Para evitar assaltos, linhas da zona norte só terão ônibus até às 20h

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Publicada em 14/01/2017 às 00:26:00

Usuários do transporte público que acessam diariamente as linhas Parque São José/Maracaju e Parque São José/Centro necessitam se programar caso não desejem ficar sem o serviço. Em decorrência do alto índice de assaltos e arrastões, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju (Sintra) decidiu suspender desde a noite de ontem a circulação desses veículos a partir das 20h. A medida foi aprovada pela cúpula sindical após cobradores e motoristas terem denunciado sucessivas ameaças sofridas, bem como as perdas financeiras e patrimoniais contabilizados ao longo dos últimos meses.

Para oficializar a decisão da categoria e evitar possíveis empecilhos jurídicos, na manhã de ontem o sindicato encaminhou à Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), de Aracaju, um comunicado que esclarece as reivindicações dos trabalhadores e enaltecendo a alta vulnerabilidade sofrida por profissionais e passageiros. Órgãos como a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), Guarda Municipal de Aracaju (GMA), e Ministérios Públicos Estadual, e do Trabalho, devem receber o mesmo material. Conforme estatística apresentada pelo Sintra, no ano passado um cobrador foi assassinado e 1.767 assaltos a ônibus foram registrados.

Segundo o motorista José Alberto Gomes, profissional há 18 anos, é evidente que os passageiros serão os primeiros prejudicados com a decisão, mas ele garante que fica insustentável seguir com a rotina diária enquanto meliantes ameaçam a vida de todos que se tornam vítimas durante as abordagens. Em meio aos argumentos que visam fortalecer a decisão, o motorista citou o cobrador David Jonathan Barbosa, de 26 anos, morto em julho, durante um assalto. Receoso quanto a possibilidade de novas fatalidades, José Alberto apoia o movimento coordenada pelo sindicato.

"Não posso fingir que está tudo bem e que a morte do colega no ano passado pouco representou para a gente. Foi uma perda triste que pode acontecer com qualquer um de nós motoristas, cobradores e passageiros no modo geral que necessita utilizar esse meio de transporte. Acho que a medida foi sensata e nada mais justo que lutar por nossa segurança e qualidade no ambiente de trabalho; sem condições básicas não tem como permanecer arriscando as nossas vidas. Se a violência continuar sou a favor de parar outras linhas a partir das 20h ou até antes se possível", declarou.