Polícia diz que chacina foi guerra entre quadrilhas de traficantes

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Publicada em 23/12/2016 às 00:09:00

Gabriel Damásio

 

A chacina ocorrida anteontem nas obras inacabadas do antigo Hotel Brisa Mar, na Atalaia (zona sul de Aracaju), está relacionada a uma disputa entre traficantes rivais, que estariam tentando ampliar seus pontos de venda de drogas na região próxima à Orla de Atalaia. A prevalência desta hipótese nas investigações da Polícia Civil foi confirmada ontem pelo delegado Jonathas Evangelista, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Também ficou confirmado que pelo menos três das cinco vítimas assassinadas eram ex-presidiárias e já tinham passagens pela polícia.

O último corpo a ser identificado foi o de José Givalson da Silva, 29 anos, que foi liberado pela manhã. Já entre a noite e a madrugada, foram liberados os corpos de Rubens Quirino dos Santos, 37, José Cássio Santos Reis, 20, Flávio França Sales dos Santos, 20, e Nataly Stefanny Santos Souza, 18. De acordo com Jonathas, as vítimas pertenciam a dois grupos rivais que pretendiam dominar o hotel abandonado, que já funcionava como ponto de venda de drogas e foi alvo de algumas batidas e operações de desocupação das polícias Civil e Militar.

“Nós temos três pessoas que faziam parte de um grupo e duas integrantes de outro grupo, que estavam querendo tomar o controle do tráfico de drogas no prédio. Inclusive, no local, foram encontrados e apreendidos equipamentos, acessórios e substâncias entorpecentes. As investigações já avançaram de modo que eu posso confirmar de que ali se tratou de uma briga pelo espaço do tráfico”, confirmou o delegado, em entrevista à TV Sergipe. Com isso, foi descartada a possibilidade de ter havido a ação de um suposto grupo de extermínio, que chegou a ser especulada logo após o crime.

Ainda conforme Jonathas, outras pessoas ligadas diretamente à venda de drogas já foram presas no próprio hotel durante as operações, mas o local voltava a ser ocupado, devido ao total abandono do Brisa Mar. “Infelizmente, após essas retiradas, essa facilidade [de acesso] e o abandono do prédio permitem que essas pessoas retornem e se utilizem do prédio para fixar pontos de compra e venda de drogas”, disse ele, reforçando as reclamações da Polícia Militar e dos próprios moradores da Atalaia sobre a transformação do antigo hotel em uma ‘cracolândia’ de livre circulação de mendigos, viciados e traficantes.

Duas equipes do DHPP atuam no caso, além dos batalhões de área e dos núcleos de inteligência da Polícia Militar. Imagens de câmeras de seguranças instaladas em residências, hotéis e estabelecimentos situados no entorno do antigo Brisa Mar foram requisitadas e analisadas pelos policiais, na tentativa de identificar a passagem dos assassinos. Já se sabe também que as armas usadas foram revólveres e uma pistola calibre ponto-40, cujas cápsulas foram achadas próximo aos corpos das vítimas. “A linha de investigação está fechada, mas os outros detalhes ainda estão sendo trabalhados”, resumiu Evangelista.