Acusados de golpe com o Seguro DPVAT são presos

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Publicada em 02/02/2017 às 00:58:00

Gabriel Damásio

 

A Polícia Civil confirmou ontem a prisão de um grupo acusado de praticar fraudes contra o Seguro DPVAT, recolhido obrigatoriamente para indenizar danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, incluindo mortes em acidentes. Os golpes foram investigados há três meses por policiais da 7ª Delegacia Metropolitana (7ª DM) e da Coordenadoria de Polícia Civil da Capital, que prenderam quatro investigados em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). O policial militar reformado Gilvânio Gomes da Silva, preso desde a última quinta-feira, é apontado nas investigações como o líder do esquema, que pode ter causado um prejuízo superior a R$ 500 mil.

Além de Gilvânio, foram detidos os acusados Gideilson Oliveira Bezerra, o ‘Guil’; Isnaldo Antônio dos Santos, o ‘Nem’; e Manoel da Silva Santos, ambos apontados como responsáveis por aliciar pessoas para participar das fraudes. Um dos presos confessou a participação em cerca de 50 golpes junto com o ex-PM. Segundo a polícia, o crime consistia na falsa notificação de um acidente a uma seguradora, com direito a documentos falsos de hospitais e delegacias, então usados para gerar, respectivamente, os relatórios médicos e boletins de ocorrência usados para dar entrada nos procedimentos. Assim, o autor da falsa notificação ficaria apto a receber o seguro do DPVAT.

Por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o delegado Sérgio Ricardo Barbosa, da 7ª DM, explicou que as suspeitas do golpe surgiram em junho de 2016, quando uma auditoria da Seguradora Líder, responsável por operar o DPVAT, identificou que alguns dos documentos apresentados nos registros de acidente não eram autênticos. O caso que mais chamou atenção foi o de uma moradora do Conjunto Jardim, em Socorro, que recebeu o seguro por ter a perna esquerda supostamente amputada, em conseqüência de um acidente de trânsito ocorrido na Bahia. A beneficiada foi interrogada e admitiu o golpe. A partir daí, os suspeitos foram identificados. “Muito provavelmente, a organização criminosa atua em mais de um estado, visto que as falsificações constam de diferentes hospitais e delegacias, espalhados em todo Brasil”, explica Ricardo.

Para a polícia, o esquema funcionava da seguinte forma: Manoel, ‘Guil’ e ‘Nem’ convenciam as pessoas a se apresentarem como vítimas de falsos acidentes de trânsito e pediam que elas cedessem cópias do RG e do CPF, as quais, por sua vez, eram usadas na elaboração dos documentos exigidos. Em troca, os que aceitavam dar os documentos ganhavam uma recompensa de R$ 1 mil, pagos com o dinheiro da indenização liberada. De acordo com a SSP, cada seguro pago era superior a R$ 10 mil e a maior parte do dinheiro era entregue a Gilvânio, que dava ordens aos aliciadores e os pressionava para ficar com quase tudo. Os depoimentos relatam ainda que o ex-policial chegava a ameaçar os parceiros com uma pistola calibre 380. A arma e um carro de luxo da marca Kia foram apreendidos com o acusado, no momento de sua prisão.

Os quatro detidos devem ser indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa, As investigações da Copcal e da 7ª DM continuam, com o objetivo de identificar outras pessoas demais envolvidas nos golpes, incluindo as que aceitaram ceder documentos aos acusados e, segundo a polícia, podem ser responsabilizadas criminalmente. Em nota, o Sindicato dos Corretores de Seguros de Sergipe (Sincor) classificou a investigação da Polícia Civil como “um excelente trabalho” e considerou que “as fraudes são nocivas ao mercado de seguros e, principalmente, às verdadeiras vítimas de acidentes de trânsito”. (com SSP)