Sem salários, servidores da Emurb iniciam nova greve

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Publicada em 27/12/2016 às 00:12:00

Milton Alves Júnior

A última semana do ano começou com protestos contra a Prefeitura de Aracaju. Reunidos na entrada da Empresa Municipal de Obras Públicas (Emurb), dezenas de trabalhadores se mobilizaram para reivindicar o depósito imediato dos respectivos direitos trabalhistas que seguem em atraso como: salário referente ao mês de novembro, gratificação natalina e férias. A categoria denuncia ainda a falta de repasse no pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ticket alimentação e vale transporte. Diante da situação os servidores informaram que seguem com a mobilização grevista por tempo indeterminado. O movimento conta com o apoio de centrais sindicais e do Sindicato das Empresas da Administração Indireta do Município de Aracaju (Seame).

Sem serviços operacionais, a tendência é que os últimos instantes de João Alves Filho à frente da PMA sejam marcados com a cidade sem realizar serviços de manutenção de ruas, tapa-buraco, ações na malha viária, construção e reformas de patrimônios públicos, além de qualificação paisagística, fiscalização de construções irregulares e apreensão de animais. Todas essas atividades de competência exclusiva da Emurb já estão suspensas desde a segunda-feira da semana passada, dia 19, quando a classe trabalhadora não entrou em acordo com a administração municipal e decidiu deflagrar o início da paralisação. Sobre o movimento, a Assessoria de Comunicação informou que a PMA busca atender aos pleitos dos servidores.

“Temos conhecimento da causa e tanto a direção da empresa, como também o secretário Municipal da Fazenda, Jair Oliveira, têm trabalhado intensamente para buscar os recursos necessários e realizar os pagamentos o mais rápido possível. A Emurb garante que, assim que os recursos forem devidamente enviados, o pagamento reivindicado será depositado na conta dos servidores o mais rápido possível”, declarou o assessor Ademar Queiroz. Em contraponto, o presidente do Seame, Claudio Leite, ressalta a necessidade de o prefeito João Alves buscar solucionar o problema antes mesmo de passar o bastão para o sucessor, Edvaldo Nogueira (PCdoB). O sindicalista promete intensificar os protestos esta semana caso o pagamento não seja repassado.

“Estamos parando tudo porque não podemos aceitar que o cidadão trabalhador fique um ou dois meses sem receber os salários por falta de competência dos gestores. Enquanto várias famílias sofrem com esse descaso, o salário do prefeito, secretários e demais gestores continua caindo na conta dentro do mês. A categoria cansou dessa desfeita com todos nós, incluindo os milhares de aracajuanos, e decidimos suspender as atividades até que as demandas sejam respeitadas”, declarou. Questionado quanto a possibilidade de virar o ano e assistir a troca de prefeitos sem os salários em dia, Cláudio Leite enalteceu a necessidade da intervenção jurídica por parte do Ministério Público, Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça.

“Não aceitamos calote e por isso vamos permanecer realizando manifestações na sede da Emurb e em frente ao Centro Administrativo. Para a nossa tristeza e indignação o prefeito prometeu em campanha solucionar os problemas, valorizar o servidor, mas está saído de forma lastimável. Aracaju está sem gestão de qualidade e há mais de três anos e meio o servidor amarga esse descaso. Não vamos nos calar”, pontuou o presidente. Assim como vem ocorrendo ao longo dos últimos anos, o prefeito João Alves Filho – e o vice-prefeito José Carlos Machado, não se pronunciaram oficialmente sobre a série de reivindicações dos funcionários da Emurb.