Greves em Aracaju voltam a causar superlotação no Huse

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Publicada em 15/12/2016 às 00:51:00

Gabriel Damásio

 

O pronto-socorro do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no Capucho (zona oeste da capital), voltou a ficar superlotado de pacientes e está sob nova ameaça de colapso. A situação vem se agravando desde a semana passada, pois praticamente todos os pacientes da rede municipal de saúde de Aracaju estão buscando atendimento no maior hospital público do Estado. Isso vem acontecendo desde as greves e paralisações decretadas por diversas categorias que prestam serviços à Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA). O atendimento ao público está reduzido nas 44 Unidades de Saúde da Família (USFs) e funcionando pela metade nas duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

De acordo com a superintendência do Huse, a demanda por atendimento no pronto-socorro cresceu 40% em relação à média normal, apenas nos últimos sete dias. Em números exatos, foram 3.375 pacientes recebidos pelo hospital entre os dias 6 e 13 de dezembro. Desse total, 1.608 eram da capital e outros 413 das outras três cidades da Grande Aracaju (Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão), perfazendo um total equivalente a mais de 60%. Constatou-se ainda que 86% dos atendidos eram considerados de baixa complexidade, ou seja, tinham casos considerados mais leves e deveriam ser atendidos pela rede da PMA.

“É paciente precisando de atestado médico, com dor de cabeça, com coisas muito leves que bastam tomar um medicamento e ir embora pra casa. O Huse não foi feito pra esse paciente. Ele deve atender ao paciente grave, de alta e média complexidade. E quando ele atende a esses pacientes que deveriam ser atendidos nos postos ou nas UPAs, ele está usando os materiais que deveriam usar nos pacientes graves. Isso deixa deficitária a nossa previsão de material e insumos, que acaba em uma semana, e o paciente grave que chega ao Huse já não tem mais nem equipe pra atender. Essa é a nossa dificuldade”, disse a superintendente do Huse, Lycia Diniz.

O mesmo problema já aconteceu no final de outubro, durante a greve geral dos médicos, enfermeiros e servidores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Na ocasião, uma tenda de campanha cedida pelo Exército Brasileiro chegou a ser montada no estacionamento do Huse, a fim de dar conta da demanda de pacientes que, sem atendimento nas UPAs, recorreram ao hospital estadual. No caso de hoje, a Secretaria Estadual (SES) já formou um gabinete de crise e preparou um esquema para absorver a demanda, mas não vai montar a tenda. “A tenda em si não deve ser viável, por causa da insalubridade que acontece dentro da tenda, em um calor forte como está fazendo agora. A gente não consegue climatizar a tenda, não consegue trabalhar com esse calor. A idéia que estamos tendo é reforçar as equipes com mais médicos e tentar fazer o atendimento no hall do hospital, sem ser lá fora”, explicou a superintendente.

Lycia disse ainda temer que, com a proximidade das festas de final de ano, especialmente Natal e Ano Novo, tornando a situação ainda pior para a população. Segundo ela, a demanda de pacientes vítimas de trauma aumenta, principalmente entre vítimas de acidentes de trânsito e ferimentos com armas. A superintendente garantiu que todas as medidas necessárias para evitar o agravamento da crise de superlotação serão tomadas. E passou duas orientações à população. “Primeiro, antes de ir ao Huse, tentar algum outro lugar para ver se consegue ser atendido de primeira mão. E na necessidade de ir ao Huse, tenham paciência, porque não podemos atender todo mundo corretamente e ao mesmo tempo nestas condições”, pede a superintendente. 

O atendimento na rede de saúde da PMA está paralisado desde segunda-feira, quando os médicos estatutários declararam greve após a realização de uma assembleia. Eles protestam contra o atraso no pagamento dos salários de novembro, além do não pagamento da primeira parcela do 13º salário. Pelo mesmo motivo e também por um atraso de dois meses no pagamento do vale-transporte, os técnicos e servidores de nível médio entraram em greve no dia. Os enfermeiros pararam logo em seguida. Os sindicatos das categorias garantem que o efetivo mínimo de 30% está mantido nas USFs e nas UPAs da rede municipal. Até a noite de ontem, a Prefeitura ainda não tinha uma posição definida sobre quando será realizado o pagamento dos servidores.