Denúncia de esquema de corrupção na Câmara de Aracaju será investigada

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Publicada em 16/12/2016 às 00:58:00

Milton Alves Júnior

A Câmara Municipal de Aracaju segue aguardando o suplente de vereador Acácio Cardoso (PSDB), para que ele apresente sua denúncia sobre suposto esquema de corrupção envolvendo os vereadores da casa e empresas que realizam o transporte público da região metropolitana. Na última terça-feira, 14, o parlamentar que ocupou o cargo por 30 dias denunciou o esquema de corrupção, sendo que vereadores ligados às empresas estariam repassando quantias no valor de R$ 50 mil para cada parlamentar que votasse a favor do reajuste da tarifa de ônibus a entrar em vigência a partir do primeiro trimestre do próximo ano.

Mesmo diante da repercussão gerada, Acácio informou que segue confirmando a denúncia e que não vai retroceder caso receba possíveis ameaças. Ciente da gravidade, os nomes dos vereadores envolvidos no esquema só devem ser apresentados junto ao Tribunal de Justiça, ou a equipes de investigação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), por meio da Polícia Civil. Na tentativa de deixar a identidade dos parlamentares no anonimato, o denunciante também não revelou o partido dos acusados, tampouco se os mesmos já possuem mais de um mandato.

"Tornei o assunto público porque não compartilho com essa prática e sei que o povo não merece toda essa manobra corrupta. Estou garantindo que um vereador me ofereceu 50 mil reais por um voto a favor do reajuste da passagem e o nome desse vereador só vou revelar diante das investigações, diante da justiça", declarou. Em contraponto, o presidente da casa legislativa, vereador Vinicios Porto (DEM), informou que não existe tramitação de nenhum projeto de possível reajuste na tarifa. Sobre a denúncia ele disse desconhecer do fato e solicitou que Acácio dirija-se à CMA para apresentar as respectivas provas e argumentações.

Ainda de acordo com Porto, as denúncias são consideradas graves e devem ser apresentadas de imediato a fim de não provocar uma possível desordem ética da CMA e dos 24 vereadores eleitos perante a população aracajuana. "Eu confesso que desconheço esse suposto esquema de corrupção e não possuímos nenhuma tramitação a respeito do reajuste. Independentemente disso, peço encarecidamente ao denunciante que apresente as provas, busquei colaborar com as investigações para que o poder judiciário possa estudar a veracidade. Estamos à disposição para colaborar com as análises", afirmou o presidente.

 

Retrospecto - Durante o primeiro ano de mandato do prefeito João Alves Filho, em 2013, a Prefeitura de Aracaju apresentou um projeto de reajuste da tarifa que passou de R$ 2,25 para R$ 2,45. Em junho, após inúmeras manifestações públicas, o prefeito decidiu reduzir o valor para R$ 2,35. Já em dezembro do ano de 2014 a PMA voltou a apresentar novo projeto de reajuste e a Câmara de Vereadores novamente aprovou a inflação que desta vez foi de R$ 0,35, passando de R$ 2,35, para R$ 2,70. Um ano após, nova mudança. Antes do recesso parlamentar João Alves sancionou novo aumento e o aracajuano começou a pagar R$ 3,10 para andar de ônibus.

Agora, a perspectiva do setor empresarial é que o reajuste seja apresentado e votado antes mesmo do Natal. Até o momento nenhuma porcentagem inflacionária foi apresentada. "Eu sempre discordei desses aumentos e assim vou permanecer enquanto não avaliar avanços no sistema público que comprovem a necessidade de reajustar a tarifa. Até o momento não tenho conhecimento da proposta de reajuste, muito menos do esquema que foi denunciado pelo vereador afastado. Como parlamentar desejo também que as denúncias sejam apuradas", disse o vereador Lucas Aribé (PSB).

A votação desejada pelo setor empresarial não será promovida, já que o próprio Vinicius Porto oficializou o encerramento dos trabalhos legislativos do exercício de 2016.