JOÃO, MARIA E UM EX-GENRO QUE AINDA LHES ATORMENTA

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Publicada em 16/01/2017 às 16:04:00

JOÃO, MARIA E UM EX-GENRO QUE AINDA LHES ATORMENTA

 

A senadora Maria do Carmo devotava um carinho quase maternal ao seu então genro Edivan Amorim. João Alves, então o mais poderoso político sergipano, recebeu de braços abertos aquele rapaz que sua filha escolhera para casar. Um itabaianense, aparentemente tímido, vindo de família sem posses, e que demonstrava muita habilidade. Dos sogros recebeu apoio para o sucesso rápido na trajetória de negócios. Edivan, logo demonstrou que também tinha um arguto faro político.

Tanto João como Maria nunca comentaram publicamente os dissabores que sofreram, as decepções, as ingratidões do genro. Entendem que esse é um assunto desagradável que teriam de manter restrito ao ambiente familiar. Com o ex-genro, por causa dos netos, continuaram mantendo um clima que parecia de plena cordialidade. Mas não se pode dizer que tenham suportado, sem traumas, os golpes sucessivos que sofreram, inclusive com a perda considerável do patrimônio que construíram.

Edivan, entre ousadas peripécias empresariais e aventuras políticas, ganhou uma dupla fama: invasor engravatado de bancos, e “capo” de uma facção política que conduziu, com o dom que possui de fazer arregalar os olhos das pessoas atraídas pelo brilho suposto do dinheiro fácil.

Fez negócios e politica, e através da politica fez muito mais negócios. Gosta de exibir-se como homem poderoso com acesso livre aos altos escalões, que facilitariam os seus incomuns atrevimentos financeiros, iguais aquele, o empréstimo contraído no BNB de Montes Claros, para uma empresa de Itabaiana com endereço falso. O imbróglio de agora, poderá não acabar bem, não reeditando o modelo insólito daquele registrado no Paraná, um dos muitos que contribuíram para levar ao chão o assaltado BANESTADO.

No poder que tem o irmão senador, Edivan ampara-se para invadir a esfera dos bancos estatais, onde tão bem sabe operar. Agora, quer exonerar da Superintendência do BNB em Sergipe o economista Saumínio Nascimento, cidadão ético, que, por isso, a ele de nada serviria. Saumínio recebeu o apoio da senadora Maria do Carmo para permanecer no cargo, esse apoio foi explicitado pelo Senador suplente, o empresário Ricardo Franco, na época, exercendo o mandato. Havia, pois, um compromisso que Edivan quer atropelar, afrontando Ricardo, e para mostrar à ex-sogra, que o poderoso é ele.

Antes da eleição de 2014 Edivan deu um prêmio ao gerente da agência de Montes Claros que lhe facilitara o fabuloso empréstimo. Conseguiu para ele a ascensão a Superintendente do BNB em Sergipe, e onde, de novo, teria facilitado empréstimos.

Todas as empresas do audacioso Edivan, exceto as de comunicação (porque a lei não permite), estão em processo de recuperação judicial. Ele providencia agora uma saída com intensa participação “alaranjada”, para que, contra o BNB, consiga repetir o sucesso, sem pagar o que deve ao BANESTADO.

Onde existia a enorme garagem que abrigava a frota de carretas da primeira empresa falida de Edivan, o local é popularmente conhecido como o “desmanche de Edivan Amorim”.

 

ARACAJU PODERÁ TER QUALIDADE DE VIDA? (1)

Edvaldo Nogueira embutiu na sua campanha a boa esperança de que Aracaju poderá ser a cidade da qualidade de vida. Recebemos, de uma entidade insuspeita, o título que nos envaideceu: “Cidade da Qualidade de Vida”. Não o perdemos, na verdade a avaliação, digamos assim, foi elaborada através de um modelo não muito rigoroso.

A qualidade de vida deve ser uma meta permanente, e poderá ser alcançada ainda no quadriênio de Edvaldo, apesar da crise. Houve bons e virtuosos avanços, como os alcançados na desfavelização includente iniciada por Déda, continuada por Edvaldo.

Nos últimos anos agravou-se a ineficácia do nosso sistema de esgotamento sanitário. A consequência é a podridão que vai envolvendo a cidade. No sábado da última semana, os integrantes da Expedição Serigy, um grupo que vai descobrindo e redescobrindo Sergipe, em navegações e longas caminhadas (praticando a pedagogia do ver e questionar), cruzava o rio Sergipe, manhã cedinho, numa tó-tó-tó a caminho da Barreirinha entre os rios Pomonga e Sergipe, em Santo Amaro. De repente, do espelho que era aquela hora o rio, sobe um mau cheiro horroroso, agressivo, sufocante, que envolveu tudo. Estávamos a uns 200 metros na lateral daquele riacho imundo que despeja no início do Bairro Industrial, o velho Chica Chaves. O rio Sergipe em alguns pontos, a depender das marés, fica completamente podre. E o mais grave: naquela cloaca havia algumas canoas de pesca.

O engenheiro Carlos Melo, presidente da DESO, ouvido sobre o problema, disse não desconhecê-lo, não descartando a existência de algumas descargas de esgotos sem tratamento.

Mas enumera as providências adotadas. Nos próximos dois anos a rede que cobre hoje 30% da cidade, passará para 80%, com investimentos previstos em torno de 300 milhões de reais. Pontos críticos como os bairros Jardins e Garcia ficarão com seus sistemas prontos no meio deste ano. Carlos Melo ressalva, porém, que ao longo dos riachos que cortam a cidade, como o Tramanday e outros, há despejos de esgotos e eles ocorrem, também, de forma clandestina em vários pontos da cidade. Esses riachos há algum tempo não estão sendo desassoreados, o que agrava o problema. Para reduzir a fedentina Carlos Melo admite que é preciso uma ação conjunta envolvendo as Prefeituras de Aracaju, Barra, Socorro e São Cristóvão, a DESO, os órgãos ambientais e o Ministério Publico, inclusive, para que se possa exigir dos prédios que têm sistemas próprios de tratamento, que os mantenham em funcionamento constante, e sejam também interrompidas as descargas clandestinas.

O prefeito Edvaldo, tomando a frente dessa iniciativa, já terá dado um passo importante rumo ao pedestal da qualidade de vida, onde se sonha em colocar a capital, bem vistosamente visível.

 

A BANCADA DA BALA QUER O SEU MINSTÉRIO DA MORTE

A “bancada da bala”, formada por deputados lobistas das indústrias de armas, e pelos que têm a suposição equivocada de que violência dos bandidos se combate com mais violência do Estado, quer, agora, um Ministério da Segurança. Desejam colocar à frente dele um dos seus, seguramente, o mais convicto nas soluções da força acima da lei. Alegam que o Ministério novo irá montar uma rede de inteligência abrangendo todo o país. Mas isso já é feito com eficiência pela Policia Federal e pelas policias estaduais. O que se precisa mesmo é fortalecê-las e integrá-las, modernizar e ampliar as forças armadas, para operarem nas fronteiras, no mar, no ar.

 

O MAR AVANÇA E O VELHO CHICO RECUA (3)

Para atender pedidos supostamente partidos de cidades à margem do São Francisco que fazem as procissões fluviais do “Bom Jesus dos Navegantes” a CHESF liberou a vazão do rio. Os pedidos ou as ordens teriam partido do senador Renan Calheiros.

Isso demonstra que os argumentos esgrimidos pela empresa para justificar a sua avareza hídrica não são assim tão consistentes. Haveria uma margem suficiente de manobra que a empresa despreza. Mas ao fazer isso está provocando uma calamidade da qual o baixo São Francisco não irá se recuperar.

Com a vazão reduzida a menos de 800 m³/seg. o mar avança, salga, mata o rio, e logo estará alcançando os perímetros irrigados, cidades já não podem captar água doce. Foi criado um novo Comitê da bacia do São Francisco do qual farão parte os governadores da região.

Trata-se de uma boa iniciativa, desde que efetivamente tenha o Conselho algum poder decisório.

Já estão elencados alguns propósitos, mas é solicitado dos governadores que apresentem até o dia 21, sugestões de cada estado.

O governador Jackson Barreto deverá apresentar, entre outras, uma ideia para conter a curto prazo a invasão do rio pelo mar.

Coisa simples sugerindo-se a CHESF que durante as grandes marés de lua seja liberado água suficiente para segurar o mar, durante as cheias, reduzindo-se a vazão durante as chamadas marés mortas. Isso implicará na realização de manobras precisas e pontuais que caberia a CHESF estudar a viabilidade delas.

Essa seria a mais urgente medida para evitar a tragédia que se desenha, outras, a médio e longo prazos terão de vir, o mais cedo que for possível para evitar a tragédia que o rio anêmico há tanto tempo anuncia.

 

IROITO LEÓ, O HOMEM DO PARQUET

Estudante do Atheneu, Iroito era conhecido como o “presidente da Arcádia”, uma espécie de clubinho literário que naquele tempo conseguia reunir meninos e meninas fascinados pelos livros, estreantes na poesia, no conto, alguns, até, almejando escrever romances. Iroito era o criador, o mantenedor e o propagador da Arcádia, sempre imaginando novos arcadianos. Fazia um jornalzinho mimeografado, e aí surgiu também o jornalista que continuou sendo.

Iroito, Promotor, tornou-se o “homem do Parquet”, essa palavra francesa que ele preferia, para denominar o Ministério Público. Ninguém mais militante do Parquet, do que Iroito, que foi Procurador e dirigente do “seu” Parquet, instituição a que tanto serviu, e com tanto entusiasmo, que o fez continuar através da família.

Iroito Dória Leó, um nome a ser pronunciado com respeito, e principalmente gratidão por tantos a quem ele serviu, pelos filhos de viúvas de Promotores que faleceram antes da criação do IPES pelo governador Luiz Garcia, e recebiam uma pensão irrisória, até ser vitoriosa a luta de Iroito, com a conquista da pensão integral.

 

O SALVADOR DO 13

O 13 de Lagarto foi uma das primeiras experiências de reforma agrária no Brasil. Começou nos fins da turbulenta década dos cinquenta, quando o fazendeiro Antônio Martins loteou uma das suas propriedades e também doou terras a agricultores pobres. Quando aqui esteve, pedindo votos, o candidato Jânio Quadros, que infelizmente venceu, ele foi ao 13, ficou impressionado com o sucesso da Cooperativa e prometeu que na presidência faria várias réplicas dele pelo Brasil afora. Bebeu muito no Planalto, fez coisas pueris, como a proibição do biquíni, esqueceu-se do 13, e completou a farsa com a renúncia que quase nos leva à guerra civil.

O doutor Luiz, que é um dos inúmeros e conceituados “Hermínios” que tanto fazem bem a Sergipe, conta agora a história do 13, da recuperação, na década dos setenta da experiência que beirava a falência. É também a história de vida do seu pai, Luiz Alves, um cidadão exemplar, um dos mais competentes e proativos funcionários que já teve o Banco do Brasil. Ele é a figura central do livro de Luiz Hermínio, que será lançado no dia 9 de fevereiro no auditório da SEMEAR às 19h30.

 

FINALMENTE UMAGALERIA DE TANIT

Propagadora e fazedora de arte, e artes, a artista, que já foi modelo, é fotógrafa, turismóloga, odontóloga, e, mais ainda, um ser humano adocicado. Tanit, irmã de Thaís, Tania, e Tamara, as filhas de Juju e Álvaro, criou, finalmente, a sua galeria. É a “M Depósito de Arte”, fica na 13 de Julho, rua Jose Ramos da Silva, nº 316, sala 94. Abriu dia 12 com a exposição de fotos, “Esmeralda da Vida”. É o resultado das andanças esteticamente curiosas de Tanit, pelo fascínio das paisagens eco-humanas do exaurido São Francisco. Sobre Tanit, suas artes, sua galeria, já escreveu com percuciente sabedoria, sensibilidade e memória, o nosso “decano” tão acarinhado, Ivan Valença. 

 

O BOM EXEMPLO DE UM ALMIR DO PICOLÉ

Almir do Picolé é exatamente isso que o nome indica: um vendedor de picolé. Nesses tempos turbulentos, em que tanto se reclama da violência, da degradação social, da economia capenga levando milhões ao desemprego, e tão pouco fazem aqueles que mais reclamam, o vendedor de picolé mostra, como tendo disposição, solidariedade, responsabilidade cidadã, é possível montar uma estrutura de proteção social, contando com outras solidariedades que se manifestam. Almir não é candidato a nada, quer apenas passar pela vida sem ter se esquecido de viver para si, e, mais ainda para os outros, os que necessitam de apoio, amparo, carinho, coisas que raramente o poder público, sozinho, consegue dar e transmitir.

Mostra Almir que se pode reclamar, exigir, e também fazer, e nisso constrói um exemplo.

Há em Sergipe quem percorra o caminho da solidariedade que deveria ser o mais amplo dos trajetos palmilhados pelas pessoas. Até nos países onde a social-democracia conseguiu êxitos na supressão das desigualdades sociais, a solidariedade se manifesta, mesmo onde não se precisa matar a fome de ninguém. A solidariedade coletiva, ou institucionalmente praticada, é a mais eficiente arma contra a violência, um antidoto para aliviar a ferocidade humana.

Aqui em Sergipe, pobres como Almir, ou um médico que é outro Almir, mostram, como a solidariedade produz resultados.

Trabalhando por esses resultados, empresários, como Luciano Barreto, João Carlos Paes Mendonça, que agora inaugura mais uma fundação, dão exemplos de que o capital, se acumulado para o enriquecimento apenas pessoal, na verdade, empobrece o espírito.

São tantos os que fazem o mesmo, como os irmãos Peixoto de Itabaiana, os Barbosa, os Teixeira, Albano, Walter Franco, o Grupo Maratá, instituições como as igrejas católicas, evangélicas, os cultos afro-brasileiros, os espíritas, a Maçonaria, o Rotary, mas, é preciso por em destaque exemplos que saem das pessoas simples, tais como aquele de Almir do Picolé.

No Mosqueiro, um policial, que instalou um pequeno bar, onde trabalha nos fins de semana, Otávio Assis, criou, ao lado, o que chama de Laje do Titio. Reúne meninos das redondezas, quase todos em situação de vulnerabilidade, e os colocam a remar, a praticar o surf, o stand-up. Providencia as pranchas, porque no seu espaço há também um local onde os que praticam esses esportes guardam os seus equipamentos, e às vezes os cedem. Exige que os meninos frequentem a escola, observa as suas notas, duas vezes por mês faz um alongado mutirão pelo rio, suas ilhas, seus manguezais, retirando a sujeira, guardando o arrecadado para a reciclagem. Já recuperou dezenas de meninos que poderiam estar agora engrossando as estatísticas dos menores infratores, até assassinos e assaltantes. Robson criou também a Geladoteca, uma estante de livros numa geladeira inservível. Os livros circulam na comunidade, já ocupam a largos espaços pela casa. Otávio recebe doações para a Geladoteca.

No Bairro Ponto Novo, o professor de artes marciais Pato Rouco, criou o Projeto Robson Bezerra. Ele educa, civiliza e humaniza menores, alguns já infratores, fazendo-os praticar o Jiu-Jitsu e dando-lhes assistência.

O Poder Público poderia aproximar-se mais de iniciativas assim, e sem desfigurá-las, fazer, com elas, produtivas parcerias.

 

O FREI ENOQUE EXPLICA

Na Xingó FM de Canindé, o Frei Enoque comentou nota aqui publicada, sobre as suas decepções com os Valadares , pai, e filho. O frei lembrou que não é filiado a nenhum partido. Desde que obedeceu ao Bispo Dom Mario, deixou as atividades político-partidárias, desfiliou-se do PSB, e renunciou ao mandato de prefeito de Poço Redondo. Por isso, não pode filiar-se, como noticiamos, ao PMDB. Continua exercendo seu ofício de sacerdote e cidadão, que o faz porta-voz livre das agruras sertanejas.