Gualberto critica tentativa de privatização de órgãos públicos no Brasil

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 23/02/2017 às 00:18:00

O deputado estadual Francisco Gualberto (PT) fez nesta quarta-feira (22) uma forte critica à tentativa de privatizações de órgãos públicos no Brasil. Durante palestra da presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB), Ivânia Pereira, na Assembleia Legislativa de Sergipe, Gualberto disse que o projeto de desmonte do estado brasileiro é perverso e a sociedade precisa ficar atenta a isso. “Se engana quem acha que se a iniciativa privada tomar conta de tudo, algo vai melhorar nesse país”, afirmou.

Segundo o deputado, está clara a tentativa de desmontar o setor público no Brasil. Como exemplo, ele lembra que nesta semana o presidente ilegítimo Michel Temer mandou para o Congresso Nacional um projeto de lei com a intenção de amenizar as dívidas dos estados. No entanto, para ter acesso aos benefícios do projeto, o estado não poderá fazer concurso público, nem conceder nenhum reajuste a servidor, terá que aumentar a cota previdenciária estadual para 14%, e privatizar água, banco ou energia. “É um projeto sólido, não se trata de uma coisa à toa. Eles querem ir comendo pelas beiradas. É um projeto do capital nacional e internacional”, disse.

O deputado se diz contrário às privatizações porque defende um Estado que tenha instrumentos que possam contribuir com o aspecto social do próprio estado. “Esse projeto de estado mínimo tem a finalidade de desmoralizar e enfraquecer a participação popular e a democracia brasileira. O capital privado é que busca dominar tudo. E o capitalismo só visa lucro”, garante Francisco Gualberto. “Se o Brasil der mais um passo para entregar setores estratégicos à iniciativa privada, como fez Temer agora com o Marco Regulatório do Petróleo, daqui a alguns anos nós seremos uma colônia piorada, considerando dois séculos atrás”.

Para Francisco Gualberto, há anos vem se buscando no Brasil uma política que entre noconceito do neoliberalismo e do domínio do grande capital privado sobre o país. “Se é para a iniciativa privada tomar conta de tudo, o setor público precisa ser expulso. Tenho consciência dessa luta do setor privado para tomar tudo o que for importante do Estado e dominar”, disse.

-


Valadares Filho critica possível privatização em Sergipe

 

O deputado federal Valadares Filho (PSB-SE) expôs ontem na tribuna da Câmara as razões pelas quais a Companhia de Saneamento de Sergipe, a Deso, não deve ser privatizada. Para o parlamentar, a privatização, caso ocorra, “será um grande equívoco que vai afetar toda a população de Sergipe”.

Valadares Filho destacou estar ocorrendo no Brasil mais uma onda de privatizações e, desta vez, são as Companhias de Água e Saneamento Básico que estão sendo colocadas à venda. Alguns estados, incluindo o Rio de Janeiro, já aprovaram a privatização de suas empresas de saneamento. “Os argumentos para privatização são o agravamento da crise econômica e o endividamento dos estados”. Entretanto, o suposto aporte de recursos para os cofres públicos com a venda da Deso será apenas a curto prazo, pois o Estado certamente terá que arcar com o fornecimento de água para as famílias hoje beneficiadas com a tarifa social.

Valadares Filho ressaltou que se trata de uma experiência já testada e que não deu certo em outros países. De acordo com estudo citado pelo relator das Nações Unidas para água e saneamento, nos últimos 15 anos houve ao menos 180 casos de reestatização do fornecimento de água e esgoto em 35 países. Isso quer dizer que cidades como Paris (França), Berlin (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Budapeste (Hungria), La Paz (Bolívia) e Maputo (Moçambique) primeiro privatizaram suas companhias de água e saneamento; e, depois de algum tempo, tiveram que voltar atrás e reestatizaram as empresas.