Disputa entre sindicatos provoca confusão em Socorro

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Publicada em 07/01/2017 às 00:08:00

Milton Alves Júnior

Uma suspeita de assembleia fraudulenta acabou em conflito generalizado na manhã de ontem, no Conjunto Marcos Freire I, município de Nossa Senhora do Socorro. Conforme denúncias chegadas à redação do Jornal do Dia, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Cerâmica do Estado de Sergipe (Sindiceram) estaria publicitando a realização de assembleia extraordinária juntamente com o Sindicato dos Produtores de Vidro, com a perspectiva de transformar as duas categorias em um só sindicato. A fim de acompanhar a legalidade da reunião, escreventes titulares e substitutos do Cartório do 1° Ofício de Socorro estiveram na sede do sindicato, mas foram ordenados pela cúpula administrativa a deixarem o espaço caso desejassem evitar novos embates.

O problema, segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de prospecção, Pesquisa, Extração e Beneficiamento de Minérios e Trabalhadores Portuários com Vínculo Empregatício nos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Piauí (Sindimina), é que a atuação funcional dos produtores de vidro operacionalmente corresponde ao departamento de minérios, e nada têm a ver com a cerâmica. Na tentativa de agrupar os trabalhadores de vidro ao Sindicato de Cerâmica, estes dirigentes estariam forjando uma lista de participantes da assembleia, os quais, supostamente, apoiam a união.

Convicto que a reunião seguia no rumo da geração de manobras inconstitucionais, o presidente do Sindimina, José Luismar de Sousa assumiu que a respectiva categoria convidou profissionais do Cartório do 1° Ofício para constatar a falta de quórum necessário para discutir a fundação do duplo sindicato. Ainda de acordo com o líder sindical – assim como ocorreu em situações anteriores, a assembleia registra um número reduzido de participantes, mas a lista surge posteriormente com números os quais variam entre 100 e 200 pessoas.

“Viemos aqui para constatar que este sindicato está querendo a todo custo desvincular profissionais ligados às minas, para filiá-los em um grupo totalmente distinto da função realizada pela classe trabalhadora. Vidro se produz com areia, areia é minério, minério é com o Sindimina e não com o sindicato de cerâmica. Para a nossa surpresa todos nós fomos expulsos por pessoas que querem trabalhar de forma contrária ao que determina a legislação brasileira”, declarou.

“A irregularidade está visível, lá em cima tem poucas pessoas e estão todos sentados no chão porque não tem nem cadeira. Nós viemos aqui para mostrar que esse ideal deles é inaceitável, irregular, e não para provocar tumulto. O que acontece é que eles ficaram surpresos com a nossa presença e estão expulsando de forma covarde – com ameaças de agressão, todos aqueles que podem desarticular o esquema ilícito”, disse. A nossa equipe de jornalismo conseguiu adentrar a sede do Sindicato dos Trabalhadores de Cerâmica e conversou com o presidente Alexandre de Sena. Ao JD, ele garantiu adotar todos os critérios da regularidade e confirmou as ameaças proferidas.

 

Contraponto – Sobre as denúncias atribuídas, o sindicalista informou que todas as obrigatoriedades constitucionais foram respeitadas desde a convocação pessoal, até à publicação de edital no Diário Oficial e jornal de circulação estadual – ocorrido no mês passado aqui no Jornal do dia. “Nós estamos discutindo uma união que interessa a nós produtores de cerâmica e aos produtores de vidro, esses representantes do Sindimina vieram aqui para ocupar a nossa sede e tumultuar. Aqui ninguém que não seja da nossa permissão vai poder acompanhar nossos debates. Eles mandem no sindicato deles, invadir aqui não”, afirmou. Agentes da Polícia Militar foram acionados a fim de minimizar os conflitos e evitar possíveis sinistros.

Diante do cenário de estresse e ameaças mútuas, a guarnição militar orientou a direção do Sindimina a denunciar o caso por meio de Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil. A assembleia não ocorreu e os grupos se dispersaram por volta das 9h30.

Atualmente o Sindiceram é ligado à Força Sindical; já o Sindimina, à Central Única dos Trabalhadores (CUT).