Novo hospital gera esperança para pacientes

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Publicada em 19/02/2017 às 07:45:00

Milton Alves Júnior

Em pleno mês nacional de combate ao Câncer, o Estado de Sergipe apresenta indícios de melhoria assistencial para pacientes oncológicos, em especial, para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos fatores que impulsionam os sergipanos a sonhar com serviço público qualitativo foi a assinatura, promovida pelo governador Jackson Barreto de Lima, autorizando o início das obras de construção das instalações físicas do Hospital Especializado em Câncer Governador Marcelo Déda Chagas. A ordem de serviço contabiliza R$ 129 milhões a serem investidos no projeto, terraplanagem, prédio e equipamentos. Após concluída, a unidade disponibilizará 170 leitos, sendo 120 leitos adultos, 30 infantis e mais 20 de UTI.

Apesar das expectativas positivas que estão sendo criadas, pacientes e familiares lamentam que a unidade especializada – a qual se arrasta desde 2014, apenas esteja disponível aos sergipanos a partir de fevereiro de 2020, caso dentro deste período não haja suspensões na obra ou paralisação parcial por falta de repasse financeiro às empresas Pórtico e a WVG Construções, vencedoras do processo licitatório. Enquanto o sonho de atendimento versátil não está à disposição de todos os pacientes com câncer da rede pública, grupos de apoio e defesa dos contribuintes seguem pleiteando qualificação imediata dos prédios e serviços atualmente em execução no Estado de Sergipe.

Conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde, durante todo o ano de 2016 o Centro de Oncologia do Hospital de Urgências de Sergipe ofertou 57.305 atendimentos totais, 31.395 consultas ambulatoriais, 11.230 sessões de radioterapia, 534 procedimentos cirúrgicos e 14.049 sessões de quimioterapia. Atendimentos também foram realizados no departamento de oncologia da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia, onde 90% dos prontuários são destinados para pacientes do SUS. Mesmo com o número progressivo de atendimentos e com estrutura considerada abrangente em todo o estado, relatórios apresentados pelo Ministério Público Estadual e Tribunal de Justiça mostram que o esqueleto operacional e o número de profissionais seguem abaixo do ideal para evitar filas.

Na avaliação feita por aqueles que necessitam do serviço, 2016 poderia ter sido eleito como um dos anos mais produtivos em Sergipe. Para isso seria necessário contratar mais profissionais, fornecer medicamento sem atrasos e garantir a boa manutenção e aquisição de novas máquinas oncológicas. Os sucessivos registros de paralisação nas consultas e exames, por exemplo, foram possíveis devido à real precarização maquinaria das duas maiores unidades hospitalares públicas do estado. Sem a união destes três pontos essenciais, a continuidade do tratamento fica vulnerável a promoção de complicações seguidas de óbitos. Este tema abordado pelo Jornal do Dia apresenta certa dramaticidade, mas, infelizmente, corresponde com a veracidade dos fatos.

 “A agonia só sente mesmo, a fundo, quem está com essa doença e sofre aguardando o atendimento. Os familiares e amigos sofrem, mas não se compara com o que sentimos. O que a gente percebe é que esse hospital será muito importante, mas já deveria estar funcionando ou no máximo quase pronto. Até 2020 talvez muitos de nós pacientes não estejamos mais aqui neste mundo para sermos beneficiados”, declarou a professora Fabiana Pereira, de 46 anos. Com três andares, sendo dois para adultos e um para crianças, a nova unidade de saúde contará com seis centros cirúrgicos, e área de quimioterapia, onde serão disponibilizadas 25 poltronas para os adultos e 14 para crianças.

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