Médicos insistem na greve e população fica sem atendimento

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Publicada em 05/03/2017 às 00:24:00

Milhares de aracajuanos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) seguem sofrendo em busca de atendimento hospitalar. Com os médicos em greve desde o dia 21 de janeiro deste ano, em nenhuma das 43 unidades de saúde administradas pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), é possível se deparar com a escala funcional sendo desenvolvida diariamente dentro da normalidade. Atendendo apenas aos casos considerados de urgência e emergência nas unidades Fernando Franco e Nestor Piva, zona Sul e Norte, respectivamente, os médicos seguem de braços cruzados como forma de protesto e pressão pelo parcelamento salarial referente ao mês de dezembro do ano passado.

De acordo com o Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), a divisão em 12 parcelas a contar deste mês trata-se de uma postura administrativa que promove em todas as circunstâncias a violação dos direitos dos trabalhadores. Prestes a completar um mês e meio de paralisação, os servidores alegam que a categoria já tentou por diversas oportunidades abrir um processo de negociação com o prefeito Edvaldo Nogueira, mas até o gestor seguir em viagens a negócios para o México e Estados Unidos, ocorrida na semana passada, não houve nenhuma negociação progressista junto à classe médica.

Diante da paralisação generalizada, estima-se que desde a última quinzena de janeiro cerca de 170 mil pacientes tenham deixado de ser atendidos neste período. A SMS entende que, por dia, uma média de quatro a cinco mil pessoas se dirijam aos postos de saúde em busca de atendimento médico. A falta de pagamento salarial dentro do previsto por lei já é de conhecimento do Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça, e do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe. A Corte de Contas foi provocada pelos médicos, a fim de decretar o bloqueio das contas da PMA, o que resultaria no pagamento integral dos débitos existentes.

Em comunicado oficial, os médicos informaram que "não vão recuar na defesa do direito enquanto trabalhador: receber o nosso salário. E nem tampouco aderir a imoralidade proposta pelo prefeito Edvaldo Nogueira em que o próprio trabalhador pegaria um empréstimo bancário". A categoria disse ainda que preza pelo bem estar da população. "Reiteramos nosso compromisso e ética para com os usuários do SUS, os quais vêm sofrendo por causa dessa atitude do prefeito Edvaldo Nogueira. O nosso objetivo é voltar a atender a população, mas infelizmente (ou felizmente) também somos seres humanos, com família, dívidas, angústias e sofrimentos", pontuou.

 

Contraponto - Também em carta pública a Prefeitura de Aracaju voltou a apelar, mais uma vez, ao Sindicato dos Médicos para que repense sua disposição em prosseguir com uma greve que vem impondo inúmeros prejuízos à população aracajuana, sobretudo aos usuários dos seus serviços de saúde. "A PMA continua estranhando as razões da paralisação, já que o motivo alegado para tal - o não-pagamento do salário de dezembro - deixou de existir desde a semana passada, quando a grande maioria dos servidores realizou a operação de crédito necessária para que recebessem o salário integralmente, sem nenhum prejuízo financeiro".

Esclareceu ainda que: "os números comprovam: até o momento, mais de 63% dos servidores já receberam integralmente o salário. Este índice representa 7.523 servidores. Há ainda outros 1.600 servidores aptos a aderir à linha de crédito. Somados, eles totalizam 76% dos servidores. Por dia, foram realizadas 1.504 operações.

Na Saúde, os dados também são igualmente expressivos: quase 50% dos funcionários da área já realizaram a operação de crédito, o que representa 1.849 trabalhadores. Entre os médicos, 30% deles já receberam o salário integral de dezembro através da linha especial de crédito, o que confirma a aceitação da medida". A nova assembleia dos médicos está agendada para a próxima sexta-feira, 10. Até lá os serviços de atendimento básico tendem a permanecer suspensos.