O SINTESE, A DEPUTADA E O POVO SEM ESCOLA

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Publicada em 17/03/2017 às 00:20:00

São democraticamente saudáveis todas as manifestações, sejam contra ou a favor de atos do governo, mais autênticas ainda, se forem contra, tanto aos atos, como em relação ao próprio governo, ao cidadão ou cidadãos que o representam. Na última quarta-feira, dia 15, houve manifestações por todo o País. Eram todas contrárias à forma como está sendo anunciada a reforma da Previdência e também externando repúdio ao governo Temer. Exatamente o que começou a ocorrer, faz dois anos, nas ruas, quando multidões imensas exigiam o impeachment da agora ex-presidente Dilma. Aquelas foram manifestações bem maiores e, tanto a presidente, como o PT erraram, redondamente, quando minimizaram o que estava acontecendo, desqualificaram os manifestantes e até os apelidaram de “coxinhas”. Seriam, no entender um tanto arrogante da companheirada, burguesinhas ou burguesinhos incomodados com a ascensão social do proletariado.

Essa visão era demasiado estreita para alcançar a dimensão dos fatores psicossociais que emergiam a partir do aprofundamento da crise econômica e da indignação, cada vez mais ampliada, na medida em que eram revelados novos episódios da roubalheira, que, aliás, não era sintoma a ser encontrado em um só partido, mas, como se revela agora, uma epidemia espalhada por todos os estamentos do Poder.

O fato é que os “coxinhas” nas ruas foram determinantes para o impeachment, palavra anglo-saxã, docemente acolhida pelo vice Michel Temer, que a incorporou, ansiosamente, como alvo fixo das suas consultas, muito além do acervo que formou ao longo da sua carreira de jurista e professor-doutor em Direito Constitucional.

Em Sergipe, como não poderia deixar de ser, houve manifestações na mesma linha daquelas registradas nos quatro cantos do Brasil. Dessa vez com a companheirada e muita gente mais a elas se juntando, inclusive desencantados “coxinhas”, trocando o Armani pelo macacão.

Por aqui o SINTESE, aquele sindicato que, segundo afirma vaidosa e irônica a deputada Ana Lúcia, já fez o enterro simbólico de todos os governadores e seus Secretários da Educação, mas Jackson e Jorge Carvalho ainda nem foram “enterrados”. Por conveniência política, ou remorso, a deputada fez a ressalva de que o “enterro” de Déda ocorreu quando ele ainda não estava doente. Nisso, a parlamentar e líder sindical tão afeita a esse ofício soturno de coveira virtual, errou, equivocou-se, mentiu. Há um farto material comprovando, se não bastasse a memória coletiva, que a aziaga procissão de penitentes da morte, aconteceu enquanto Déda entrava na reta final da sua agonia, mas conseguiu ver, no seu celular, as imagens do seu “sepultamento” que foram postadas nas redes sociais.Pode-se imaginar o efeito que tiveram aquelas imagens, onde Ana Lúcia destaca-se ao lado do “caixão”, na mente e no corpo de um paciente terminal, que levava com ele a crença profunda na dignidade humana, na solidariedade entre as pessoas, numa sociedade justa e fraterna, exatamente os sonhos que foram a motivação maior da sua militância política.

A piedade, a solidariedade humana, a atenção aos feridos, aos doentes, o cuidado com os seus companheiros da tribo e até com os animais eram características dos primitivos habitantes dessa terra, mesmo que fizessem banquetes antropofágicos, como relata o artilheiro alemão Hans Staden, que por aqui esteve ainda nos primórdios do partejar da nação.

Aquele ritual fúnebre de desdém pela vida, tão a gosto do SINTESE e da sua líder, parece revelar a incorrigível prática dos banquetes antropofágicos, onde devoram até as esperanças da sociedade. Uma dessas acalentadas esperanças, era a de que as greves repetidas e tão irresponsavelmente conduzidas, já fossem uma prática sensatamente arquivada. Os pais de família, os alunos da rede pública alimentavam essa esperança agora desfeita, porque o SINTESE e sua líder deputada estão anunciando para bem depois da manifestação de quarta-feira dia 15, uma greve de protesto por tempo indeterminado, que por sinal começou logo, na quinta-feira. Isso acontece exatamente quando se faz um grande esforço para colocar em operação este ano 26 escolas da rede pública funcionando em tempo integral, quando se inauguram cinco grandes escolas modernas, equipadas, como no caso de uma em Nossa Senhora das Dores, para a difusão da tecnologia de alimentos. 

Quando mais são necessárias as presenças dos professores, quando mais se precisa da Escola para superar a vergonha do analfabetismo funcional, o SINTESE sai de uma manifestação política justificável para anunciar uma injustificável greve sem fim, afrontando as famílias, agredindo os mais pobres, que não podem pagar o que cobram as escolas particulares. Talvez para o “avanço social” do SINTESE e da Deputada, uma multidão de estudantes frustrados, de pais de família indignados, seja a massa de manobra que desejam para se manter catando votos, dos ainda, por desinformação ou ingenuidade, seduzidos por um discurso rançoso que a esquerda sobrevivente e ainda ganhando força em todo o mundo, já sepultou, como anacrônico e fora do contexto.

 

 

O SENADOR VALADARES ESCLARECE

 

Num atencioso zap o senador Antônio Carlos Valadares faz um esclarecimento sobre a nota que semana passada aqui publicamos e diz: “Alguém lhe deu uma informação equivocada de que eu teria me referido ao prefeito Edvaldo Nogueira chamando-o de Edvaldo Nojeira numa entrevista na Fan – FM. Não tem o menor fundamento essa informação. Para comprovar, estou-lhe passando uma postagem que passei para o radialista George Magalhães e sua resposta”.

 

NOTA DO ESCREVINHADOR: Nem precisaria o senador buscar comprovações, para que fosse aqui publicada a correção sobre o equívoco. Bastaria a própria palavra de Antônio Carlos Valadares, ou a de George Magalhães, e o escrevinhador aqui logo desfaria o equívoco. O que disse efetivamente na citada entrevista, o senador Valadares, foi que as políticas de Jackson Barreto e Edvaldo Nogueira eram nojentas. Usou, como ultimamente tem feito, abundantemente de adjetivos, todavia, sem substantivá-los.