Caso Mortari: acusados do crime estão em prisão preventiva

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Publicada em 03/02/2017 às 00:17:00

Gabriel Damásio

 

O juízo da 8ª Vara Criminal de Aracaju decretou a prisão preventiva dos três homens apontados como mandantes do atentado a tiros contra o advogado Antônio Mortari, ex-conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O crime aconteceu em 4 de agosto de 2016, na Avenida Barão de Maruim (Centro),  e teve o seu inquérito concluído nesta segunda-feira pela Polícia Civil, que indiciou os acusados por tentativa de homicídio. Um deles, Clemilton de Almeida Agapito, 61 anos, foi detido em sua residência, cujo bairro não foi divulgado, e lá permaneceu, pois a sua prisão preventiva foi convertida em prisão domiciliar. Os outros acusados, Anderson Santana Souza do Nascimento, 27, e Marcus Henrique Coelho de Souza, 53, já estavam detidos em uma delegacia, cumprindo prisão temporária.

Os mandados de prisão foram cumpridos anteontem por agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investigaram o caso. De acordo com a delegada Thereza Simony Nunes Silva, responsável pelo caso, os mandados de prisão preventiva foram motivados pela confirmação de várias provas levantadas ao longo do inquérito. Ela confirmou que o ataque contra Mortari foi motivado por uma séria divergência entre os sócios de uma empresa situada em Estância (Sul), na qual Marcus, Agapito e Anderson ficaram contra o sócio minoritário, que era cliente do advogado. Para a polícia, o atentado foi uma forma encontrada pelos acusados para ‘se livrarem’ do que consideravam ‘interferências’ do advogado no negócio.

“Inicialmente, fizemos um trabalho de campo, ouvindo a vítima [Mortari] e as pessoas indicadas. Dentre as hipóteses que a vítima apontou, descartamos muitas e ficamos com a linha da venda das cotas societárias da empresa Entre Rios, que era um assunto muito recente naquele momento, um ponto critico. A partir dali, desenvolvemos a investigação, fizemos um trabalho de inteligência e chegamos aos três [indiciados], que tinham interesse em auferir lucro com a revenda da empresa, porque eles já tinham comprado essa empresa e queriam revender. Em razão da intervenção do Mortari, que aconselhava o seu sócio minoritário, dizendo que aquela negociação tinha alguma coisa errada, a motivação se deu nessa linha”, disse Thereza.

Marcus, Agapito e Anderson negam todas as acusações, mas, conforme a delegada, esta motivação “foi extraída e deduzida das informações que contam nos autos e nas oitivas do inquérito”. As investigações apontaram ainda que a briga entre os sócios foi detonada pelas suspeitas de irregularidades na compra da empresa Entre Rios. A principal delas seria a suposta falsificação de documentos apresentados pelos acusados, referentes a terras inexistentes que teriam sido dadas como pagamento pelas cotas da empresa. Thereza disse que estas irregularidades foram informadas nos autos, mas não foram aprofundadas no inquérito. Segundo ela, a apuração destas irregularidades pode ser requisitada pelo Ministério Público, durante a fase de instrução do processo judicial.

Na noite do crime, Antônio Mortari teve o carro perfurado com 10 tiros de pistola ao sair de seu escritório, na Barão de Maruim, mas não saiu ferido. Os três acusados foram presos em 5 de dezembro passado, durante buscas do DHPP em Aracaju, Salvador (BA) e na Linha Verde, rodovia estadual que interliga as duas capitais. Dias depois, Agapito ganhou direito à liberdade provisória, a pedido da defesa, devido a problemas de saúde. Os outros presos tiveram seus habeas-corpus negados pela Justiça. As investigações foram acompanhadas por uma comissão da OAB.