Governo confirma saída de Antônio Hora da Sejuc

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Publicada em 28/12/2016 às 06:44:00

Gabriel Damásio

 

Após vários dias de crises, pressões e especulações, o governo do Estado aceitou o pedido de demissão do secretário estadual de Justiça e Cidadania, Antônio Hora Filho. A informação vinha sendo negada oficialmente, a princípio, mas acabou confirmada pelo governador Jackson Barreto (PMDB), em contatos telefônicos com jornalistas na tarde de ontem. Hora entregou o cargo no último sábado, após a crise criada pela fuga do traficante Ronaldo dos Santos, o ‘Zé do Pantanal’, que estava detido no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf) e acabou liberado de lá na quarta-feira passada. O episódio é investigado em um inquérito policial e dois agentes lotados na unidade foram presos.

De acordo com o governador, o novo titular da Sejuc deve ser anunciado juntamente com outras seis secretarias que terão os seus responsáveis substituídos, dentro da reforma administrativa anunciada para a segunda quinzena de janeiro. Ainda não está claro, no entanto, se Hora permanece no cargo até o anúncio oficial ou se deixa as funções de imediato, entregando-as a um interino. Ontem, o secretário despachou normalmente em seu gabinete e tem evitado comentar o assunto com os jornalistas.

Hora Filho admitiu que entregou o cargo a Jackson numa gravação de WhatsApp, enviada a um agente penitenciário que relatava um problema ocorrido no Presídio Regional Senador Leite Neto, em Nossa Senhora da Glória (Sertão). “Quero dizer também pra você que eu estou deixando a secretaria, por decisão pessoal. Desejo toda a sorte do mundo à categoria, desejo toda sorte do mundo ao sindicato, ao sistema, mas, para mim, já deu, viu? Feliz Natal, próspero Ano Novo, e que Deus possa dar um destino melhor a vocês. Tchau!”, diz o secretário na gravação, cujo vazamento nas redes sociais detonou as especulações sobre sua possível saída da Sejuc.

 

Pressão – No cargo desde o início do atual mandato de Jackson Barreto, em 2015, e indicado pelo PSD, Antônio Hora Filho já ocupou outras secretarias no Governo do Estado e na Prefeitura de Aracaju, nas áreas de Esporte e Trabalho. À frente da Justiça, conseguiu uma ligeira ampliação no número de vagas do sistema prisional, com a implantação do sistema de monitoramento por tornozeleiras eletrônicas, a criação de projetos de ressocialização e assistência aos detentos e a construção das cadeias públicas de Estância (já inaugurada) e Areia Branca (prevista para março). Mas sofreu também um forte desgaste, provocado pela superlotação dos presídios, a conseqüente interdição do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), e principalmente, os embates com o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindipen).

Durante a gestão de Hora Filho, pelo menos três greves foram decretadas pelo sindicato, provocando tumultos e ameaças de rebelião nos presídios. Em duas delas, a Força Nacional foi chamada para reforçar a segurança das cadeias. O clima de tensão entre servidores e governo cresceu nas últimas semanas, por conta da seqüência de fugas ocorridas no Copemcan e no Preslen. Dirigentes do Sindipen faziam críticas diárias à gestão de Hora, acusando-o de negligenciar o sistema prisional, com a falta de efetivo, e justificar as parcerias do governo com o setor privado para administrar os presídios. O governo reagiu e acusou os agentes de prejudicarem a segurança do sistema, ao divulgarem números de efetivos, e até de facilitarem as fugas do Copemcan – conforme dito por Jackson em entrevista recente.

Em meio a esta pressão, a fuga de ‘Zé do Pantanal’ vem sendo considerada por muitos como a gota d’água. A Polícia Civil diz não ter dúvidas de que houve um esquema para facilitar a fuga do detento, considerado um dos mais perigosos do Estado. Além dos dois servidores, sendo uma da Sejuc e outro da empresa Reviver, o detento Ednaldo dos Santos Carmo também foi preso, acusado de ter cedido seu nome para que Ronaldo se apresentasse no cumprimento de um alvará de soltura. Para o delegado-geral do órgão, Alessandro Vieira, a desconfiança surge principalmente da falta de semelhança física entre os dois detentos. A Sejuc e a Reviver sustentam que houve um erro de procedimento por parte dos servidores e anunciaram que a falha na identificação dos detentos foi corrigida. Ronaldo não foi encontrado até a noite de ontem.