Golpista é preso ao cobrar por falsas vagas de emprego

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Publicada em 07/01/2017 às 00:12:00

Gabriel Damásio

 

José Bruno Santos da Cunha, 22 anos, foi preso ao fim da tarde desta quinta-feira no Conjunto Leite Neto (zona sul de Aracaju), por policiais civis da 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM). Ele é acusado de aplicar um golpe envolvendo o oferecimento de falsas vagas de emprego em um grande colégio particular da capital. Segundo a polícia, mais de 50 pessoas teriam sido vítimas do golpe, que foi denunciado por vítimas e amigos do próprio Bruno. Ao ser preso, em sua residência, o acusado confessou os crimes e foi reconhecido por dezenas de pessoas que compareceram ontem na 1ª DM para prestar queixa.

A delegada Marília da Silva Miranda, responsável pelo caso, confirmou que os policiais foram chamados após os parentes das vítimas encontrarem 32 carteiras de trabalho, pertencentes a terceiros, e contratos de trabalho falsificados, entre outros documentos. Tudo foi apreendido. “Ele foi levado à delegacia e, chegando lá, de forma espontânea, ele confessou o golpe e disse que tirou tudo da cabeça dele. Ele dizia ser funcionário desse colégio e oferecia as supostas vagas de emprego, mas cobrava uma taxa dos interessados. Dizia que eles tinham que pagar uma taxa, alegando que era para fazer um curso de capacitação e comprar uniformes”, disse ela, explicando que a taxa variava entre R$ 70 e R$ 800, a depender do cargo pretendido.

Os supostos empregos seriam em uma faculdade que seria montada pelo Colégio Master, do qual Bruno dizia ser representante. E eram várias as vagas oferecidas, para os cargos de professor, recepcionista, recursos humanos e auxiliar administrativa, entre outros. De acordo com Marília, a própria direção do Master procurou a 1ª DM e informou que não reconhecia o acusado entre seus empregados. Os primeiros sinais de desconfiança, contudo, partiram de algumas vítimas, que estranharam a cobrança da taxa pelas vagas ou mesmo alguns detalhes, como os graves erros de português em textos escritos por ele.

As ofertas eram feitas principalmente a pessoas atraídas por anúncios que ele colocava em redes sociais da internet e do Whatsapp. “Esse golpe ficou maior porque dois amigos do Bruno acreditaram na conversa dele e começaram a espalhar essa oferta nas redes sociais para os outros amigos. E eles acabavam caindo por causa da lábia dele, pelo poder de convencimento. Por conta disso, acreditamos que o número de vítimas pode ser bem maior”, aponta a delegada. Até a tarde de ontem, 30 pessoas prestaram depoimento na 1ª DM e outras podem ser convocadas ao longo da semana que vem. No entanto, a confissão do crime, bem como a descoberta das carteiras profissionais e dos contratos de trabalho, permitiu que a polícia autuasse Bruno em flagrante pelo crime de estelionato.

A extensão dos prejuízos será apurada ainda através de um caderno de anotações que também foi apreendido na casa do acusado. Nele, estão registrados os pagamentos feitos por pessoas interessadas nos supostos cursos profissionais. Segundo a polícia, o acusado admitiu ter recebido R$ 3 mil, mas alegou que todo o dinheiro já foi gasto. A delegada da 1ª DM pede que outras pessoas que teriam sido enganadas compareçam à sede da unidade, no Leite Neto, para prestar informações. Bruno permanece detido na carceragem da própria 1ª DM e poderá ser encaminhado para um presídio. O inquérito policial deve ser concluído e entregue à Justiça em até 15 dias.