integrantes da Força Nacional chegam a Aracaju em janeiro

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Publicada em 07/12/2016 às 00:20:00

Gabriel Damásio

 

A cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP) deu início na manhã de ontem a uma série de reuniões de trabalho com técnicos e coordenadores da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), ligada ao Ministério da Justiça. Eles estão em Aracaju para planejar e definir as ações de implantação do Plano Nacional de Segurança Pública em Sergipe. Entre as medidas previstas pelo governo federal, está o envio de um efetivo de soldados da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), a partir de janeiro de 2017, reforçando o policiamento na Grande Aracaju. As primeiras reuniões aconteceram no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, no centro da capital, com a participação do secretário da SSP, João Batista Santos Júnior.

O planejamento inicial com a presença dos técnicos da Senasp deve durar até esta quinta-feira, com reuniões entre grupos de inteligência policial e área operacional. No entanto, a definição do efetivo a ser enviado, dos recursos materiais a serem empregados e das ações a serem desenvolvidas deve ser anunciada depois do dia 16, quando será concluída a fase de confecção do plano de segurança. Em coletiva de imprensa, foi adiantado que os integrantes da Força contarão com policiais militares, para o reforço do policiamento ostensivo, e policiais civis, para auxiliar a investigação de crimes, principalmente homicídios e crimes de violência doméstica.

O plano com a participação da Força Nacional também será implantado em Natal (RN) e Porto Alegre (RS), capitais também afetadas por crises relacionadas ao aumento da criminalidade. O coordenador geral de articulação e integração da Senasp, Humberto Freire, explica que esta é uma fase inicial de planejamento, para a qual Aracaju foi escolhida após ficar em primeiro lugar no ranking de homicídios do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. “Estamos identificando as demandas, as razões dessa criminalidade, quais as ações necessárias para combatê-la e qual é o reforço que o Ministério da Justiça poderá implementar. Não digo só com relação a efetivo, mas também às necessidades de investimentos ou racionalização do sistema penitenciário, onde também atuamos”, disse Freire.

Sobre os objetivos, João Batista, disse que elas fazem parte de uma estratégia nacional para reduzir os índices de crimes de violência doméstica, principalmente estupros, agressões e assassinatos de mulheres. A polícia avalia que estes crimes chegam a ter uma “mancha criminal coincidente” com a alta dos homicídios e o crescimento do tráfico de drogas. “É óbvio que todo bolsão de violência traz consigo uma série de problemas, dentre eles o tráfico de entorpecentes e a violência doméstica. E na maioria das vezes, a maior vítima desta violência é a mulher, que é mais fraca até fisicamente. Isso nos preocupa muito. Então, já que vamos combater o homicídio e a tentativa de homicídio, é interessante também que se combata a violência no lar, que está mais ou menos na mesma zona de incidência”, definiu.

De acordo com o secretário da SSP, os efetivos e recursos das polícias Civil e Militar serão integrados aos efetivos da FNSP, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as quais também terão reforço. “Na verdade, a idéia do plano é trazer toda uma teia para combater a violência. Cada um, claro, com suas atribuições específicas e competências constitucionais, mas trabalhando de forma integrada e coordenada, no sentido de buscarmos números. Se os números baixarem, é bom pra polícia e melhor ainda pra população sergipana”, disse Batista. A integração contará ainda com a Guarda Municipal de Aracaju, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc) e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), sendo que estes últimos devem tratar da atual fase de superlotação dos presídios locais. 

O coordenador da Senasp explicou ainda que a fase inicial do Plano Nacional de Segurança em Aracaju, Natal e Porto Alegre segue a mesma metodologia adotada para a segurança dos grandes eventos realizados no Brasil, como os Jogos Olímpicos Rio 2016, a Copa do Mundo e a Jornada Mundial da Juventude. E será igualmente baseada no envio da FNSP para Alagoas, que chegou a liderar o ranking nacional de homicídios e experimenta uma queda desde o ano passado, com a presença federal. “Essa metodologia de planejamento integrado, com todos na mesma mesa discutindo, foi utilizada com grande êxito nos eventos, e isso fez com que a gente trouxesse essa experiência pra Senasp. E esse trabalho que foi bastante positivo em Alagoas, vinculado exatamente às ocorrências de homicídios, têm suas boas práticas, que serão aproveitadas nesse planejamento”, garantiu Humberto.