Bandidos roubam equipamentos e refeições de creche municipal

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Publicada em 14/03/2017 às 00:16:00

Mais de 160 crianças matriculadas na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Júlio Prado Vasconcelos estão sem aulas por tempo indeterminado. Situada no bairro São Conrado, em Aracaju, a unidade foi invadida na madrugada de ontem por vândalos que destruíram o patrimônio público e subtraíram equipamentos de informática e produtos alimentícios utilizados para o fornecimento de refeições para os alunos que possuem entre seis meses e cinco anos de vida. De acordo com os pais dos estudantes, esta é a segunda invasão ocorrida em menos de um ano; paralelo às situações precárias dos muros que cercam a instituição, o prédio não possui vigilantes e o sistema de alarme encontra-se desativado.

Assim como ocorreu há exatamente uma semana – quando criminosos invadiram a Escola Infantil Fernando Guedes, no bairro América, zona Norte, e roubaram pertences didáticos -, a Prefeitura de Aracaju informou que acionou o departamento de inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública a fim de identificar e punir os responsáveis pela invasão. Segundo a secretária Municipal de Educação (Semed), Cecília Leite, a administração municipal está trabalhando intensamente na qualificação estrutural das unidades, bem como debatendo ações que possam resultar em curto prazo na inviabilidade de novos casos como esses. O comando da Guarda Municipal também foi comunicado do sinistro e contribui com o andamento das investigações.

“Soubemos dessa invasão logo no início da manhã quando os profissionais da creche chegaram para trabalhar. Entendemos que o dano material causado é muito grande, mas o prejuízo causado a essas crianças e população em geral é ainda maior devido ao transtorno causado. Não toleramos esse tipo de atitude irresponsável e por este motivo já comunicamos o fato à Polícia Civil por parte de Boletim de Ocorrência”, declarou a secretária. Diante do cenário de destruição causado pelos invasores – deixando portas e janelas danificadas, a Secretaria Municipal de Educação não apresentou previsão de quando as aulas serão reiniciadas. A ocorrência também está sendo encaminhada para o Ministério Público Estadual.

De acordo com os moradores, a falta de investimento administrativo e reformas na unidade tem atraído bandidos que circulam pela região na expectativa de encontrar brechas. Nesta ocasião, os marginais utilizaram pedras e martelos para danificar os cadeados e obter acesso à parte interna da creche. “Os muros aqui são baixos e está na cara que não tem fiscalização há muito tempo. Por isso que essa não foi a primeira vez que isso aconteceu e se continuar assim não será a última. A prefeitura não faz nada e as mães ficam atordoadas pra saber onde vão deixar os filhos até que as aulas voltem”, explicou o comerciante Marílio Santos.

Reinício – Depois de uma semana de indecisões, na manhã de ontem a Semed reiniciou as aulas na Escola Infantil Fernando Guedes. Até o momento nenhuma pessoa foi presa após roubar equipamentos como: uma máquina de lavar, computadores, um aparelho de DVD, uma televisão e um botijão de gás. O reinício das atividades na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Júlio Prado Vasconcelos será anunciado pela direção pedagógica junto aos pais ou responsáveis.

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Ronda Escolar atua para coibir crimes e instruir comunidade

 

“É muito complicado se sentir acuado em seu ambiente de trabalho. Quando o ambiente de trabalho é uma escola isso se torna ainda pior. Mas, tenho percebido que a sensação de segurança tem aumentado, não só em nós, do corpo docente, mas entre os alunos também”. Esse é o relato de Elienai Goes de Faria, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Presidente Vargas, localizada no bairro Siqueira Campos, e uma das 74 escolas municipais que, desde 2014, contam com o serviço da Ronda Escolar.

A preocupação da gestora escolar foi o que também norteou a Guarda Municipal de Aracaju (GMA) a implementar a Ronda Escolar. Através de uma avaliação criteriosa das escolas municipais, a GMA traçou o perfil de atuação e iniciou os trabalhos no sentido de garantir, não somente a segurança nas instituições de ensino, mas também zelar pelo direito ao livre acesso à educação.

“A Ronda tem os horários para passar pela escola, porém, se em algum momento do dia acontecer uma situação que necessite da atenção da Guarda, basta ligarmos que somos atendidos prontamente. Isso faz muita diferença, ainda mais quando o perigo se encontra fora da escola”, contou Elienai ao revelar que já houve situações de a GMA atuar para coibir pessoas de fora da instituição que queriam jogar drogas para dentro da escola.

Para que a Guarda pudesse atuar, foi feito um estudo que levou em consideração as escolas com os maiores índices de incidentes envolvendo ações criminosas ou de cunho violento. As 74 escolas municipais foram catalogadas e divididas em cinco setores por onde o trabalho da Ronda se divide de acordo com os horários de maior movimentação nas escolas e no entorno delas.

“Contamos, hoje, com duas viaturas para fazer esse trabalho nas escolas. Por dia, visitamos uma média de 25 escolas e fazemos o registro em cada uma delas. Sempre procuramos ouvir a diretoria para que, mesmo que no momento em que estamos lá não haja nenhuma situação vulnerável, sabermos como podemos auxiliar nos horários em que não estamos e se há algo suspeito ou preocupante em outros momentos”, explicou o coordenador da Ronda Escolar, o supervisor André Luiz.

A base da Ronda Escolar fica situada no Caic da Escola Municipal Prof. José Antônio da Costa Melo, no Getúlio Vargas e, de lá, todo o trajeto é organizado para melhor atender as demandas em cada escola. “Procuramos estar nas escolas nos horários da entrada e saída de alunos, mas, não somente. Mantemos um canal aberto com a direção das escolas para, caso haja necessidade, atuarmos em qualquer outro momento”, frisou o coordenador.