Tiroteio deixa dois mortos em bloco no Siqueira

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Publicada em 07/03/2017 às 00:13:00

Gabriel Damásio

 

Duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas em um tiroteio ocorrido por volta das 18h30 deste domingo, durante o desfile do bloco ‘Atrasadinhos’, na esquina da Avenida São Paulo com a Rua Paraíba, bairro Siqueira Campos (zona oeste). Segundo as primeiras informações, o ataque partiu de pelo menos três homens armados que passaram pela rua em um carro de cor prata. Eles dispararam dezenas de tiros na decisão de um rapaz que vendia bebidas próximo aos foliões que brincavam atrás de um mini-trio. A polícia ainda não tem pistas concretas sobre a identificação dos criminosos.

Ao todo, seis pessoas foram baleadas e socorridas ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no Capucho (zona oeste). O vendedor ambulante Michell Lisboa da Silva, 26 anos, e a adolescente Ellen Alice Meneses Santos, 14, morreram a caminho do hospital. Os corpos foram velados nas residências de suas famílias, no 18 do Forte (zona norte) e enterrados ontem à tarde no Cemitério São João Batista, conjunto Castelo Branco (zona oeste). Dos outros atingidos, dois foram liberados com ferimentos leves e outros dois permanecem em observação, sendo que o paciente em estado mais grave foi baleado no abdômen e passou por cirurgia. O estado de saúde deles é considerado estável.

O crime aconteceu quando o cortejo do ‘Atrasadinho’ já estava parado pela Avenida São Paulo. Testemunhas disseram que os atiradores chegaram ao local em alta velocidade e com armas em punho, indo em direção à barraca. Um deles teria dito: “Sai todo mundo daqui, que a bala vai comer agora”. Em seguida, os disparos começaram, assustando os participantes do bloco e os moradores da vizinhança. Muitos correram e outros entraram nas residências. Em seguida, chamaram a polícia e começaram a socorrer os feridos.

Foram enviadas ao local as equipes das polícias Civil e Militar, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Força Nacional de Segurança (FNSP). Equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ouviram depoimentos e buscaram imagens de câmeras de monitoramento próximas ao local do crime. A primeira suspeita é de que o crime teria sido causado por pessoas que estariam incomodadas com o som alto do mini-trio que puxava o bloco. No entanto, ao longo do dia, ganhou força a hipótese de que o crime teria sido motivado por uma rixa.

 

Sem polícia – No dia seguinte ao crime, moradores da vizinhança reclamaram que não havia nenhum policial presente fazendo a segurança do ‘Atrasadinhos’, que é um bloco pós-carnavalesco realizado no Siqueira há cerca de 20 anos, sempre no domingo após o Carnaval. A Polícia Militar negou um pedido de envio de policiais para guarnecer a segurança da festa, conforme ofício despachado aos organizadores em 23 de janeiro. Segundo o coronel Paulo César Paiva, chefe de relações-públicas da corporação, o evento não atendeu aos pré-requisitos de uma portaria do Comando que regula o uso da PM em eventos de rua.

“Eles não fizeram previsão de fechamento do local, para que se pudesse fazer revistas das pessoas que acorriam o evento e evitar que elas entrassem armadas. Também não havia previsão ou autorização para que a polícia escalasse o efetivo extraordinário, e nós não poderíamos desguarnecer bairros de Aracaju para fazer segurança nesse evento de cunho carnavalesco”, disse Paiva, garantindo que a negativa do pedido foi notificada ao responsável no mesmo dia, bem como ao Ministério Público Estadual. “Esse fato absurdo e triste deveria ter sido evitado, se os organizadores não tivessem realizado esse evento, já que eles sabiam que a Polícia Militar não faria a segurança no local”, acrescentou.

O organizador do “Atrasadinhos’, Renato ‘Shaulin’ Rodrigues, afirmou que a realização do bloco foi autorizada por todos os órgãos públicos responsáveis, como Sema (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) e SMTT (Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito). Ele assegura ainda que não foi notificado pela PM sobre a negativa do pedido de policiamento para a festa. “A polícia esteve aqui, mas só pra pedir a minha documentação. Eles olharam os documentos, leram toda a autorização que eu tinha e foram embora”, contestou ele.

‘Shaullin’ reafirmou que o crime de domingo não teve nada a ver com a festa, mas sim com uma rixa provocada entre os envolvidos. E justifica que a área de realização do evento não estava cercada devido à característica de o bloco ser aberto à população. “Essa festa é uma festa pública, aberta, aonde a polícia tem que ter o compromisso de ficar passando pra lá e pra cá, para mostrar [presença] e intimidar quem é malandro, entendeu? Quem somos nós pra segurar malandro numa festa aberta? Que o cara chega armado de todo jeito, se aproveita de uma situação dessa de alegria pra deixar a gente triste?”, questiona ele.

 

 

 

Fim de semana fecha com 16 assassinatos

 

 

As vítimas assassinadas no bairro Siqueira Campos, durante o bloco ‘Atrasadinhos’, fazem parte de uma estatística que assustou a população sergipana. Entre a madrugada de sábado e a manhã de ontem, 16 vítimas de homicídio foram registradas no Instituto Médico Legal (IML), sendo 13 mortes causadas por arma de fogo e três por facas e outras armas brancas. A maioria dos crimes aconteceu na Grande Aracaju, sendo seis crimes na capital, três em Nossa Senhora do Socorro e um em São Cristóvão. Já no interior, os homicídios aconteceram em Itabaiana, Lagarto, Maruim e Tobias Barreto.

Um dos casos de maior destaque foi o do taxista Adelmo Torres Rocha Júnior, 30 anos, executado às 15h30 de sábado no Conjunto Marcos Freire II, em Socorro. Ele estava dentro do táxi-lotação que dirigia e iria passar o troco ao passageiro, que estava no banco de trás e lhe deu um tiro na cabeça. O assassino, que tinha embarcado no centro de Aracaju, fugiu em um carro que esperava por ele na praça próxima ao local do crime.

Cerca de uma hora depois, um homem identificado como Flávio dos Santos, 33, morreu na Avenida Francisco Moreira, bairro Luzia (zona oeste), após ser perseguido por dois homens em uma bicicleta. Ele foi atingido com pelo menos dois tiros nas costas. Outro crime de repercussão aconteceu na Avenida Coelho e Campos, centro da cidade, por volta das 13h de sábado, quando Edjane Oliveira Silva, 49, foi assassinada por um guardador de carros que exigia dinheiro, discutiu com ela e acertou-lhe cerca de 20 facadas. A vítima morreu a caminho do hospital e o criminoso fugiu.