Frigoríficos de Sergipe serão fiscalizados por órgãos federais

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Publicada em 21/03/2017 às 00:43:00

Comerciantes de carne bovina, calabresa, salsicha e frango no estado de Sergipe estão aguardando o início das vistorias regionais ligadas à Operação Carne Fraca, deflagrada na última quinta-feira, 16, em todo o Brasil. Segundo perspectiva do Governo Federal, por intermédio do Ministério da Agricultura, é necessário que haja uma intensa vistoria em todos os frigoríficos do país, independente da região. A meta é punir os responsáveis pela desqualificação destes produtos e evitar que novos países suspendam a importação do produto que gera milhões de lucros para a economia brasileira. Em Sergipe a vistoria conta com o apoio do Ministério Público Estadual, vigilâncias sanitárias e da Secretaria de Estado da Agricultura.

Paralelo ao trabalho de colaboração junto às investigações encabeçadas pela Polícia Federal, a operação estadual tem como propósito analisar a qualidade da carne consumida pelos sergipanos, as quais são distribuídas todas as semanas por matadouros e granjas locais. Este tipo de monitoramento ocorre há pelo menos oito anos em Sergipe sob a inspeção da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Endagro). Agora, a meta é unificar as parcerias e promover um pente fino em todos os estabelecimentos comerciais que revendem o produto.

Ao Jornal do Dia o empresário Gilmar Alves, distribuidor de carne, peixe e frango em Aracaju e mais 18 municípios, disse que a suspeita da qualidade do alimento levado à mesa do consumidor estava sendo questionada desde o ano de 2014 quando populares começaram a compartilhar nas redes sociais imagens de irregularidades encontradas em produtos ainda lacrados. Desde erros no processo de embalagem até produtos visivelmente fora da validade contribuíram para que centenas de consumidores deixassem de adquirir os produtos nos supermercados e lojas de conveniências, e migrassem de volta para os açougues cadastrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Já imaginávamos que mais cedo ou mais tarde a casa iria cair para aqueles que tentam burlar a fiscalização nacional e enganar o cidadão consumidor. Não acho apenas que os órgãos locais devem ampliar a fiscalização em todos os pontos de venda, creio que existe a necessidade de todos os empresários, estoquistas e vendedores colaborar com a ação e denunciar os erros. Somente assim poderemos quebrar o estereótipo que produtos em supermercados são de melhor qualidade do que os de açougue e feiras livres. O consumidor precisa de alimentos com qualidade, independentemente de onde ele compre", avaliou.

Amostras - Diante da repercussão internacional do caso, Antônio Pádua, coordenador da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde (SES), informou na tarde de ontem ao JD que o Governo de Sergipe está intensificando as fiscalizações rotineiras, e já buscou o Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen), para saber quantos quilos de carne apreendidos podem ser encaminhados para análise. De acordo com o coordenador, a direção nacional da Anvisa está sendo pressionada pelos estados para que apresente linhas de monitoramento, as quais tendem a colaborar com as investigações da Operação Carne Fraca.

"Todas as atividades de rotina seguem sendo realizadas dentro da programação, estamos apenas aguardando que a Anvisa possa nos apresentar uma linha de fiscalização. Precisamos agir de forma unilateral e simultaneamente a favor da qualidade do produto que é adquirido pelo brasileiro. Acredito que até à tarde desta terça-feira o Lacen já tenhamos apresentado a capacidade para que possamos encaminhar os materiais a serem coletados nesta etapa do processo", informou Pádua.