Quadrilha que arrombou banco em Aracaju é presa

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Publicada em 14/03/2017 às 00:18:00

Gabriel Damásio

 

A Polícia Civil sergipana prendeu uma quadrilha que conseguiu, sem disparar qualquer tiro ou explodir nenhuma bomba, levar R$ 300 mil de uma agência do banco Santander na Avenida Francisco Porto, bairro Salgado Filho (zona sul de Aracaju), na madrugada de 29 de janeiro deste ano. O crime é atribuído a cinco catarinenses que foram presos em Recife (PE) por agentes do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope) de da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol). A chamada “Operação Caça-Fantasma”, foi deflagrada pelos policiais sergipanos nesta sexta-feira e encontrou os acusados em um apartamento alugado no bairro Boa Viagem, onde se preparavam para arrombar outra agência.

Um dos presos é Paulo Roberto Ponath, o ‘Rei dos Caixeiros’, 44 anos, apontado pela polícia como um dos que mais atuam em arrombamentos de caixas eletrônicos no Brasil. Segundo o delegado Dernival Elói Tenório, do Cope, Ponath já foi preso pelo mesmo crime nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Maranhão, Piauí, Paraíba e Pernambuco, onde, em 2009, foi acusado de furtar R$ 2 milhões em quatro agências do Banco do Brasil no Recife. “Ele é um indivíduo nacionalmente conhecido e já vem sendo preso desde a década de 1990, pela prática desses crimes. O crime que eles cometem é o de furto qualificado, que não envolve violência. Então, eles costumam adquirir a liberdade muito precocemente, por força da legislação”, explica o delegado.

Junto com Paulo Ponath, que é o líder do grupo, foram presos Antônio Ricardo Linhares Pinto, o “Papa”, 41; Fabiano Bastos, o “Gordo”, 45; Jean Carlos Borges, o “Seco”, 38; e Rodrigo Della Giustina, 33. Todos são da cidade de Joinville (SC) e também processados por arrombamentos e tentativas de assalto em bancos de outros estados. Com os acusados, os policiais do Cope apreenderam dois carros de passeio, um furgão com emblemas de uma empresa de TV a cabo, uniformes de empresas e materiais usados nas invasões, como fechaduras de portas, rádios amadores, serras, parafusadeira, brocas e até furadeiras eletromagnéticas, usadas em indústrias e raramente encontradas no mercado.

A técnica usada para os furtos das agências é tida como muito sofisticada, planejada para conseguir o dinheiro de cofres e caixas eletrônicos sem deixar nenhum tipo de rastro. “Tivemos muito trabalho, pela falta de meios convencionais de prova. Não tínhamos [impressões] digitais, nem imagens, nem testemunhas, o crime era praticado em horários sem movimento na agência, no final de semana... até os próprios bancos têm dificuldade em detectar que horas acontece o crime, só ficam sabendo no outro dia. Eles furtam o DVR (sistema de gravação de vídeos de segurança) com as imagens, desativam o sistema e utilizavam como fachada as roupas de empresas de manutenção, como se estivessem dando manutenção na agência”, relata Dernival.

De posse desses equipamentos, eles desligavam o sistema de alarmes, entravam nas agências e abriam os caixas eletrônicos, retirando todo o dinheiro das gavetas. No caso do Santander de Aracaju, os catarinenses perfuraram os quatro equipamentos e ainda o cofre principal da agência, levando um total de R$ 300 mil em dinheiro vivo. As investigações começaram a avançar a partir de imagens de câmeras de segurança do entorno do banco e outras informações obtidas pelo Dipol. Descobriu-se também que, ao passarem por Aracaju, os cinco acusados ficaram hospedados em três hotéis diferentes no Centro, na Coroa do Meio e na Orla da Atalaia.

Segundo o delegado, Ponath e os parceiros confessaram o arrombamento em Aracaju e outros três crimes semelhantes ocorridos em dias próximos, em agências do Santander e da Caixa Econômica Federal nas cidades de Recife, Maceió (AL) e Natal (RN), onde vigilantes frustraram uma tentativa da quadrilha de arrombar uma agência instalada no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O grupo ainda é acusado de usar documentos falsos em suas viagens pelo país, usando outras táticas para não despertar qualquer suspeita.

“Vamos analisar também a ocultação de bens, a lavagem de dinheiro, já que eles adquiriam bens e têm atividade lícita para lavar o dinheiro. Possuem lojas de carro e de autopeças, todas na cidade de Joinville. Pelas prisões anteriores, observamos que sempre tem uma logística, um aparato por trás desses cinco que vêm ao Nordeste e praticam efetivamente os furtos”, afirmou Tenório, sem descartar o envolvimento de outras pessoas com a quadrilha. Os catarinenses ficarão presos em Sergipe e responderão a processo na 9ª Vara Criminal de Aracaju, mas as polícias de todos os estados citados serão chamadas para colaborar com a investigação da “Caça-Fantasma”.