Ex-presidiário confessa morte de sargento

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Publicada em 20/01/2017 às 00:16:00

Gabriel Damásio

 

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) anunciou a prisão de um ex-presidiário que confessou o assassinato do policial militar reformado Adalberto Santos Filho, 51 anos, executado na última terça-feira. O ex-presidiário Revisson Santos Costa, 30, foi detido ontem de manhã, após sair da casa de sua mãe, no bairro 18 do Forte (zona norte), após ser localizado por agentes da Delegacia Especial de Roubos e Furtos (Derof). Segundo a polícia, ele confessou ser o único autor do crime e foi flagrado com a pistola calibre ponto 40 que pertencia à vítima. Houve ainda a apreensão de outra arma, um revólver calibre 32, usada para matar o policial.

Os detalhes da prisão foram confirmados à tarde pelo delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira. Segundo ele, Revisson foi identificado a partir de descrições feitas por testemunhas do homicídio, cometido em seguida ao assalto contra uma mercearia situada em frente à casa da mãe do policial. “A equipe da Derof juntou informações no local [do crime] e recebeu a descrição de um perfil específico do agressor. A partir daí, conseguimos identificar esse suspeito e, de posse de seus dados, confirmar a autoria e efetuar sua prisão. Ele já estava sendo monitorado pela Polícia Civil, tinha uma expectativa por parte da família para que ele se apresentasse, mas vinha resistindo a essa situação”, explicou Alessandro.

A prisão aconteceu quando Revisson estava a caminho de um escritório de advocacia, pois ele pretendia se entregar na sede da Derof. Especula-se que o acusado teria tomado a decisão por medo de morrer em um possível e iminente confronto com policiais militares. No entanto, a delegada Juliana Alcoforado, responsável pelo caso, atribuiu a rendição ao cerco que já vinha sendo feito ao suspeito. “Nós vínhamos cercando as residências dele e dos familiares dele há dois dias. Ele resolveu procurar um advogado e neste momento da busca pelo advogado que nós conseguimos interceptá-lo, no centro da cidade”, informou.

Ao prestar depoimento, Revisson relatou como foi a sua atuação no assalto à mercearia e no ataque ao sargento Adalberto. “Ele confessa o crime, alega que a sua intenção era a de roubar [o celular do policial], mas que entrou em luta corporal com a vítima e acabou fazendo os disparos”, resumiu o delegado. Na ocasião do episódio, o PM reformado estava na porta de casa, com uma das netas no colo, e foi morto com um tiro na cabeça, depois de ser derrubado e dominado pelo ex-detento. Ainda de acordo com Vieira, o preso já foi condenado por crimes de roubo e homicídio, sendo considerado um “criminoso contumaz”.

Após os depoimentos, os policiais da Derof foram até um terreno baldio no bairro Tijuquinha, em São Cristóvão (Grande Aracaju), onde a pistola do sargento e o revólver do acusado estavam enterrados. A moto descrita por testemunhas como a que foi usada pelo acusado para fugir do local do crime também foi achada, dentro de uma casa em construção no Rosa Elze. De acordo com a delegada, a localização das armas e da moto foram indicadas pelo próprio Revisson, que acompanhou a diligência e colaborou com os investigadores.

“Todas as características dele batem com o que foi descrito no local do crime e a moto também tem a placa coincidente com aquilo que foi indicada por testemunhas ali presentes, havendo apenas uma inversão de números. Diante de tudo isso, considerando também os antecedentes criminais do investigado, e da própria confissão dele, nós não temos dúvida nenhuma: foi ele sim o responsável pelo crime que vitimou o sargento”, atestou Juliana, garantindo que os policiais estão “muito tranqüilos em relação à forma como o caso foi resolvido”. Revisson foi levado para uma delegacia não revelada e foi indiciado por três crimes: roubo, latrocínio (roubo seguido de morte) e porte ilegal de arma.

Delegados: morte de adolescente não está ligada ao caso do sargento

 

A prisão do ex-detento Revisson Santos Costa, que confessou ser o assassino do sargento reformado Adalberto Santos Filho, trouxe uma reviravolta ao caso do adolescente Bruno Santana Santos de Jesus, 15 anos, que morreu na última terça-feira, dia seguinte ao crime do sargento. Ele foi baleado dentro da casa da avó, na Cidade Nova (zona norte de Aracaju), durante uma incursão de soldados do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE). Bruno vinha sendo apontado pela PM como um dos suspeitos de ter assassinado o policial, tendo sido, conforme a corporação, reconhecido por um sobrinho de Adalberto.

No entanto, a participação do adolescente pode ser descartada oficialmente pela Polícia Civil. Durante entrevista coletiva dada ontem, o delegado-geral do órgão, Alessandro Vieira, disse que a diligência do COE contra o adolescente não estava relacionada às investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (Derof) sobre a morte de Adalberto. “O latrocínio contra o sargento Filho está elucidado e o único autor do crime foi esse indivíduo preso hoje [ontem], o Revisson. A situação do adolescente diz respeito a uma diligência realizada pela Polícia Militar, onde ocorreu uma resistência com confronto. É um fato que não tem nenhuma ligação com a prisão do Revisson ou com essa investigação da Polícia Civil”, disse ele.

A posição do delegado pode reforçar a versão da família de Bruno, que nega a participação dele no assassinato do PM. Eles asseguram que, na última segunda-feira, enquanto o sargento era morto no 18 do Forte, Bruno passava o dia com a avó, fazendo-lhe companhia na mesma casa onde foi morto. Os parentes também contestam a versão de que o adolescente teria sacado uma arma e disparado contra os soldados do COE, no momento da abordagem. Para eles, a casa foi invadida e Bruno foi executado, mesmo desarmado e sem reagir. Um segundo inquérito pode ser aberto pela Polícia Civil para apurar as circunstancias do incidente. (Gabriel Damásio)