Propriá: bebê morre espancado pelo pai adolescente

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Publicada em 14/02/2017 às 00:18:00

Gabriel Damásio

 

Um crime ocorrido durante o último sábado na periferia de Propriá (Baixo São Francisco) estarreceu todo o estado. O bebê Ítalo Matheus Batista dos Santos, com apenas quatro meses de vida, morreu depois de ser violentamente agredido pelo próprio pai, um adolescente de 17 anos que, de acordo com a polícia, é usuário de drogas e já esteve internado no Centro de Atendimento ao Menor (Cenam). O menor, que, por imposição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não pode ter o seu nome divulgado, foi apreendido em flagrante às 21h40, dentro do Hospital Regional São Vicente de Paula, para onde a criança foi levada. A agressão ocorreu ao começo da noite no Bairro Alto, onde o autor do crime morava com a mãe do bebê, que tem 16 anos.

De acordo com o delegado plantonista Eurico César Nascimento, da Delegacia Regional de Propriá, o espancamento foi denunciado pelos funcionários do hospital, que ligaram para a Polícia Militar após desconfiarem das marcas deixadas no corpo do bebê. As lesões que provocaram sua morte foram constatadas pela médica plantonista. “A criança estava com marcas no rosto, no supercílio, no ouvido e no abdômen. Os policiais militares que foram ao hospital indagaram quem tinha feito as agressões. Aí, a mãe da criança falou que foi o pai, e ele confirmou que tinha agredido [o bebê]”, disse Eurico. Inicialmente, a versão dada pela mãe foi a de que o menino teria caído de uma escada.

Ao ser interrogada, a mãe adolescente contou que tinha pedido ao dinheiro ao namorado para ir comprar fraldas em uma farmácia. Por sua vez, o menor tinha chegado da feira livre, onde fazia carregamentos. “A genitora foi até a farmácia e deixou a criança com o pai. O bebê começou a chorar, o pai perdeu a paciência e começou a dar socos contra a criança. Ele a agrediu com os próprios punhos. No momento após a surra, o bebê parou de chorar. Quando a mãe da criança voltou e indagou sobre as agressões, também foi agredida com um chute na barriga e um tapa no rosto. Depois, a mãe foi dar banho na criança e dar-lhe de mamar, só que ela vomitou o leite materno, começou a passar mal e a ficar molinha”, relata Eurico, sobre o momento em que a criança foi levada ao hospital – e já chegou morta.

Por sua parte, o adolescente confessou o crime e admitiu à polícia que a agressão foi motivada pela impaciência com o choro de ítalo. Ele disse ainda que este não foi o primeiro espancamento do menor contra o bebê e a mãe dele. “Ele confessou que essa foi a quarta vez que agrediu a criança de quatro meses, e que a marca roxa encontrada no ouvido dela foi deixada em outra ocasião. Ele falou também que é viciado em maconha e cocaína, mas nesse dia disse que só usou maconha, afirmou Eurico, confirmando que o acusado é filho de pais adotivos e tinha uma boa criação familiar, mas se envolveu cedo com as drogas e já chegou a ser apreendido em flagrante no ano passado, acompanhado de um adulto que transportava 17 quilos de maconha, também na periferia de Propriá.

O adolescente foi autuado em flagrante por ato infracional de homicídio triplamente qualificado, tendo sua apreensão confirmada pelo juízo da Comarca de Propriá. Ele já está detido na Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), em Aracaju, onde deve ficar por 45 dias, aguardando julgamento. Se for condenado, ele deve ficar apenas três anos no Cenam, cumprindo medida socioeducativa prevista pelo ECA. O delegado Antônio Wellington, da Regional de Propriá, abriu inquérito para aprofundar a investigação sobre a morte de Ítalo, apurando, inclusive, se a mãe da criança teve ou não alguma responsabilidade nos maus-tratos contra a criança – e em caso positivo, ela também deve ser indiciada.