MP vai investigar responsabilidades do incêndio no Makro

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Publicada em 17/01/2017 às 00:01:00

Gabriel Damásio

 

O Ministério Público do Estado (MPE) instaurou um procedimento para apurar as causas e conseqüências do incêndio que destruiu, na terça-feira passada, a loja da rede atacadista Makro que funcionava na Avenida Tancredo Neves, bairro Jabotiana (zona oeste da capital). Ontem, a promotora Euza Gentil Missano, da Curadoria de Defesa do Consumidor, se reuniu com integrantes do Corpo de Bombeiros Militar (CBMSE) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). Na audiência, foram repassadas informações sobre as principais hipóteses de causa do incidente e sobre a situação na qual o supermercado estava quanto a autorizações, alvarás, outras documentações e dispositivos de segurança em sua estrutura.

A principal questão do MP é se os problemas já encontrados no Makro contribuíram ou não para a ocorrência do incêndio e a gravidade dos prejuízos causados. “O Ministério Público quer saber se realmente existia um projeto de combate a incêndio e pânico aprovado, se existia o atestado de regularidade, se todos os equipamentos de segurança foram acionados e se estavam em funcionamento no dia em que houve o combate ao incêndio. Na resposta negativa, [questionaremos] se isso foi fator determinante para um incêndio de grandes proporções”, disse Euza, acrescentando que vai questionar se houve problemas nos equipamentos.

Durante a reunião, os Bombeiros apresentaram seus relatórios de fiscalização confirmaram que o trabalho de perícia na área do supermercado foi concluído no sábado, bem como os primeiros levantamentos para a perícia técnica que vai identificar as causas do fogo. Ficou confirmado que o Makro estava há seis meses sem renovar o seu Atestado de Regularidade junto ao órgão, indicando que os itens de segurança estavam em dia. Entre outras irregularidades citadas até agora, estão a falta de manutenção das bombas de água do reservatório (conhecido como ‘castelo d’água’), o que prejudicou parte do trabalho dos Bombeiros para apagar o fogo no Makro.

“O ‘castelo’ dá suporte para que a gente possa fazer o reabastecimento das nossas viaturas Em princípio, havia uma reserva de água, tanto a gente abria o registro, mas não pressurizada. As bombas devem pressurizar o sistema automaticamente, na medida em que a gente abre esses hidrantes. Esse sistema deve funcionar automaticamente e isso não aconteceu”, afirma o coronel Eduardo Carlos Pereira. comandante-geral do CBMSE, apontando outras falhas que levantaram a suspeita da inexistência de uma brigada de incêndio formada por funcionários no Makro, sobre a qual o coronel admitiu que houve ‘dificuldades’. “Não encontramos suporte nenhum quando chegamos. O supermercado já estava vazio o prédio estava lacrado e a gente não conseguiu visualizar alguém que pudesse dizer pra nós como foi o início do combate o incêndio”, acrescentou Pereira.

A previsão é de que o relatório completo dos Bombeiros sobre o fogo no Makro fique pronto em até 30 dias, para ser entregue ao MPE. A promotora pediu ainda que o Crea dê informações sobre as Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) referentes ao supermercado. A ART é um documento exigido em lei e traz todas as informações técnicas detalhadas sobre a estrutura construída ou sua obra. De acordo com Euza, os representantes do Makro serão chamados para uma segunda reunião, que deve acontecer hoje e na qual eles devem esclarecer as questões levantadas. “Nós estamos apurando todos os problemas para saber se houve algum processo de irregularidade”, declara a promotora, que considerou ‘açodado’ fazer conclusões preliminares.

 

Mau cheiro – Outra questão levantada foi o forte cheiro de fumaça, exalado durante cerca de três dias dos escombros que restaram do Makro. Os efeitos da fumaça tóxica prejudicaram principalmente os moradores de casas e condomínios situados nos bairros Jabotiana, Ponto Novo, Conjunto JK, Sol Nascente, Santa Lúcia e Aloque. Alguns deles tiveram que deixar suas casas e outros apresentaram problemas de saúde. Houve ainda o risco do surgimento de novos focos de incêndio, por conta de materiais que permaneceram acesos ou gases tóxicos produzidos pelo fogo.

O coronel Eduardo Pereira informou que o problema da fumaça e dos novos focos já foi contornado, sendo dado um prazo para que a empresa responsável pelo Makro providencie a retirada do material destruído e a limpeza da área onde funcionava o supermercado. “Isso está sob responsabilidade da própria empresa. Desde sábado que eles colocaram um maquinário no sentido de nos dar suporte e segurança para que pudéssemos terminar o rescaldo com mais efetividade. Havia ainda muito ferro retorcido, o que restou da cobertura ameaçava desabar, e precisávamos trabalhar com segurança. Hoje, eles já prepararam todo o local para ser limpo”, esclarece o comandante, confirmando ainda que não há mais riscos de ressurgimento do fogo.