Empresários querem reajuste da tarifa de ônibus para R$ 3,97

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Publicada em 16/03/2017 às 00:37:00

Membros do Movimento Não Pago se mobilizaram na manhã de ontem em frente à sede da Câmara Municipal de Aracaju para protestar contra o pedido de reajuste na tarifa do transporte coletivo, protocolado esta semana pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp). O grupo empresarial entende que é preciso aferir a tarifa todo ano, e, diante de inflações sentidas nos preços dos pneus e combustíveis, por exemplo, o valor ideal da passagem deve ser de R$ 3,97. Atualmente a tarifa do transporte público cobrado na Região Metropolitana é de R$ 3,10; caso o projeto seja aprovado pelos vereadores, e posteriormente sancionada pelo prefeito Edvaldo Nogueira, os passageiros sentiria um reajuste real de R$ 0,87.

Segundo análise social apresentada pelos manifestantes, é necessário que os órgãos de fiscalização e justiça investiguem todos os preços incluídos na tabela apresentada pelo Setransp. Em meados de 2013, durante uma série de mobilizações contrárias ao reajuste, contadores do Não Pago alegaram que a planilha empresarial disponibilizava valores superfaturados com a perspectiva de conquistar maiores lucros para as empresas de ônibus. Antes mesmo de ser votado pelos 24 vereadores, os usuários do transporte coletivo exigem que a CMA debata o assunto em plenário aberto e em audiências públicas no Ministério Público Estadual (MPE). A proposta é permanecer pressionando os vereadores até que as reivindicações sejam devidamente atendidas.

De acordo com Demétrio Varjão, integrante do movimento, a forma administrativa adotada por gestores do Setransp, bem como pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), contribui para que os aracajuanos engrossem o coro popular em defesa da criação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) para analisar esse cálculo tarifário. Durante o ato público a coordenação do Não Pago conquistou informalmente o apoio de vereadores que se mostram contrários ao novo aumento pleiteado. Varjão garante que os usuários do serviço não são contrários à inflação na tarifa, desde que a qualidade do serviço seja ampliada e o valor seja justo para todos.

“Em nenhum momento desde que começamos a combater as propostas de reajuste fomos contrários ao diálogo com quem quer que seja. Sabemos que o progresso do serviço resulta no aumento, mas não é isso o que ocorre em Aracaju. O serviço continua de baixa qualidade e a tarifa só aumenta. Antes de qualquer inicio de diálogo público é preciso investigar cada suspeita de fraude existente no cálculo tarifário apresentado pelos empresários”, disse. Ao contrario dos demais atos públicos, desta vez o Movimento Não Pago não informou qual seria o valor ideal a ser cobrado por cada trecho percorrido. A Câmara de Aracaju não informou se pretende atender ao pedido dos manifestantes e promover tribunas livres.