Dez indiciados por saque a caminhão de refrigerantes

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Publicada em 05/01/2017 às 00:04:00

O episódio do saque a um caminhão de refrigerantes que quebrou na Avenida Rio de Janeiro, bairro Ponto Novo (zona oeste), no último dia 23 de dezembro, está a um passo de ter seu inquérito concluído pela Polícia Civil. O órgão confirmou ontem à tarde que, até o momento, 10 pessoas que participaram da subtração da carga foram indiciadas pelo crime de furto simples, podendo responder a processo na Justiça e serem condenadas a até quatro anos de prisão, mais o pagamento de uma multa. Para preservar as investigações, os nomes dos acusados não foram divulgados. O saque, que foi filmado por testemunhas e divulgado nas redes sociais, é investigado pela Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT).

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a equipe da delegada Daniela Lima Barreto usou principalmente as imagens divulgadas para identificar os envolvidos, seja pessoalmente o pelas placas de carros e motos usados para guardar as garrafas e pacotes retirados do caminhão. Estes participantes foram localizados e intimados para prestar depoimento na delegacia. A SSP informa que outras pessoas ainda estão sendo identificadas e alguns que já foram descobertos também se apresentarão nesta semana à DEDT para prestar esclarecimentos. Outros indiciamentos por furto não estão descartados. Após a sua conclusão, o inquérito será remetido ao Poder Judiciário.

O saque aconteceu na antevéspera de Natal, ao fim da manhã, quando o caminhão, contratado por uma empresa distribuidora da marca Coca-Cola, tombou no sentido centro-bairro da Avenida Rio de Janeiro, após um problema mecânico provocar a quebra de um dos eixos. A suspeita das autoridades de trânsito é de que o veículo não resistiu a um excesso de carga. Imediatamente após o acidente, dezenas de pessoas passaram a abrir a lona da carroceria e pegar os pacotes e garrafas de refrigerante. Algumas mercadorias foram levadas a pé, por moradores próximos ao local, outras colocadas em motos, carros e até um táxi-lotação que pararam diante do caminhão. A subtração da carga foi interrompida após a chegada de soldados da Companhia de Polícia de Trânsito (CPTran) e agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), que convenceram muitos dos saqueadores a devolverem o que pegaram. Outros, no entanto, já tinham ido embora.

A divulgação das imagens do saque aconteceu no mesmo dia e criou uma péssima repercussão na opinião pública, levando a Polícia Civil a abrir o inquérito na DEDT para apurar o incidente. Em entrevista concedida no dia 26, logo após o início da investigação, Daniela Lima definiu o episódio como “uma situação clara de furto”, que exemplificou a tolerância ainda existente em parte da sociedade brasileira com os pequenos delitos ou pequenas práticas de corrupção. “Você percebe que uma parte das pessoas se indignou, mas por outro lado existem aqueles que têm uma certa condescendência com a situação. O fato é que trata-se de uma prática antiética, que fere a lei penal, e que precisa ter os seus autores identificados e responsabilizados”, disse a delegada. (Gabriel Damásio)