Perseguição termina com três bandidos mortos

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O secretário João Batista durante entrevista para esclarecer tiroteio
O secretário João Batista durante entrevista para esclarecer tiroteio

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Publicada em 29/12/2016 às 00:15:00

Gabriel Damásio

 

Uma intensa perseguição policial ocorrida na noite de anteontem terminou com três bandidos mortos e um quarto suspeito baleado, além do atropelamento de duas mulheres e uma criança de três anos. Tudo aconteceu no final da noite desta terça-feira e começou no bairro Santos Dumont (zona norte de Aracaju), onde os homens reagiram a uma abordagem de agentes do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope). Seguiu-se a perseguição até a avenida principal do Conjunto João Alves Filho, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), onde os fugitivos trocaram tiros com os policiais. No confronto, morreram o sergipano Augusto Lima Batista, o ‘Gugu’, 21 anos, e os alagoanos Adilton Caio Rodrigues, 28, e Aderaldo José dos Santos Júnior, o ‘Barão’, 20.

Eles são apontados pela polícia como integrantes da facção criminosa paulista PCC e autores de vários crimes de homicídio, roubo e tráfico de drogas, ocorridos recentemente nas zonas norte e sul da capital. De acordo com o secretário da Segurança Pública, João Batista Santos Júnior, os três já eram alvos de uma investigação do Cope e dos departamentos de Homicídios (DHPP) e Narcóticos (Denarc), cujos policiais apuravam uma seqüencia de assassinatos. “Ontem [terça], por meio de informações de campo colhidas pelo Cope, descobriu-se que eles iriam se reunir no Conjunto João Alves para cometer mais um homicídio na grande Aracaju. O Cope teve que antecipar o mandado de prisão para impedir esse homicídio e cumprir os mandados de prisão expedidos contra esses indivíduos”, disse Batista.

Os policiais se dirigiram primeiro à casa de ‘Barão’, no Santos Dumont, e encontraram quatro homens, que tentaram fugir assim que a polícia chegou. ‘Barão’, ‘Gugu’, Caio e o quarto acusado entraram em um Fiat Uno de cor prata e saíram em alta velocidade, seguindo em direção ao João Alves e sendo perseguidos pelas equipes do Cope. Durante a fuga, eles tumultuaram o tráfego de veículos e avançaram vários semáforos em sinal vermelho. Em um deles, situado junto a um supermercado na avenida principal do conjunto, o carro dos criminosos atropelou as pedestres, que voltavam de um passeio. Uma das equipes parou para socorrer as vítimas enquanto as outras continuavam a seguir o quarteto.

Poucos minutos depois do atropelamento, o Uno bateu em outro carro e foi interceptado pelos policiais, que já foram recebidos a tiros de pistola. “Eles fugiram de forma muito virulenta e agressiva, furando vários sinais vermelhos. E nesse furar de sinal, feriram três pessoas inocentes. Mais adiante, houve o revide da voz de prisão e a polícia, usando da força necessária, trocou tiros com os elementos e infelizmente eles vieram a óbito”, justifica o secretário. Os quatro homens foram levados ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde apenas o último suspeito, cujo nome não foi confirmado, permaneceu internado com tiros nas mãos e nas pernas. ‘Barão’, ‘Gugu’ e Caio, por sua vez, morreram no hospital.

As vítimas atropeladas também foram levadas ao Huse por duas equipes avançadas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), todas se recuperam bem e estão fora de perigo. A primeira paciente, uma aposentada de 65 anos, teve fratura exposta em ambos os braços e lesão extensa na coxa direita, foi operada e está no setor pós-cirúrgico. A filha dela, de 35 anos, teve fratura exposta nas duas pernas e ficou na Ala Verde Trauma, enquanto a neta, de três anos, foi encaminhada a Pediatria, com escoriações pelo corpo e fratura fechada no tornozelo.

 

Chacina – Em coletiva concedida ontem à tarde para falar sobre o episódio, João Batista confirmou que Aderaldo ‘Barão’, um ex-detento do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), era o principal alvo da investigação da Polícia Civil, por ser o líder da quadrilha de traficantes que, apesar de baseada em Maceió (AL), também atuava em Aracaju, encomendando assaltos, revendendo drogas e até executando integrantes de grupos inimigos. Segundo os investigadores, Adilton e ‘Barão’ teriam vindo para Sergipe há poucos dias, especialmente para matar algumas pessoas que teriam interferido nas ações do grupo ligado ao PCC.

Entre os crimes cuja participação dos alagoanos é investigada, está a ‘Chacina do Brisa-Mar’, em 21 de dezembro, quando cinco pessoas foram assassinadas dentro de um hotel abandonado próximo a Orla de Atalaia (zona sul). “Esse ‘Barão’ é um dos envolvidos naquele caso, é um cidadão de alta periculosidade, que vinha cometendo muitos crimes em Sergipe, mesmo sendo alagoano. [A chacina] foi uma briga de grupos por espaço em relação a entorpecentes. Isto ainda está sendo trabalhado e o caso não se encerrou ontem, porque temos investigações paralelas do Denarc, do DHPP e do próprio Cope”, afirmou o secretário. A expectativa da polícia é de que outros integrantes da quadrilha de ‘Barão’ sejam presos a qualquer momento.