Possível venda de lotes da Reserva Tramandaí revolta ambientalistas

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Publicada em 08/12/2016 às 00:40:00

Ambientalistas estão mais uma vez na bronca com a Prefeitura de Aracaju. Desta vez o impasse ocorre devido à existência de um projeto de lei que prevê a comercialização de lotes do Parque Tramandaí – região de preservação ambiental. Conforme perspectiva do prefeito João Alves Filho, o dinheiro arrecadado nessa ação seria utilizado para quitar dívidas antes mesmo de concluir o respectivo mandato, já no próximo dia 31. Os preços destinados a cada lote ainda não foram divulgados, mas o projeto já se encontra à disposição para apreciação dos vereadores na Câmara Municipal. A proposta causou revolta ao grupo formado por parlamentares da oposição que ganhou o apoio de biólogos.

O Parque Tramandaí fica localizado numa área de mangue no bairro Jardins, onde ao longo dos últimos anos vem sofrendo com a ausência de políticas públicas que busquem fortalecer o meio ambiente e preservar as espécies naturais que ainda resistem à redução do habitat natural. Em meio à proposta de venda, profissionais e estudantes de biologia começam a se mobilizar na tentativa de instigar e provocar órgãos públicos de fiscalização. A meta é conquistar interseções através de Ação Civil Pública. Caso o projeto siga em tramitação na CMA, os ambientalistas prometem promover manifestações em vários pontos da cidade. O prefeito João Alves Filho não se pronunciou quanto ao projeto.

Para o acadêmico Willian Lucena, os últimos quatro anos foram marcados por intervenções administrativas que geraram retrocesso ao meio ambiente da capital sergipana. Para ele, é necessário que o pleito dos ambientalistas e vereadores contrários ao projeto seja analisado pelo poder judiciário antes mesmo do recesso de final de ano previsto para ocorrer a partir do próximo dia 20. “É inadmissível que uma área de preservação mais uma vez se torne vítima da incompetência dos gestores municipais. Vender essas áreas para pagar dívidas é um crime ambiental e a Justiça precisa aceitar nosso pedido de intervenção. Não aceitaremos esse delito causado ao parque”, declarou.

Quem também repudiou foi o vereador Anderson Gois (PRB). Durante pronunciamento feito nem sessão plenária, o parlamentar alegou não ser especialista no assunto, mas que consegue visualizar os efeitos negativos que serão gerados a curto e médio prazo, caso a CMA aprove o projeto e os lotes sejam realmente vendidos. O vereador aproveitou a oportunidade para intensificar as criticas e reivindicar o voto dos demais colegas de forma negativa ao projeto. Ainda não existe previsão de quando a proposta será levada à votação. (Milton Alves Júnior)