Dívida da PMA com Hospital Cirurgia ultrapassa os R$ 6 milhões

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 23/12/2016 às 00:35:00

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), em Aracaju, devem mesmo terminar o ano sofrendo em busca de assistência médica. Após a direção da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (FBHC) ter oficializado suspensão geral dos serviços em decorrência da falta de repasse de verbas por parte da administração da capital sergipana, a Prefeitura de Aracaju comunicou na manhã de ontem que não existe previsão de quando pretende regularizar o procedimento, o qual, inclusive, já foi determinado pelo Ministério Público Estadual e Tribunal de Justiça. À beira do caos, centenas de aracajuanos temem a morte por falta de responsabilidade ética e administrativa da atual gestão.

Conforme contabilidade apresentada pelo HC, os valores atrasados superam a casa dos seis milhões e setecentos mil reais, sendo que parte deles está em atraso desde o mês de setembro e se referem a serviços prestados no mês de agosto. Diante da situação, resta ao cidadão torcer para não ficar doente. Ainda de acordo com a direção hospitalar, todos os atendimentos voltarão ao normal assim que o Hospital de Cirurgia receber os recursos financeiros indispensáveis para suas operações. Com a declaração feita ontem pelos órgãos municipais, a perspectiva é que apenas na gestão do prefeito eleito Edvaldo Nogueira (PCdoB) o sistema seja normalizado.

A indecisão de quando essa operação bancária vai ocorrer é o que tem tirado o sossego de pacientes que deveriam dar seguimento a tratamentos. Vítima de câncer na mama, diagnosticado em maio deste ano, a usuária do SUS, Ana Angélica dos Santos, disse já ter perdido parentes e amigos em decorrência do retrocesso público. Com medo do futuro, ela lamenta estar vivenciando esse sofrimento em pleno período natalino; a esperança dela, e da família, era que ainda neste ano de 2016 ela pudesse ser presenteada com a cura. Com as sucessivas greves e suspensões aprovadas pela direção do HC, o anseio não foi alcançado.

“A vida da gente já é um sofrimento e ainda temos que enfrentar esse tipo de problema. A prefeitura parece não entender que estamos falando de vidas que estão indo embora por causa da falta de compreensão e humanismo. Duas amigas minhas infelizmente já morreram e futuramente posso me juntar a elas. Sem atendimento não tem como vencer essa batalha”, lamentou. A paralisação foi confirmada na manhã da última quinta-feira, 22, e comunicada ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público Estadual, bem como à Secretaria Municipal de Saúde, e da Fazenda. O prefeito João Alves Filho não se pronunciou sobre a inviabilidade dos recursos.

Superlotação - Com o HC suspenso, a tendência é que este final de ano seja ainda mais complicado para o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse). Números apresentados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), mostram que durante a greve dos servidores da saúde o índice de atendimentos subiu de forma representativa. Em uma semana de movimento, foi registrada evolução superior a três mil novos prontuários além do normal. Com a paralisação do segundo maior hospital que atende ao SUS, a perspectiva é que este índice supere a casa dos dez mil até o final da próxima semana. 95% dos atendimentos promovidos no Hospital de Cirurgia correspondem ao SUS.

A Prefeitura de Aracaju segue com as contas bloqueadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) devido ao atraso no pagamento dos salários dos servidores referente ao mês de novembro, e do décimo terceiro previsto constitucionalmente para ser quitado até a última terça-feira, 20.