Huse acolheu e tratou paciente com Malária

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Publicada em 21/02/2017 às 00:34:00

 

Nesta segunda-feira, 20, durante coletiva de imprensa, a gestão do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) esclareceu detalhes da assistência prestada ao paciente M.T.R, 52 anos, internado há uma semana com Malária. Ele chegou a Aracaju, vindo de Moçambique, na África, apresentando tontura, febre alta, calafrio e boca seca, sintomas típicos da doença. Com o uso correto de antibióticos e, principalmente, a dedicação da equipe multidisciplinar da unidade, o paciente está curado e permanece internado para acompanhamento.

“O recente exame de controle (gota espessa), específico para Malária, já deu negativo para a doença. Porém, o paciente ficou com sepse (infecção) e insuficiência renal como sequela. Para isso, ele continua na UTI e faz hemodiálise. Não temos dúvida que ele está vivo porque recebeu a devida assistência do Huse. O medicamento é exclusivo para Malária, vindo do Ministério da Saúde. A Vigilância Epidemiológica foi muito célere, o que fez a diferença no prognóstico”, garantiu a superintendente do Huse, Lycia Diniz.

De acordo com a gestora, 20% dos pacientes com Malária Falsíparo (Plasmodium falciparum) morrem. Este é o tipo mais grave da doença.

“O tratamento foi rápido, assim que deu entrada na área Azul. Em seguida, houve agravamento do caso e ele foi  encaminhado à Verde Clínica, depois para a Vermelha e, por fim, para a UTI, imediatamente após solicitação dos médicos.  Soubemos do caso pelo médico Almir Santana, que manteve contato com o Ministério da Saúde e o seguro saúde da Inglaterra, sede da empresa a qual M.T.R. prestava serviço em Moçambique. A família não nos procurou”, ressalta Lycia Diniz.

Segundo a médica infectologista, Manuela Santiago, que acompanha o caso, as reações da Malária acontecem de acordo com cada organismo. “Ele chegou conversando, recebendo hidratação venosa e medicamento específico via oral. Aos poucos, já na Verde Clínica, apresentou confusão mental e icterícia, sintomas graves da Malária. Mesmo com todo acompanhamento, quanto melhor a imunidade mais risco de agravar. Já na Vermelha, fez tomografia e não foi constatada hemorragia. Em seguida, ele começou com convulsão e precisou ser entubado”, relata Manuela.

A médica explica, ainda, que não houve a necessidade do paciente ficar em leito isolado, pois a Malária não é uma doença infecto-contagiosa, como a Tuberculose e a Meningite, por exemplo. “Não é uma doença transmitida de pessoa a pessoa. É através do mosquito Anofelino. Mantemos internado pelo tipo de Malária diagnosticada. Repetiremos os exames para o controle e manteremos o tratamento efetivo", afirma a infectologista.

A gerente do Núcleo de Endemias da Vigilância Epidemiológica Estadual, Sidney Sá, esclareceu que não há registro de casos autóctones de Malária em Sergipe. Ela explica que o Estado, segundo classificação epidemiológica do Ministério da Saúde, está fora de área endêmica para doença (região extra amazônica).

“O vetor que transmite a Malária tem o ambiente selvagem como seu habitat natural. Ele é diferente do Aedes aegypti, que se reproduz dentro das casas. Não há necessidade de pânico em relação à Malária em Sergipe. Não é uma doença contagiosa e que só contrai com a picada do vetor Anofelino. Não há contagio homem a homem”, tranquiliza Sidney Sá.