Médicos da PMA decidem manter greve e deixar população sem atendimento

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Publicada em 11/03/2017 às 00:56:00

Médicos da rede municipal, em Aracaju, deliberaram na manhã de ontem pela manutenção da greve que se arrasta desde o dia 21 de janeiro. Durante assembleia realizada na sede do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), os servidores ligados à Secretaria Municipal da Saúde optaram por aprovar a continuidade da greve em virtude da falta de diálogo junto ao prefeito Edvaldo Nogueira. Agora, além de lutar pelo pagamento integral do salário de dezembro, a categoria protesta contra a contratação emergencial de 88 médicos, anunciado essa semana pela SMS com a proposta de suprir o déficit gerado pelos grevistas.

No início desta semana, durante entrevista coletiva concedida pelo secretário municipal de Saúde, André Sotero, a administração da capital sergipana anunciou que a situação agravante havia alcançado o limite da cordialidade, e, por este motivo, o convite estava sendo protocolado aos profissionais. Sobre o pagamento salarial destinado aos médicos temporários, a PMA informou que será feita através de Recibo de Pagamento Autônomo (RPA). Em contraponto, a direção do Sindimed criticou a medida e denunciou o caso junto ao Conselho Regional de Medicina.

Conforme avaliação feita pelos trabalhadores, o prefeito está disposto a investir mais de 700 mil reais nesse contrato emergencial; valor que poderia ser utilizado para atender ao pleito da categoria e colaborar pela suspensão da greve. Em contrapartida, Sotero alegou que: "Teremos um custo, mas vai representar apenas 5% da folha salarial da saúde. Vamos investir R$ 704 mil na contratação destes 88 médicos porque não podemos mais permitir que a população pague um alto preço pela intransigência do sindicato". Desde o início da paralisação, mais de 190 mil procedimentos deixaram de ser realizados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na tarde de ontem, após ser comunicado da permanência da greve, a Prefeitura de Aracaju publicou nota alegando que mais da metade dos médicos que atuam em Aracaju já receberam o salário integral do mês de dezembro, porém, permanecem em greve. Até o momento, 226 médicos aderiram à operação de crédito que garante o pagamento dos vencimentos que não foram honrados pela gestão passada, comandada pelo ex-prefeito João Alves Filho. Este número representa 53% destes profissionais.

Quitação de débitos - Ainda segundo esclarecimento feito pela PMA, "os médicos, assim como todos os demais servidores da prefeitura de Aracaju, receberam, num prazo inferior a dois meses, quatro folhas salariais na gestão de Edvaldo Nogueira. No dia 10 de janeiro, receberam o 13º salário, que foi deixado pendente pela administração passada. No dia 30 de janeiro, a prefeitura pagou os vencimentos dentro do mês trabalhado, o que não ocorria há 17 meses. No dia 22 de fevereiro, os funcionários públicos puderam aderir à operação de crédito para receber o salário de dezembro, que não foi pago pelo ex-prefeito. Já no dia 24 de fevereiro, Edvaldo antecipou o pagamento dos salários do mês".

Sem entendimento, servidores e gestão seguem com o impasse e prejudicando milharesde pacientes que dependem e buscam assistência do SUS. Uma nova assembleia dos Médicos está marcada para a próxima quinta-feira, 16, véspera do aniversário de Aracaju, quando a capital sergipana completa 163 anos de fundação.