Servidores da saúde municipal permanecem em greve

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Publicada em 14/12/2016 às 00:06:00

Cerca de 55 mil usuários do Sistema Único de  Saúde (SUS) deixaram de ser atendidos nas últimas duas semanas nos 43 postos de atendimento da Prefeitura de Aracaju. Sem salários referentes ao mês de novembro, décimo terceiro, horas extras e demais benefícios garantidos por lei, servidores de 11 categorias ligadas à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), seguem em greve por tempo indeterminado. Além das UPAs, os hospitais regionais Fernando Franco, no bairro Augusto Franco, e Nestor Piva, zona Norte, seguem atendendo apenas ocorrências consideradas de alta complexidade.

Diante do caos vivenciado pelo poder público municipal, os pacientes assistidos pelo SUS são obrigados a enfrentar horas de espera no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), o qual anda superlotado justamente em decorrência do descaso assistencial na rede aracajuana de saúde. Ao longo desta semana a PMA, por meio da Secretaria Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog), vem apresentando as datas de pagamento salarial dos servidores; até a tarde de ontem os profissionais da saúde não haviam sido anunciados é isso gerou revolta por parte da classe trabalhadora.

Além dos médicos, integram ainda o movimento unificado: enfermeiros, agentes de combate a endemias, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, dentistas, entre outras classes profissionais. Para a enfermeira Ana Alice, a falta de respeito com os direitos constitucionais do trabalhador ocorre desde o início da gestão do prefeito João Alves Filho (DEM). Ciente da crítica situação vivenciada por servidores e pacientes, ela diz esperar que o prefeito eleito, Edvaldo Nogueira (PCdoB), possa reassumir o comando da prefeitura e qualificar a saúde pública em curto prazo.

"Prefiro acreditar que pior do que está não vai ficar. João chegou com a promessa de solução e aí está o resultado: serviço sucateado e funcionários revoltados com o tamanho do descaso. Assim como a saúde pública foi abandonada, os direitos de nós trabalhadores também foi junto é isso foi João quem fez. Não esqueceremos nunca essa péssima administração.  Esperamos agora que o novo prefeito dê um jeito para arrumar a casa", lamentou. Segundo cálculos da SMS, cinco mil procedimentos deixam de ser efetuados na rede a cada novo dia de greve. O receio, agora, reflete no pagamento salarial de dezembro e décimo terceiro salário.

Esta semana, durante evento no Iate Clube de Aracaju, João Alves informou não ter data prevista para estes pagamentos. A afirmação fez aquecer as preocupações dos servidores. Para o agente de endemias Alisson Fontes, todas as categorias temem um possível calote. "Quem nos garante que realmente não vamos acabar perdendo esses salários? Do jeito que as coisas andam é bem possível que fiquemos todos na beira da amargura, sem dinheiro de dezembro e sem o décimo terceiro. Espero que independente de mudança de gestão, a prefeitura cumpra com as obrigações e não amplie ainda mais o nosso sofrimento", disse.