Manifestação contra a reforma da Previdência reúne multidão

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Milhares de pessoas participaram da manifestação contra a reforma da previdência em Aracaju Divulgação
Milhares de pessoas participaram da manifestação contra a reforma da previdência em Aracaju Divulgação

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Publicada em 16/03/2017 às 00:35:00

Professores, funcionários e acadêmicos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) bloquearam na manhã de ontem todos os acessos à instituição como forma de protesto contra a PEC 287 que pretende, por exemplo, acabar com a aposentadoria especial do magistério tanto para os novos concursados como para quem tem menos de 45 anos, no caso de professoras, e menos de 50 anos, no caso de professores. A adesão da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (Adufs), e do Sindicato dos Técnicos-administrativos da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs), junto à mobilização nacional, resultou na suspensão das atividades acadêmicas para aproximadamente 20 mil estudantes. Cerca de 1.500 professores cruzaram os braços e protestaram contra o presidente Michel Temer.

Disposto a mobilizar os trabalhadores e combater o ‘pacote de maldades’ imposto pelo Governo Federal, Airton de Paula, presidente da Adufs, avalia o momento como essencial para o fortalecimento da democracia brasileira e integração entre as centrais sindicais e associações que atuam em defesa dos interesses, direitos e deveres do cidadão trabalhador. Ainda de acordo com o militante, a participação ativa de estudantes da UFS e do Instituto Federal de Sergipe (IFS) vai contribuir para que a pressão sofrida pelos parlamentares sergipanos com atuação em Brasília resulte em efeito favorável ao desejo dos trabalhadores brasileiros que não compartilham das medidas apresentadas pelo executivo federal junto ao Congresso Nacional.

“Estamos todos unidos na expectativa que os parlamentares de Sergipe tenham o mínimo de dignidade para se posicionar contrários ao projeto, e estejam dispostos a discutir com a população quando forem convocados. Independente de qual bloco ele esteja situado, na situação ou oposição, nós queremos que eles cumpram o que prometeram na campanha eleitoral e defendam os nossos interesses. O sergipano exige que os representantes votem contra a PEC 287, digam não a esta Proposta de Emenda Constitucional que fere a honra dos trabalhadores”, avaliou. A mobilização dos profissionais e acadêmicos da UFS segue por tempo indeterminado, ou até o momento em que os deputados federais anunciem a reprovação da Reforma Previdenciária.

Mobilização no Centro - Já no período da tarde, na Praça General Valadão, centro de Aracaju, milhares de pessoas se reuniram para intensificar o protesto nacional que é coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e recebe o apoio local de todos os sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). O ato serviu, por exemplo, para oficializar a greve geral deflagrada pelos professores da rede estadual de ensino. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sintese), esse foi o primeiro passo para tentar barrar a PEC e garantir os direitos dos brasileiros.

Ao contrário do que ocorreu em outros estados brasileiros, em Sergipe a paralisação dos serviços públicos ficou basicamente restrita à educação estatal. Para o professor ElieltonGonçalves, a suspensão das atividades deve ocorrer de forma fragmentada, e de acordo com o andamento dos trâmites em Brasília. "Apesar de não suspender os serviços, nessa caminhada muitos profissionais de várias áreas como jornalistas, bancários e da área da saúde se somaram ao pleito e reforçaram a ação. Tenho certeza que a intensificação aqui vai acontecer gradativamente. Greve geral deve ocorrer caso os deputados e senadores votem a favor desse projeto rejeitado pela grande maioria", declarou.

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), oriundos de vários assentamentos em Sergipe também participaram do ato. Conforme destacado pela direção da CUT/SE, a mobilização traduziu o desejo dos brasileiros; a central garante que nenhum contribuinte aceitará a terceirização da atividade fim que, além de rebaixar salários e piorar as condições de trabalho, dificultará a representação dos trabalhadores pelos sindicatos. "Repudiamos, da mesma forma, a criação de uma falsa representação dos trabalhadores no local do trabalho, comandada pelos patrões e sem qualquer influência do sindicato, para negociar direitos, trocando direitos consagrados em lei por acordos espúrios", comunicou.

Agentes da Polícia Militar, Força Nacional, Guarda Municipal de Aracaju e Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) acompanharam a mobilização. Não houve registro de depredação do patrimônio público ou demais desordens públicas consideradas graves. Segundo os coordenadores do ato, cerca de 15 mil pessoas compareceram ao evento.