Nova gestão de São Cristóvão encontra Saúde em total abandono

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Publicada em 17/01/2017 às 00:43:00

Descaso e abandono retratam a situação da Saúde encontrada pela nova gestão de São Cristóvão. O quadro é assustador: profissionais da área dispensados; remédios vencidos, e largados em “depósitos” improvisados; unidades de saúde em condições precárias de funcionamento; equipamentos danificados; carros e ambulâncias abandonados na garagem, tomados pela vegetação. Para ter uma ideia, até materiais ambulatoriais básicos - de curativo, por exemplo -, faltam ou foram encontrados num estoque mínimo. Um total desrespeito pela população e desperdício de dinheiro público.

Segundo a secretária interina da Saúde de São Cristóvão, Adilene Lima, a realidade exige uma ação rápida e emergencial para que a população não seja ainda mais prejudicada. “Estamos concluindo um levantamento de tudo que nos foi passado, mas podemos afirmar que o quadro é de abandono. Toda a equipe de Saúde está mobilizada para continuar o atendimento, ainda que não de maneira satisfatória, porque as condições encontradas não permitem. Temos, de fato, que organizar a casa e, em paralelo, oferecer os serviços, porque é uma área que não pode parar”, pondera.

Uma das ações emergenciais é reorganizar o quadro de profissionais, especialmente, enfermeiros e médicos. As equipes da Saúde - 22 no total, entre unidades básicas e de saúde da família - não têm condições de oferecer os serviços adequados, justamente por falta de pessoal. “Em uma equipe falta médico; em outra, enfermeiro; na outra, os dois. É um absurdo. Mas já estamos resolvendo a questão, inclusive, retomando o atendimento odontológico, cujos equipamentos encontramos quebrados”, explica Lima. “Para a falta de profissionais, a proposta é contratação emergencial de médicos e enfermeiros, por meio de processo seletivo”, complementa a secretária.

Outra demanda imediata é solucionar o problema dos veículos - hoje só estão disponíveis duas motos, uma ambulância, um carro pequeno e um maior, que transporte pacientes que realizam tratamento em Aracaju (hemodiálise, oncologia e fisioterapia). Enquanto isso, carros específicos da Saúde, entre outros, foram encontrados abandonas na garagem do município, alguns sendo tomados pela vegetação.

Trabalho dificultado porque o sistema de controle de almoxarifado foi encontrado bloqueado, impedindo o acesso a um inventário. “Estamos fazendo esse levantamento inicial de medicamento e materiais, e tomando as devidas providências para reposição. Muita coisa falta para reabastecer os postos, como remédios para hipertensão e diabetes, além de material de curativo”, conta o coordenador do Departamento Administrativo Financeiro (DAF), Valfredo Dantas.

Realidade sentida nos pontos de saúde. Na Unidade Básica Governador Valadares, por exemplo, o abandono é visível. Paredes descascadas, banheiros com infiltração, estruturas físicas precárias - já comprometendo, inclusive, o saneamento básico-, falta de computadores - todos os prontuários do pacientes são utilizados manualmente, não há nenhum registro informatizado. A ideia, inclusive, é realizar uma reforma na unidade, transferindo-a provisoriamente para outro local – a viabilidade da proposta ainda está sendo analisada pela secretaria.