Polícia caça ladrão que matou engenheiro em creche

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Publicada em 19/01/2017 às 00:42:00

Gabriel Damásio

 

Equipes da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) e da Coordenadoria de Polícia Civil da Capital (Copcal) estão mobilizadas para capturar o assaltante que disparou três tiros contra o engenheiro Nicanor Moura Neto, 66 anos, em uma tentativa de assalto ocorrida na tarde de anteontem, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). O ex-coordenador da Defesa Civil Estadual e da Defesa Civil de Aracaju morreu por volta das 22h30, enquanto era operado no centro cirúrgico do Hospital São Lucas, no São José (zona sul de Aracaju). O crime aconteceu na entrada da creche da Ação Social Almir do Picolé, na Piabeta, onde Nicanor fazia a entrega de uma doação de livros escolares.

Os delegados destacados para investigar o crime são Hildemar Lima Rios (DRFV) e André Baronto (Copcal), cujas equipes já levantaram informações com testemunhas do caso e com os soldados do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) que atenderam a ocorrência. Detalhes da investigação permanecem em sigilo, mas a principal pista está nas imagens gravadas pela câmera de segurança da creche, divulgadas oficialmente ontem pela polícia. Elas mostram que o criminoso é um rapaz negro, de estatura mediana e usava uma pistola. A suspeita é de que ele também já tenha realizado outros assaltos na região da Piabeta, inclusive contra a própria creche.

Toda a ação durou quase 30 segundos. Conforme a gravação, o marginal aproveitou-se da abertura do portão, após a chegada do engenheiro, e obrigou uma voluntária a permitir sua entrada. Em seguida, ele tenta pegar a chave da vítima, que reluta e chega a jogar a chave no chão. Em meio à discussão e às ameaças, o bandido pega a chave e começa a fugir, mas bate em Nicanor com a arma na mão e em seguida atira. O bandido chegou ainda a entrar no carro da vítima, um Ford Ka de cor branca, e tentou fugir com ele, mas perdeu o controle e bateu contra o muro de uma casa. Testemunhas relatam que o criminoso desceu do carro e fugiu por um matagal, visivelmente nervoso e aparentemente sob efeito de drogas.

Enquanto isso, o engenheiro estava caído na calçada, ferido no tórax, no abdômen e na perna direita. Ele foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, primeiramente, encaminhado ao Hospital Regional José Franco, em Socorro, onde passou por procedimentos de estabilização. Em seguida, o engenheiro foi enviado ao São Lucas, onde o quadro se agravou de vez. Segundo informações da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), os ferimentos dos tiros causaram no paciente um grave quadro de instabilidade, que incluiu hemorragia, queda de pressão e uma sequência de cinco paradas cardíacas, entre outras complicações.

 

Repercussão – O corpo de Nicanor Moura Neto foi liberado ontem de madrugada pelo Instituto Médico-Legal (IML) e velado até o começo da tarde no velatório Osaf, no centro, na presença de amigos, parentes, colegas de profissão e autoridades públicas. Dali, após as homenagens, o caixão foi levado até Japaratuba, cidade natal da vítima, onde um segundo velório com homenagens aconteceu na Câmara Municipal. Ao fim da tarde, aconteceu o enterro no cemitério da cidade.

A morte do engenheiro chocou a população e principalmente aos que acompanhavam o trabalho dele à frente dos órgãos de Defesa Civil. Em nota, o Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil, ligado a Secretaria Estadual de Inclusão e Direitos Humanos (Seidh), lamentou a morte do engenheiro, que coordenou o órgão por duas vezes, entre 2000 e 2007. “Em sua marcante passagem pelo departamento, ele contribuiu para o desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades desempenhadas pela Defesa Civil em Sergipe. É de se lamentar que sua vida tenha sido precocemente ceifada por um ato de violência, em um momento de doação e generosidade”, afirma a nota.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) também lamentou a perda do colega. “A Engenharia sergipana perde um grande ícone na luta pelo desenvolvimento da profissão”, definiu o presidente do Crea, Arício Resende. Atualmente, Nicanor era presidente da seccional sergipana da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc) e diretor de patrimônio da Associação dos Pais e Amigos do Excepcional (Apae/SE), onde também atuava como voluntário.