PF leva Sukita para depor e faz apreensões

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Publicada em 17/12/2016 às 00:33:00

Gabriel Damásio

 

A Polícia Federal em Sergipe cumpriu ontem um mandado de condução coercitiva e outros dois de busca e apreensão contra o ex-prefeito de Capela (Agreste), Manoel Messias Sukita dos Santos (PTN). A ação fez parte da ‘Operação Timóteo’, deflagrada como parte da investigação sobre um esquema de corrupção e desvio de recursos envolvendo cobranças judiciais de royalties da exploração mineral, sobretudo nos recursos destinados aos municípios fornecedores, os quais equivalem a 65% da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal do Distrito Federal (JFDF), em Brasília.

Sukita foi encontrado por uma equipe de agentes na sua residência, em Capela, e levado para prestar depoimento na sede da Superintendência Estadual da PF, no Siqueira Campos (zona oeste de Aracaju). A ordem de condução coercitiva é quando uma pessoa é obrigada a prestar depoimento à polícia, sob pena de ser presa. Os federais também apreenderam documentos e computadores na sede da Prefeitura de Capela, cujo cargo máximo foi ocupado por Sukita entre 2005 e 2012. As mesmas buscas aconteceram no apartamento dele, na cobertura de um condomínio de alto padrão na avenida Beira-Mar, bairro 13 de Julho (zona sul da capital), onde uma segunda equipe recolheu outros documentos. O ex-prefeito foi liberado ainda pela manhã, depois de depor por pouco mais de três horas.

Segundo o advogado de Sukita, Emanoel Cacho, as ordens foram expedidas para que Sukita explicasse a contratação, por parte da Prefeitura de Capela, dos serviços de um dos escritórios de advocacia investigados pela PF por suspeita de participação no esquema. Segundo a investigação, um diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, aproveitava informações privilegiadas para oferecer os serviços de dois escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria para prefeituras interessadas em receber repasses atrasados do CFEM junto ao governo federal. Capela foi uma das prefeituras procuradas, por ser produtora de minerais usados na fabricação de potássio para a indústria de fertilizantes, como a carnalita e a silvinita.

O advogado explicou a jornalistas que o escritório, sediado em Brasília, foi contratado pela Prefeitura de Capela enquanto Sukita era prefeito, prestando consultoria jurídica em um processo movido pelo Município contra a União para receber repasses dos royalties. “A maioria dos municípios brasileiros buscam esse ressarcimento por créditos no governo federal. É tanto que, dos 75 municípios de Sergipe, eu acho que nos temos uns 90% brigando pelo ressarcimento de algum crédito com a União. O que eu sei é isso. E que, de certa forma, alguém no Ministério tenha passado essas informações a algum escritório de advocacia, mas nada que envolva criminalmente o ex-prefeito Sukita”, disse Cacho, assegurando que os documentos apreendidos em Capela e Aracaju dizem respeito à contratação do escritório.

 

Versículo – Além dos três mandados de Sergipe, foram cumpridas outras 94 ordens judiciais em outros 11 estados: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Ao todo, foram 52 mandados de busca e apreensão, 29 conduções coercitivas, quatro mandados de prisão preventiva, 12 mandados de prisão temporária e o seqüestro de três imóveis. A Justiça também bloqueou quase R$ 70 milhões depositados em contas bancárias ligadas ao esquema, além de proibir que os municípios façam qualquer contrato ou pagamento com as empresas investigadas.

A investigação começou em 2015, a partir de suspeitas sobre a rápida evolução patrimonial do funcionário do DNPM, cuja esposa é dona de um dos escritórios investigados. O casal foi preso preventivamente. Já entre os outros conduzidos para prestar depoimento, está o pastor evangélico Silas Malafaia, do Ministério Vitória em Cristo, que segundo a PF, teria emprestado contas bancárias da entidade para o depósito de dinheiro supostamente desviado do CFEM. O nome da operação veio de um versículo da Carta de São Paulo a Timóteo, um dos livros do Novo Testamento da Bíblia Sagrada. Diz a frase: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição”. (com agências)