Suspeito de matar sargento é morto na Cidade Nova

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Publicada em 18/01/2017 às 00:16:00

Gabriel Damásio

 

Um adolescente de 15 anos é apontado pela Polícia Militar como o principal suspeito pelo assassinato do sargento reformado Adalberto dos Santos Filho, 51, executado durante um assalto ocorrido anteontem na Rua Coronel Padilha, bairro 18 do Forte (zona norte). O menor foi morto ontem, por volta das 13h, em uma residência no bairro Cidade Nova, próximo ao Hospital Universitário (HU), durante buscas realizadas por soldados do Comando de Operações Especiais da PM (COE). Familiares do adolescente negam a participação dele no crime, mas a corporação afirma que o adolescente foi reconhecido por um sobrinho do sargento.

O rapaz estava na porta da casa da avó quando os policiais chegaram ao local. Segundo os parentes, que não se identificaram por medo de represálias, eles impediram a saída dos que estavam na casa, perseguiram o menor por dentro da casa e lhe dispararam três tiros. Em seguida, puxaram o corpo de um dos quartos até a caçamba de uma viatura, que seguiu direto ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde a morte foi confirmada. Indignados, os familiares gravaram e fizeram circular um vídeo nas redes sociais, mostrando como a casa ficou após a operação, com o chão todo sujo de sangue.

Eles acusaram os policiais de invasão e execução, afirmando que ele nem esteve no local do crime. “Os quartos ficaram todos bagunçados, eles deixaram todo esse sangue aqui, bagunçaram tudinho. Aí a notícia chega dizendo que o menino trocou tiro com a polícia. Como é que o menino matou o sargento se ele passou o dia todo dentro de casa? Como é que teve troca de tiro, se não tinha arma nenhuma no local do crime? E ele nem arma tinha. Vamos ver como vai ficar essa história aí”, diz o parente na gravação, afirmando que os PMs “estão todos com raiva, porque mataram um colega de farda”.

Já o comandante de Policiamento da Capital, coronel Vivaldy Cabral, informou que a casa do adolescente foi indicada através de denúncias anônimas repassadas a policiais que faziam buscas pelos assassinos do sargento. Segundo o coronel, ele sacou um revólver e atirou cinco vezes quando os soldados chegaram, o que provocou o confronto e a morte do menor. “Infelizmente, a família faz esse tipo de comentários, mas temos todas as informações e as repassamos para a Polícia Civil, inclusive a arma usada pelo menor e, principalmente, o reconhecimento [testemunhal]. Um sobrinho que estava no momento do crime esteve no Instituto Médico-Legal e confirmou que esse adolescente foi o que atirou contra seu tio”, atestou Vivaldy.

Adalberto foi dominado e morto com dois tiros, após presenciar o assalto a uma mercearia em frente à casa de sua mãe, e estava com uma das netas no colo. A arma dele, uma pistola calibre ponto 40, foi levada pelos matadores e não foi encontrada até o fechamento desta edição. A PM afirma que outros dois suspeitos de envolvimento no crime também já foram identificados e estão sendo procurados. A investigação é acompanhada pela Delegacia de Roubos e Furtos (Derof).

 

Enterro – O corpo do sargento Adalberto foi enterrado ao final da manhã no Cemitério São Benedito, no Santo Antônio, com a presença de parentes, amigos, colegas de farda, oficiais do alto comando da PM e vizinhos da família. Honras militares foram prestadas em sua homenagem, com salva de 21 tiros e o toque de silêncio entoado pelo corneteiro da tropa. Um capelão da corporação foi o encarregado dos ritos religiosos, realizados ainda no velório, que aconteceu por toda a madrugada na casa da família.

Algumas autoridades políticas compareceram ao velório do militar, como os deputados estaduais Gilmar Carvalho (SDD) e Capitão Samuel (PSL), o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) e o governador Jackson Barreto (PMDB), que deu uma rápida mensagem de condolências e não falou com os jornalistas. ‘Sargento Betinho’, como era conhecido, estava há um ano na reserva,, mas era lotado no Batalhão Especial de Segurança Patrimonial (Besp) e trabalhava na segurança do Palácio de Despachos, sede do governo estadual.