O FAISÃO E O MOCOTÓ

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Publicada em 19/12/2016 às 00:29:00

O FAISÃO E O MOCOTÓ

Mais rápido do que se esperaria Temer corre risco de tornar-se uma Dilma de paletó e gravata.

Com o agravante de que sobre o lustroso terno presidencial, cada vez mais vão crescendo as respingadas manchas das ousadas traquinagens perpetradas pelos “amigos do peito”, aquele círculo íntimo dos políticos com os quais Temer sempre conviveu e que o ajudaram a montar toda a estratégia para defenestrar a presidente, inerme e atarantada. Esses amigos, ou “Gedéis”, estão despencando como se fossem sementes frustras de um contaminado cacho.

Houve o clamor das ruas, em parte artificial, em parte verdadeiro, a exigir um basta naquele clima, onde a inépcia andava paralela à agilidade de mãos neófitas e plebeias, ousadamente ocupando o espaço historicamente reservado à nobiliarquia do peculato nacional.

A assepsia ética que a Nação pedia não passava de mera ingenuidade ou fatal desconhecimento dos labirintos da política desvirtuada, através dos quais se move a nossa suntuosa cleptocracia.

Não haverá assepsia ética enquanto não forem desmontados os castelos institucionais onde se aquartela o baronato que privatizou a República.

Desse baronato, sempre fizeram parte os “Gedéis”, que agora deslustram e desacreditam o governo Temer.

O presidente festeja, agora, o sucesso da PEC-55 no Senado. Matéria polêmica, repleta de contradições, de armadilhas para os pobres e salvaguardas asseguradas aos ricos.

Sem reforma tributária que retire a igualdade injusta de tributos recaindo tanto para quem come filé mignon, como para quem engole farinha seca; sem que o Imposto de Renda deixe de ser um instrumento de castigo aos salários minguado se de afagos aos lucros imensos; sem que se tenha a exata noção do que é exigido para fazer do Brasil um país minimamente atento ao imenso tamanho do nosso drama social, sem tudo isso, de nada adiantarão as receitas emboloradas, com suas curas voltadas unicamente aos interesses da tavolagem financeira. Se nada mais acontecer, essa PEC-55 será tão efêmera como foi a esperança que teria renascido com o novo governo.

A PEC-55 não é de todo nefasta, tem aspectos positivos, mas, teria de ser melhor explicada, debatida, numa tentativa de reduzir, pelo convencimento, os ímpetos de indignação nas ruas, cenários de guerra civil. Temer não poderia ter restringido o diálogo só aos que jogam do seu lado.

Sem os “Gedéis”, é tempo ainda para que se busque alcançar um Pacto Nacional, devolvendo ao país a possibilidade do diálogo e do entendimento, por mínimo que seja. A essa altura, é preciso admitir que a alternativa menos traumática será a permanência de Temer até as eleições de 2018, e, com elas, a reconquista de um governo plenamente legitimado pelo voto.

Se Temer insistir em forçar a mão para aprovar as mudanças na previdência social da forma como estão propostas, será impossível dissociar da opinião pública aquela suspeita de que os “Gedéis” remanescentes estariam tratando de outros “apartamentos” mais rendosos, tais como os espaços abertos à previdência privada.

Será difícil deixar aquietadas as ruas, enquanto houver a desconfiança de que essa reforma garantirá o faisão sobrando nas fartas travessas à mesa da elite, à custa do ultimo mocotó, retirado do prato esmaltado dos sacrificados inativos.

 

 

A VALE SAI SEM DIZER ADEUS

A mineradora Vale tem sido desastrosa para Sergipe. Em outros tempos já foi diferente, mesmo após a privatização. Depois, foi ficando a cada dia pior. Não fez aqui, felizmente, um desastre com a proporção da hecatombe ambiental causada em Minas e no Espírito Santo, mas, faz agora, sorrateiramente, as malas para ir embora, nos deixando os labirínticos túneis a 400 metros de profundidade, tudo o que resta da mineração quase predatória para extrair os sais de potássio. Nisso, abandonou por completo a possibilidade de aproveitar rejeitos, e gerar uma dinâmica cadeia produtiva.

A Vale nos enganou com o Projeto Carnalita e nos ludibria agora, ainda mais, ao declarar improdutiva uma mina, desprezando outras alternativas que existem e pelas quais não se interessa.

Os escombros da linha férrea Leste Brasileiro é legado da incúria da Vale em relação a Sergipe. Aquela linha de ferro paralisada poderia, se houver para isso uma brecha legal, ser desapropriada pelo governo do estado, para, com as prefeituras de Aracaju e Socorro fazer correr por ali o VLT em bitola estreita.

 

 

A NOTA DOS PROCURADORES E OS JABUTIS RESSECADOS

Prosseguindo esses rabiscos a propósito da Nota dos Ministérios Públicos, quando recebi a alcunha de “caluniador”, retomo o tema, insistindo na afirmação de que as ações desencadeadas na bacia do São Francisco, compreendendo municípios sergipanos, alagoanos e baianos, fizeram muito barulho para alcançar, apenas, pífios resultados. Sem querer desmerecer as intenções corretas dos órgãos envolvidos, há ressalvas a propósito da forma autoritária e dispersa como foram postas em prática, desorganizando a fragilíssima economia local, chocando-se contra hábitos da população sertaneja. Deixaram, repetimos, no rastro da sua passagem, desemprego, prejuízos, enquanto os reais problemas que ameaçam a perenidade do São Francisco permanecem intocados. O rio se vai exaurindo, suas águas estão cada vez mais escassas e poluídas, suas margens, pela ausência de cobertura vegetal, ampliam a erosão e o leito vai sendo aterrado. O Velho Chico mudou as suas características depois de sucessivamente represado. Impossibilitou-se a piracema, o trânsito dos peixes, desde a fecundação à desova. Some o material orgânico que alimentava e reproduzia intensamente a numerosa fauna.

O São Francisco é rio semimorto e assim vai continuar, porque as causas antrópicas, reais, da sua doença, restam intocadas. A obra de devastação humana se junta às mudanças climáticas e o rio não resiste.

Diante do semiárido há seis anos ressequido e de um rio que morre, qual a relação sinérgica a ser constatada entre o sequestro de um papagaio, a “libertação” de jabutis, o fechamento sumário de microempresas e a agônica situação do ameaçado curso d’água?

Sobre os jabutis ou cágados, vale acrescentar que, dos quase 250 que foram soltos nas encostas da serrania dos Pilões, pelo menos uns vinte morreram e lá ficaram os seus cascos esturricados, outros, foram capturados e são novamente cevados. Serão comidos no ritual, para aqueles sertanejos sagrado: a ceia da Semana Santa. Essa nossa ascendência afro-índia, nos faz assim, sincréticos, também inclinados às liturgias sacrificais pagãs, remanescente melancolia do canibalismo ancestral. Somos desse jeito, temos as nossas singularidades. Quem lida com o povo brasileiro, ensinaram, entre outros, Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Roberto da Matta, Levy-Strauss, Luiz da Câmara Cascudo, Sílvio Romero, não pode desprezar a História, a Antropologia, o nosso fascinante Folclore, também, as nossas idiossincrasias.

Esgotos sanitários, agrotóxicos, despejam-se no rio, desde Minas a Sergipe e Alagoas, a caatinga vai sendo dizimada, por gananciosos transgressores ou infelizes em estado de necessidade, que fazem carvão, ou saem à cata dos últimos sobreviventes, mocós, tamanduás, tatús, cangambás.

A secular agonia do Velho Chico agora em aceleração requer mais estudos, demanda novas tecnologias, clama pela execução de projetos bem mais consistentes do que simples expedições pontualmente corretivas.

Se dizer isso for calúnia, ao escrevinhador resta a dúvida de que os senhores Procuradores sequer atentaram para o que define o Capítulo V do Código Penal, que trata dos crimes contra a honra, no seu Artigo 138 e parágrafos primeiro e segundo.

Diz, o parágrafo segundo: “É punível a calúnia contra os mortos”.

Como espero que os senhores procuradores e os demais que participaram da controversa operação, continuem, todos, vivissimamente interessados na busca de soluções para o semiárido e o Velho Chico, tenho a certeza de que, possíveis detratores, no futuro, não virão a caluniá-los pelo crime de omissão. Já o equívoco, não chega a ser crime, desde que, não havendo vaidade ou arrogância, seja, apenas, um procedimento facilmente corrigível.

No próximo fim de semana, considerações finais sobre a Nota dos Ministérios Públicos.

 

 

JB PODERÁ MUDAR DE IDEIA

O PMDB, o sergipano e o nacional, entende que Jackson não pode perder a oportunidade de concorrer ao Senado em 2018.

Em face de um novo quadro político que se delineia e de um fôlego novo que terá o governo, há quem avalie que a presença de JB na chapa majoritária será indispensável para o enfrentamento com a oposição, agora representada pelo senador Valadares, André Moura e os irmãos Amorim. Jackson confia plenamente no seu vice Belivaldo e não teria problemas para a desincompatibilização.

Prevendo a perspectiva de mudanças no panorama para 2018, o prefeito de Canindé, Heleno Silva, vê a possibilidade de o PMDB e aliados elegerem os dois senadores, Jackson e um outro, desde quando, o segundo, represente mais força somando e ele explicita: Ricardo Franco, eficiente gestor, revelado politicamente na sua curta e proativa passagem pelo Senado. Heleno já o convidou para filiar-se ao PRB.

Heleno enxerga outros nomes competitivos para o Senado: O empresário e engenheiro Ivan Leite, os deputados federais Fábio Mittidieri e Laércio Oliveira, este último, segundo Heleno, sem espaço na oposição.

 

 

EDVALDO NUMA RODA POLÍTICA

Na Escariz da Jorge Amado, conversavam Orlandinho, prefeito eleito de Canindé, Heleno, encerrando o mandato, o ex-deputado Jerônimo Reis, o ex-vereador Vovô Monteiro, o defensor Público Galdino Leite. Chega o prefeito eleito Edvaldo Nogueira.

Político atrai político na razão direta das suas afinidades ou interesses e na razão inversa das suas divergências. Ali, só existiam afinidades e Edvaldo, habitualmente reservado, soltou-se na conversa e estendeu-se nas respostas às indagações.

Um jornalista, na roda, comentou a indicação do médico André Sotero para a Saúde, cumprimentando Edvaldo por ter repelido a máfia que o pressionava a admiti-la no comando de vistosas verbas.

A escolha de Sotero, médico conceituado, profissional e eticamente, é o que a sociedade esperava.

Edvaldo não vai trancar-se nos gabinetes, irá perto do povo e dos seus problemas. Quer reduzir a defasagem entre os bairros ricos e a periferia, anunciou que vai buscar soluções para eliminar a putrefação dos canais onde despejam esgotos, se disse favorável à ideia de reativar a avenida agora destroçada, que corre paralela ao rio na Coroa do Meio; de respeitar os manguezais e arborizar intensamente a cidade; assegurou que a Educação, que entende ter avançado nas gestões dele e de Déda, e reconhece que não se deteriorou nos 4 anos de João, não será contaminada por interesses político-ideológicos ou corporativistas. Edvaldo fez até agora boas escolhas, destacando-se a surpresa de Carlos Cauê, fora do seu campo especifico, para assumir uma espécie de Casa Civil municipal. Cauê é jornalista e marqueteiro polifacetado. Experiente, tem capacidade de diálogo e é afeito às inovações.

Já a indicação de Jeferson dos Passos (curtos?) para Finanças, produz uma vaga impressão de que ele revelaria mais aptidões para tornar-se guarda-livros, num daqueles antigos armazéns de secos e molhados, cheirando a jabá e a bacalhau, com o dono tendo um lápis à orelha, para anotar o fiado.

 

 

AS PROFESSORAS DO CRATO

Boa, a iniciativa do presidente da AL, Luciano Bispo, e do deputado Zezinho Guimarães, convidando um animado grupo de professores do Crato para fazerem, na AL, um debate sobre o sucesso alcançado na Educação do município cearense, hoje, o melhor avaliado do país.

Lá, a meritocracia conduz a ascensão funcional. Professores são avaliados, recebem notas pelo desempenho escolar, inclusive, vindas dos pais de alunos. As escolas são centros de convivência e socialização. Os salários não são sequer médios, mas no Crato não há greves.

 

 

OS FILHOS DOS DOIS VAQUEIROS

O advogado Antônio João, que tem colecionado sucessos ao lado do filho Pedro, costuma dizer que é um filho de vaqueiro. Seu pai, o afável e amigueiro Antônio Messias, não era exatamente um vaquejador, mas, um conceituado e bem sucedido pecuarista.

Já o lépido advogado e professor, nonagenário, José Francisco da Rocha (Rochinha) é, do alto dos seus 1m50, uma das grandes personalidades de Sergipe. Este é mesmo filho de vaqueiro e tanto ele, como Antônio João, não cansam de reverenciar os pais. Ao saber um episódio da vida de Rochinha, Antônio João disse que ser filho de vaqueiro criava têmpera, resistência e gerava o sentimento de gratidão.

Rochinha, criança, vivia numa fazenda em Japaratuba. Seu pai vaqueiro, ficou doente e a coisa era grave. Rochinha, sem dizer nada, montou a cavalo e foi à cidade buscando um médico. Encontrou um, pediu-lhe que fosse examinar o pai. O médico pediu-lhe a indicação do local e disse que iria até lá. O menino retornou desesperançado e o pai ardeu em febre toda a noite. O dia clareava e chegou o médico a cavalo, dirigindo-se à humilde casa. O menino pensou que ele errara e mostrou onde era a casa do patrão. O médico disse que viera atendê-lo. O pai foi tratado, ficou bom. Já advogado, Rochinha procurou o médico, disse-lhe ser aquele filho do vaqueiro que ele curara. O médico era o Dr. Benjamin de Carvalho. Ficaram amigos e Rochinha nunca deixou de lhe ser agradecido, e exaltar- lhe as qualidades humanas. Ou seja, praticava a grande virtude da gratidão. Coisas assim, de filhos de vaqueiros.

 

 

UM DESAFOGO NA CRISE

O governo demonstra sensibilidade diante da crise e anuncia medidas para desafogar empresas e pessoas físicas. Medidas assim, sempre foram ferozmente combatidas pelos burocratas fazendários, mas, parece que Temer venceu a parada.

 

 

 

O CARDEAL DA ESPERANÇA

O cardeal Paulo Evaristo Arns bem que poderia ter recebido o Premio Nobel. Da mesma forma a sua irmã, a médica e missionária Zilda Arns, que morreu no grande terremoto do Haiti em 2010, quando levava solidariedade aos haitianos.

Se foi Dom Paulo, fica o exemplo do religioso semeador da paz, adversário ferrenho da tortura e do aviltamento da pessoa humana.

Dom Paulo desvendou, ao Brasil, a face já insuportável da ditadura, celebrando missa de corpo presente do jornalista Vladmir Herzog, trucidado pela repressão. Na igreja cercada pelos militares, Dom Paulo denunciou a farsa do suicídio, clamou por Justiça, e disse: “A vida é esperança, e esperança”.

É bom que consigamos, ainda, escutar a sua voz.

 

 

AS ILHAS E A USINA

Enquanto na ilha da Barra dos Coqueiros começa o maior empreendimento privado do país, a usina Termoelétrica, Jackson foi a uma outra ilha, essa, esquecida ao lado dos vistosos manguezais do Vaza Barris, cenário turístico pouco explorado. Ali na ilha, pobre, JB foi levar aos pescadores a esperança do turismo, com a construção de um atracadouro. Não ficará só nisso, quer descobrir outras formas de gerar emprego na ilha Mém de Sá.

 

 

A INVASÃO DO CONGRESSO

Já disse o ministro Gilmar Mendes: “A liminar do ministro Luiz Fux é o Ato Institucional Nº 5 do Judiciário”.

Desrespeitou o magistrado a função Constitucional precípua do Legislativo, que é a de legislar.

Até aonde irá a insensatez?

 

 

ALBANO DE VOLTA A FIES?

Por coisas assim como as repetidas homenagens que Albano recebe pelo Brasil afora, surge, entre empresários, a ideia de convencê-lo a tornar-se candidato de consenso à presidência da FIES. Os que defendem a ideia reconhecem o trabalho realizado por Eduardo Prado, mas entendem que se houver a aceitação de Albano, ele teria de ser eleito por aclamação.

 

 

UMA AULA DE DEMOCRACIA

Na última sessão do ano da Loja Maçônica Cotinguiba, o professor, advogado e agrônomo Manoel Moacir analisou o quadro político nacional, fez a exaltação da boa política, condenou o radicalismo e a intolerância. Pediu aos maçons que se incorporem a uma ação proativa em defesa da reformulação da política e do fortalecimento das instituições democráticas.

 

SEGUNDO OU DÉCIMO?

O mais novo aquinhoado com cargos no comitê eleitoral que virou a CODEVASF é o ex-vereador de Aracaju, Danilo Segundo. Dizem que Segundo está entre os mais de dez felizardos, agora codevasfianos.

 

 

O DR. JILVAN E O HOSPITAL DO CÂNCER

O médico Jilvan Pinto é um experimentado gestor. Deu provas disso quando administrou por dois anos o HUSE. Jilvan, um cidadão que coloca a racionalidade além das paixões e das disputas, não concorda com a ideia de criar-se uma ala no HUSE, especificamente para o câncer. Entende que o hospital é oneroso, talvez, fora da capacidade financeira de Sergipe. Mas lembra que o drama humano do câncer se agudiza. Sugere, então, que se erga o Hospital, adotando-se o modelo público-privado.