Médicos da PMA farão greve durante o carnaval

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Publicada em 23/02/2017 às 00:21:00

Milton Alves Júnior

A rede municipal de saúde ficará sem assistência médica durante os quatro dias de carnaval, mais a quarta-feira de cinzas. A decisão foi aprovada pelos profissionais durante assembleia realizada esta semana na sede do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed). Conforme destacado pela direção sindical, os mais de 500 profissionais atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS), por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), seguem insatisfeitos com a proposta de receber o salário referente ao mês de dezembro do ano passado através de empréstimo bancário dividido em 12 prestações. A classe avalia a proposta como uma agressão ao direito do trabalhador.

Com a manutenção do movimento grevista, todas as 43 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estarão funcionando sem a presença de médicos. Apenas as unidades Fernando Franco – no Conjunto Augusto Franco, zona Sul da capital, e o Nestor Piva, zona Norte, estarão dispondo de médicos apenas para atender aos casos considerados de urgência. Essa decisão divide opiniões em decorrência da probabilidade de ampliação no índice de busca por atendimento durante os dias de festejos carnavalescos. Diante do serviço municipal suspenso, a tendência é que o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) apresente superlotação neste período. Uma nova assembleia está marcada para a quinta-feira, 02.

“Os médicos mantiveram a sua posição de continuidade da greve contrária não apenas a postura do prefeito Edvaldo Nogueira, mas também a dos 12 vereadores que votaram a favor do salário parcelado em 12 vezes, salário este que já está atrasado há quase dois meses”, informou o Sindimed.

Ainda de acordo com o sindicato, o caso foi denunciado aos órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público e Tribunal de Contas. Diante do processo analisado em ritmo lento – como avaliam os sindicalistas -, o próprio Sindimed optou, também, por ingressar com ação judicial para garantir o direito legítimo de recebimento dos salários; o pedido até agora não foi julgado pelo Tribunal de Justiça. Caso não haja mudança neste cenário até amanhã às 18h, quando começa oficialmente o carnaval em Aracaju, a perspectiva é que 24 mil pacientes deixem de ser atendidos nos próximos seis dias.

Contraponto - Ao Jornal do Dia, a assessoria de comunicação da SMS informou que, conforme liberação do crédito, realizado na manhã de ontem, todas as categorias estariam realizando assembleias a fim de debater a possibilidade de suspender a greve unificada e retornar de imediato às atividades. A expectativa é que todos os funcionários reiniciem os serviços e minimizem os problemas causados pela paralisação. Sobre os médicos, a SMS confirmou a normalidade nos serviços emergenciais do Nestor Piva e Fernando Franco, e dificuldade dos demais postos de saúde; paralelo a essa duas unidades, médicos contratados por meio de Recibo de Pagamento a Autônomos (RPA) seguem atendendo os demais pacientes dentro do possível.