Agentes acham maconha e celulares no Compajaf

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Publicada em 07/02/2017 às 00:29:00

Uma revista-surpresa foi deflagrada ontem de manhã no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju), considerado de segurança máxima e que abriga os presos classificados entre os mais perigosos do estado. Buscas foram realizadas simultaneamente em todos os três pavilhões da unidade, que foram ocupados por agentes do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) e do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope), além de equipes do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb), da Polícia Civil, as quais revistaram todas as celas ao longo da manhã.

De acordo com o balanço divulgado à tarde pela Secretaria Estadual de Justiça e Defesa do Consumidor (Sejuc), foram apreendidos oito telefones celulares e mais de um quilo de maconha, que estavam escondidos nas celas. Todo o trabalho foi acompanhado diretamente pelo secretário Cristiano Barreto, que deu orientações às equipes e ainda conversou diretamente com os detentos. Ele explicou que a revista de ontem seguiu uma estratégia diferente de execução. “Desta vez, planejamos uma revista em todos os pavilhões simultaneamente, pois a possibilidade deles esconderem algo ilícito é mínima. Quando as revistas eram de forma individual, por pavilhão, quando termina uma, os presos do outro já estavam sabendo e poderiam esconder o que quiserem”, disse.

Durante o contato com os 711 presos que lá estão hoje, Barreto assegurou que as audiências judiciais dos processos aos quais respondem já começaram a ser agilizadas, por conta da força-tarefa criada entre as autoridades judiciárias e policiais para diminuir a superlotação e prevenir crises e rebeliões no sistema carcerário sergipano. “Estamos fazendo todos os esforços para resolver a situação de vocês. Antes não tínhamos audiências e vocês agora já sabem que elas estão ocorrendo normalmente”, disse o secretário, citando a retomada de grande parte das audiências de presos pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), as quais estavam paralisadas por falta de efetivo para a escolta de presos aos fóruns. Ficou garantido ainda que a Defensoria Pública do Estado analisará os processos dos detentos que ainda não têm advogado constituído.

A revista no Compajaf foi planejada em conjunto pela Sejuc e pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), que autorizou a participação do Gerb. A direção do presídio apura quem são os detentos responsáveis pelos objetos, que podem passar por uma punição disciplinar. A forma como os celulares e a maconha foram ingressadas dentro do presídio também será investigada.

 

Terceirização – As apreensões no Compajaf reacenderam as críticas ao formato de administração do presídio, que é gerido em co-gestão com a empresa baiana Reviver. Uma nota divulgada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindpen), que é contra a terceirização dos presídios, expressou “preocupação diante do número de objetos ilícitos encontrados” no complexo. Para o presidente da entidade, Luciano Nery, a descoberta dos celulares e da maconha “é uma surpresa” e “inadmissível”, diante do gasto mensal de R$ 2,6 milhões que o Estado paga pela gestão do presídio.

 

Tobias – Outros 10 telefones celulares foram apreendidos no último sábado, com um interno do Presídio Regional Manoel Barbosa de Souza (Premabas), em Tobias Barreto (Centro-Sul). De acordo com agentes da unidade, o preso fingiu estar com dores pelo corpo e pediu para ser levado ao Hospital São Vicente de Paulo, no centro da cidade. Já no hospital, após ser avaliado pelo médico, o detento pediu para ir ao banheiro, dizendo que sentia uma forte dor de barriga.

No entanto, os agentes fizeram-lhe uma revista e acharam um pacote com os celulares e seus respectivos carregadores. A suspeita é de que o material foi deixado no sanitário por um comparsa do detento, ainda não-identificado. Ele ficará 10 dias isolado em uma cela de observação do Premabas e irá responder a uma sindicância. O caso será investigado pela Delegacia de Tobias Barreto.