Agente é preso com 50 celulares no Copemcan

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Publicada em 09/02/2017 às 07:44:00

Gabriel Damásio

 

O agente penitenciário Rosemberg Conceição de Souza, 41 anos, foi preso em flagrante às 8h30 de ontem, ao iniciar seu dia de plantão no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju). Ele é acusado de ingressar no presídio com 50 telefones celulares e outros objetos de uso proibido, que seriam repassados a alguns presos da unidade. O flagrante aconteceu após uma investigação conjunta do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope) e do núcleo de inteligência do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe). O material estava escondido em uma mochila carregada pelo agente e revistada pelos policiais que o prenderam e o encaminharam-no ao Cope.

As investigações começaram no começo do mês, a partir de suspeitas levantadas pela direção do Copemcan. Segundo a delegada Mayra Moinhos Evangelista, do Cope, os celulares e seus respectivos acessórios eram comprados por familiares dos presos interessados, os quais procuravam o agente através de um contato. “Ele era procurado fora do presídio por familiares de presos, por meio de uma representante. Era a esposa de um preso, que ele alega não conhecer. Foi ela quem o procurou e disse que ela agenciava e quem eram os presos interessados em colocar celulares dentro do presídio. Essas pessoas pagavam a ela, entregavam o celular e era ela quem fazia a ponte com o Rosemberg”, relatou ela, informando que a suposta comparsa ainda não foi identificada nas investigações.

Ela disse ainda que o servidor acusado entrava no Copemcan com ‘blocos de celulares’, cobrando cerca de R$ 100 por aparelho, e os escondia em mochilas ou roupas. A polícia apurou que o ‘bloco’ apreendido ontem, com os 50 celulares, renderia uma recompensa de R$ 5 mil. Parte do dinheiro, R$ 1.900, também foi apreendida com Rosemberg, juntamente com carregadores, baterias, fones de ouvido, isqueiros e até comprimidos de Pramil, um estimulante sexual cuja venda é proibida no Brasil. “A gente percebe que a corrupção se dava não somente para o celular, mas para materiais que são de acesso proibido [aos presos]. A gente percebe isqueiros, que não são permitidos dentro do presídio por questão de segurança. Qualquer tipo de substância poderia ser inserida a partir dessa facilitação do agente”, acrescenta a delegada.

Rosemberg admitiu a polícia que facilitava a entrada dos objetos no presídio, mas negou ter entrado com qualquer arma ou droga, restringindo-se apenas aos celulares. Ele alegou que é dependente químico e fazia este esquema há alguns meses, para conseguir dinheiro e sustentar o vício em drogas. Um problema que já lhe causou problemas disciplinares: o servidor já respondeu a uma sindicância administrativa por ter se apresentado ao trabalho, no próprio Copemcan, sob efeito de drogas. Por esse episódio, ele foi afastado temporariamente do serviço e obrigado a fazer um tratamento psicológico. Após ser preso, Rosemberg afirmou que teve uma recaída.

 

Na carne – A investigação do Desipe foi acompanhada pelo secretário de Justiça, Cristiano Barreto, que pediu apoio ao Cope e orientou os diretores na ação que prendeu o agente. De acordo com ele, os celulares estavam marcados nas capas traseiras com códigos e letras que indicavam as iniciais dos presos aos quais seriam destinados os objetos. A pista, segundo ele, permitirá identificar quem são os detentos envolvidos com a entrada dos telefones, os quais poderão sofrer punições disciplinares. A ligação deste esquema com integrantes de facções criminosas instaladas em presídios também não está descartada.

Para o secretário, a ação servirá para fortalecer a imagem dos agentes penitenciários, demonstrando que eles não aceitam erros ou desvios de conduta. “Essa é uma ação em que os agentes e guardas prisionais ‘cortam na carne’, mostram que são homens e mulheres de bem, pessoas honestas, trabalhadoras, e que não aceitam esse tipo de atitude dentro da instituição. Isso mostra o comprometimento dos agentes e guardas com a sociedade no cumprimento das suas obrigações. Separa as pessoas que têm compromisso daqueles que estão à margem da lei”, ressaltou Cristiano.

O secretário explicou ainda que a Corregedoria da Sejuc instaurou um inquérito administrativo para apurar a conduta de Rosemberg, que tem 12 anos de carreira e estava no Copemcan há um ano e meio. A depender da comprovação dos fatos, ele poderá ser até demitido do serviço público estadual. Já na esfera criminal, ele foi autuado em flagrante pelos crimes de corrupção, venda de medicamentos proibidos e ingresso de objetos ilícitos em presídios, podendo ser condenado a até 15 anos de prisão. O agente está detido na carceragem do Cope, no Capucho (zona oeste), aguardando decisão da Justiça.

Em nota, o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Sergipe (Sindpen) repudiou o comportamento do agente do Copemcan. “Este é um caso isolado e que não condiz com a conduta dos demais agentes penitenciários que atuam nos presídios sergipanos. O Sindpen se coloca à disposição da Polícia Civil e dos diversos órgãos da Justiça para colaborar com o esclarecimento deste fato e também de outras irregularidades no sistema prisional de Sergipe”, diz o sindicato.