Verallia fecha fábrica em Estância e demite funcionários

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Publicada em 11/03/2017 às 00:03:00

Gabriel Damásio

 

A empresa Indústria Vidreira do Nordeste Ltda. (IVN), fabricante das vidraçarias Verallia e Saint-Gobain, encerrou as atividades de sua fábrica em Estância (Sul), provocando a demissão de todos os cerca de 170 funcionários. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Mineração (Sindimina), o fechamento foi comunicado no começo da manhã de ontem, quando os empregados do turno da manhã foram impedidos de entrar na unidade. Um encarregado comunicou a eles que a fábrica não funcionaria mais a partir dali e entregou-lhes o comunicado de aviso prévio, confirmando as demissões. Já os que estavam de folga receberam os avisos em suas casas.

Segundo o relato do presidente do Sindimina, José Luismar de Souza, a notícia caiu como uma bomba entre os funcionários, que disseram não ter recebido nenhuma explicação ou justificativa da IVN. “Isso foi uma surpresa muito grande pra nós, uma coisa inexplicável. Os trabalhadores procuraram o sindicato em busca de uma explicação, porque não foi dada nenhuma justificativa. Eles nos disseram que todos trabalharam até ontem [quinta-feira], normalmente, e não havia nenhum indício de que isso poderia acontecer”, disse ele, acrescentando que vai se reunir com os agora ex-empregados da fábrica na próxima segunda-feira.

Em nota enviada no começo da noite ao JORNAL DO DIA, a direção da IVN confirmou a “suspensão de suas operações”, sem detalhar por quanto tempo, mas admitindo que houve prejuízos financeiros nas atividades da fábrica, como conseqüências da crise econômica brasileira. “Esta decisão considera as condições adversas da economia no Brasil, especialmente na região Nordeste, onde ela opera atualmente com significativas perdas financeiras e sem liquidez”, justifica o comunicado.

Fruto de uma parceria entre a multinacional francesa Saint Gobain, dona da Verallia, e a sergipana Ipiaram Empreendimentos e Participações [ligada ao Grupo Constâncio Vieira], a unidade da IVN em Estância foi inaugurada em 4 de abril de 2016, após dois anos de construção, e era voltada para a fabricação de recipientes de vidro para alimentos e bebidas. Foram investidos R$ 270 milhões, com incentivos concedidos pelo Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI), do governo de Sergipe. Havia a expectativa de que a fábrica sergipana, com 30 mil m² de área construída e equipamentos de ponta, aumentasse a produção brasileira da Saint Gobain em até 25%.

Luismar relatou que a empresa vinha alcançando as metas de produção e tinha uma boa saída em seus produtos. “Inclusive, os funcionários daqui foram até premiados no mês passado, porque eles conseguiram bater as metas e alcançar resultados que, segundo a empresa, nem a fábrica de São Paulo conseguiu alcançar”, disse. Por outro lado, havia problemas quanto à concessão de gratificações de insalubridade e periculosidade. “A empresa também vinha sonegando alguns direitos, a exemplo da insalubridade. A fabricação de vidros é feita em fornos que alcançam a temperatura de até 1.700 graus e isso causa danos ao organismo, mas a empresa não vinha levando isso em conta”, informou o sindicalista. Algumas ações sobre o assunto chegaram a ser abertas na Justiça do Trabalho.

Uma possibilidade para o fracasso do negócio foi levantada pela Codise (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe), ao informar que os problemas na fábrica teriam sido causados pela falta de investimento dos sócios franceses da Saint Gobain, que não vinham repassando dinheiro para a compra de matéria-prima e o pagamento dos funcionários. A fábrica de Estância era a quarta da Saint Gobain no Brasil, que mantém ainda unidades de produção em São Paulo, Porto Ferreira (SP) e Campo Bom (RS).

A empresa garantiu que todas as providências serão tomadas para esclarecer a suspensão da fábrica e garantir os direitos dos empregados demitidos. “A IVN informa que empregará todo esforço possível para que as questões decorrentes da suspensão de suas atividades sejam devidamente encaminhadas a todas as partes envolvidas. A empresa enfatiza também que seu modelo de negócios sempre valoriza o compromisso e a integridade nos relacionamentos”, conclui a nota.

 

CORREÇÃO: O JORNAL DO DIA corrige uma informação publicada na reportagem “Verallia fecha fábrica em Estância e demite funcionários”, na edição deste sábado. Ao contrário do que informamos, a multinacional francesa Saint-Gobain não é dona da Verallia, empresa que era responsável pela fábrica desativada em Estância. Segundo a assessoria de imprensa da Saint-Gobain, a Verallia foi vendida em junho de 2015 aos grupos Apollo Global LLC e BPI France.