Atestado do Makro pode estar vencido, diz Bombeiros

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Publicada em 12/01/2017 às 00:19:00

Gabriel Damásio

 

A manhã seguinte ao incêndio que destruiu praticamente toda a loja da rede atacadista Makro, na Avenida Tancredo Neves, bairro Jabotiana (zona oeste), foi de trabalho contínuo para os integrantes do Corpo de Bombeiros. Enquanto algumas equipes permaneciam no local, monitorando e eliminando focos de um possível reinício do incêndio, outros já começaram a investigar as circunstâncias do desastre, o que causou o início e propagação rápida do fogo, e se houve alguma falha de segurança da empresa. A perícia técnica foi iniciada ontem pela corporação e pela Defesa Civil.

Uma das primeiras conclusões apresentadas é de que a loja do Makro em Aracaju estava com o seu atestado de regularidade vencido desde julho de 2016. O documento é um laudo no qual os Bombeiros atestam que um estabelecimento de acesso público está totalmente adequado às normas de segurança e regras de prevenção a incêndios e incidentes de pânico. “A empresa, quando teve o seu atestado de regularidade emitido, atendeu a todos os itens de segurança estabelecidos pela legislação. Nós temos hoje a informação de que o atestado de regularidade estava vencido”, declarou o comandante-geral da corporação, coronel Eduardo Carlos Pereira, explicando que o documento deve ser emitido a cada ano, podendo ser prorrogado por mais um ano.

A falha ainda é investigada pelos Bombeiros, que querem saber se ela foi motivada por algum problema interno ou pela troca da razão social ou do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) da empresa responsável. Em se confirmando a falha, algumas punições estão previstas. “A empresa deveria ter buscado o atestado dentro do prazo. A partir deste momento eles poderão ser notificados e receber multas, pelo fato de estarem funcionando em situação irregular”, diz o major Douglas Morais, chefe do Departamento de Fiscalização dos Bombeiros, pontuando que a emissão do documento “não quer dizer que não vai ter incêndio, mas que, se tiver um incêndio, a gente terá muito mais facilidade em combater o fogo e garantir que vidas não sejam ceifadas por esse evento”.

Outra avaliação é de que as chamas, iniciadas no setor de frios da loja, próxima à cobertura e na parte dos fundos do imóvel, se alastraram de forma muito rápida, enquanto os Bombeiros ainda estavam a caminho do local. Isso pode ter acontecido devido ao estoque de materiais considerados de propagação rápida, como pneus, papelão, madeira e alguns produtos inflamáveis. A prioridade inicial dos Bombeiros foi conter o avanço do fogo e impedir a explosão dos tanques de gás que abastecem o restaurante Aro, mantido pelo Makro. “A preocupação inicial foi de gerenciar os riscos e iniciar o combate ao incêndio para evitar a propagação para edificações vizinhas, já que sabíamos que não tinham vitimas dentro do Makro naquele instante”, ressaltou o major Max Oliveira, chefe operacional dos Bombeiros.

São apuradas ainda algumas falhas no sistema preventivo do supermercado. Uma delas é a de que a reserva técnica de água, conhecida como “castelo d’água” e usada pelas brigadas de incêndio, estava vazia. Entretanto, não se sabe se ela já estava sem água antes do início do fogo ou se ela foi toda usada pelos brigadistas antes da chegada dos Bombeiros, que utilizaram, ao todo, 800 mil litros de água e uma espuma química especial. Apesar das falhas, avalia-se que outros pontos do esquema de prevenção funcionaram bem, sobretudo a liberação das saídas de emergência e a ação da brigada interna para retirar todos os cerca de 80 clientes e funcionários que estavam no local quando o incêndio começou. Ninguém ficou ferido.

 

Cheiro de fumaça – No local onde funcionava o Makro, enquanto alguns bombeiros faziam as perícias e ações de rescaldo, a fumaça ainda saía dos escombros, mesmo com o fogo apagado. Quem passava pelo local se impressionou com o forte cheiro de fumaça e precisou tapar o nariz e a boca com panos ou as próprias roupas. Os moradores das casas e condomínios vizinhos, por sua vez, tentavam se recuperar do medo vivido durante a queima do supermercado, cujas chamas chegaram a alcançar cerca de 20 metros de altura. Outros clientes lamentavam a destruição da loja. O trânsito permaneceu interditado em uma parte da Avenida Tancredo Neves, sendo liberado apenas no começo da tarde.