Estado recupera 12 barragens para combater próximas secas

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Publicada em 04/03/2017 às 00:00:00

Oficialmente teve início sexta-feira, 24 de fevereiro, a edição 2017 do Programa de Recuperação de Barragens do Governo de Sergipe. Inicialmente são três frentes de trabalho simultâneas: em Frei Paulo, Poço Redondo e Cedro de São João, na recuperação de barragens de médio porte e de uso comunitário. Ao todo, serão 12 destes reservatórios recuperados no estado, todos em municípios onde foi decretada situação de emergência devido ao período prolongado de seca. As aguadas, depois de limpas e ampliadas, servirão para acumular a água das próximas chuvas, reservas utilizadas tanto no uso doméstico quanto à dessedentação animal.

É uma ação conjunta entre as secretarias de Estado da Mulher, da Inclusão e Assistência Social, do Trabalho, dos Direitos Humanos e Juventude (Seidh) e da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). Respectivamente, uma pasta entra com os recursos, na ordem de R$ 1.240.341,64, via o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep) e a outra executa, através da sua vinculada, a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação Sergipe (Cohidro). Todo projeto de Engenharia e fiscalização das obras, executadas por empresa licitada, ficam a cargo da Cohidro.

No Povoado Alagadiço, em Frei Paulo, máquinas começaram a retirar todo sedimento acumulado no fundo da barragem seca, que sempre serviu à comunidade. Desse modo, a água acumulada vai durar por mais tempo, inclusive a partir do estudo do terreno, reforçando a segurança com novo sangradouro e ampliando os pontos de captação das chuvas. Esteve vistoriando o início da obra, na sexta, o vice-governador do Estado, Belivaldo Chagas Silva, acompanhado do prefeito municipal, Anderson (de Zé das Canas) Menezes, do secretário da Agricultura, Esmeraldo Leal, de toda diretoria executiva da Cohidro.

 

Localidades - Além do Alagadiço; da Comunidade Quilombola de Serra da Guia, em Poço Redondo e do Povoado Poço dos Bois, em Cedro de São João, localidades aonde as obras já começaram, na sequência receberão o benefício as barragens públicas que abastecem os assentamentos: Francisco José dos Santos, em Poço Verde; Paulo Freire, em Porto da Folha e João Pedro Teixeira (Agrovila Serra Azul), em Canindé do São Francisco. Os povoados: Queimadas, também em Poço Redondo; Aningas, em Nossa Senhora da Glória; Lagoa de Dentro, em Gararu; Montes Coelho, em Tobias Barreto; Mancinha, em Graccho Cardoso e ainda a sede do município de Nossa Senhora de Lourdes.

Paulo Sobral calcula que o novo e reformado açude do Alagadiço terá aproximadamente 55.000m³ de capacidade de acumulação de água das chuvas. “Estamos ampliando a área capaz de represar a água, tornando a barragem mais profunda e não só retirando os sedimentos trazidos pela água. Estamos escavando o solo rochoso para aumentar a área. A característica do solo também ajuda, para reforçar as barreiras contra a força da água, durante as cheias. A ideia é de ser uma benfeitoria que suporte a seca, se mantendo abastecida até as próximas chuvas que, quando vierem, não deteriorem sua estrutura”, analisa.

 

Poço Redondo - A Serra da Guia existe como território quilombola oficializado desde a sua demarcação, em 2004. Em seus 2.310 hectares de terra produzem, de forma coletiva, 200 agro-famílias e a principal atividade é a criação de gado leiteiro. José Sandro dos Santos é presidente da Associação Quilombola Manoel Rozendo da Guia. Ele conta que além dos animais, a água da barragem vai servir para o consumo das casas. “Hoje a água para esse uso vem em carro-pipa, do Rio São Francisco, faz cerca de 60 dias que essa barragem secou. Aqui, estando cheia, ela aguenta mais de 2 anos. Isso por que a gente não deixa pegar de caminhão para vender, senão vai embora logo. Só pegam se for de carroça ou carro de boi”, adverte.

Água para consumo humano, na Serra da Guia é provida pelo ‘Água Doce’. Esse programa federal é gerido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e a Cohidro coopera na manutenção dos poços e sistemas de bombeamento que servem a dessalinizadores. Para o secretário de Agricultura, Esmeraldo Leal, as barragens nesta comunidade quilombola e também no Povoado Queimadas, a ser atendido na sequência pelas máquinas, dão atenção à dessedentação dos rebanhos, principalmente o leiteiro, ramo econômico mais forte no Sertão de Sergipe.  “O que a gente percebeu é que, além do grau de satisfação que a comunidade tem com relação à água doce, tem necessidade também de ter água para consumo animal”, analisa.