Rebelião da bancada federal

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Publicada em 23/03/2017 às 00:37:00

Cresce a insatisfação dos velhos aliados do governador Jackson Barreto (PMDB) pela certeza de que o recém aliado, o deputado federal Laércio Oliveira (SD), tem uma vaga garantida para o Senado em 2018, na chapa majoritária. Assim como pelos espaços que o parlamentar vem ocupando no governo.

Como a coluna já informou, no sábado passado as lideranças do PT, PSD e PRB se reuniram e decidiram fechar acordo de unidade para as eleições de 2018. Esses três partidos querem uma vaga na chapa majoritária governista.

Agora é a bancada federal de Sergipe aliada do governo que está se rebelando com o tratamento dispensado por JB a Laércio e aos velhos aliados. Já a um entendimento de que o deputado deve ser substituído da condição de coordenador da bancada, eleito recentemente pela maioria, e escolhido um outro que represente o consenso.

Quando da mudança da coordenação da bancada no começo do ano foi criado um grande embate político com o senador Antônio Carlos Valadares (PSB), que até hoje não aceita a substituição democrática de coordenador da bancada federal pela maioria dos 11 parlamentares de Sergipe.

Agora será criado um outro embate, pelo interesse dos velhos aliados do governador em querer substituir Laércio Oliveira da coordenação da bancada. Está marcada uma reunião da bancada governista, já na próxima quarta-feira, para escolher outro nome de consenso.  

O descontentamento, que já vinha dos deputados federais Fábio Mitidieri (SD) e Jony Marcos (PRB), chegou agora ao deputado Fábio Reis (PMDB).

A insatisfação do PT, do presidente regional Rogério Carvalho e do deputado federal João Daniel, tem a ver com a certeza de que o partido estará de fora da chapa majoritária governista. Rogério praticamente é o nome de consenso dos petistas para concorrer a uma vaga no Senado em 2018, mas deve ficar de fora com a chegada de Laércio no agrupamento.

Já Fábio Mitidieri, como já se sabe, anda insatisfeito pelo PSD ter deixado o comando da Secretaria de Justiça e ficado com a Secretaria de Esporte, cujo secretário Antônio Hora não tem nem cadeira para sentar, uma vez que a sede da secretaria continua ocupada pela Secretaria de Turismo. E com os espaços ocupados por Laércio no governo.

A insatisfação de Jony Marcos tem a ver com o fato do PRB também ter perdido espaço no governo. Perdeu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciências e Tecnologia (Sedetec) para Laércio Oliveira, e ainda corre o risco de perder o Fapitec e ITPS, que são vinculados a Sedetec. O ex-prefeito Heleno Silva (PRB) também reclama do aceno de JB para seus adversários no sertão.

Fábio Reis se soma agora aos descontentes com o tratamento dispensado pelo secretário Almeida Lima (Saúde) aos seus familiares e ao presidente da Fundação Hospitalar de Sergipe, Rosman Pereira. Para os Reis, eles são aliados de sempre de JB, enquanto Almeida era seu adversário político por muitos anos.

Trocando em miúdos, está crescendo a quantidade de velhos aliados descontentes com o tratamento dispensado pelo governador, que trata os novos aliados que chegaram agora de forma diferenciada.

Mais uma dor de cabeça para o governador!

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Inferno astral 1

Informações chegadas à coluna dão conta que foi bastante indigesto o jantar do governador Jackson Barreto (PMDB), na última segunda-feira, com lideranças do PT. E que, inclusive, o presidente estadual do PT, ex-deputado federal Rogério Carvalho, não aceitou a indicação do ex-superintendente da Petrobras em Sergipe, Eugênio Dezen, para a Codise. Dezen é vinculado ao partido.

 

Inferno astral 2

Também chegou a coluna a informação de que o ex-deputado federal Bosco Costa (Pros) não deve aceitar a Segrase. O governador tinha oferecido a Codise a Bosco, que tinha aceitado.

 

Inferno astral 3

A coluna também recebeu a informação de que o deputado Fábio Mitidieri estava contrariado com o fato de o governo ter designado um repasse mensal de apenas R$ 150 mil para a Secretaria de Estado de Esporte, para a compra de material esportivo.

 

Na ordem do dia

Nos quatro cantos de Aracaju o assunto mais comentado é a questão do lixo, que resultou em pedido de instalação de CPI do Lixo, na Câmara Municipal de Aracaju, e na Operação Babel, da Polícia Civil, que apreendeu documentos na Emsurb e na Torre. Mais um problema para a gestão do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB).

 

Defesa própria 1

Ontem, no programa de George Magalhães, o diretor-presidente da Emsurb, Mendonça Prado, disse que estava tranquilo com as investigações e fez queixa contra algumas atitudes da polícia. “A delegada Daniele Garcia agiu de forma ilegal e desrespeitosa dizendo que ia prender um de nossos diretores se celebrasse algum contrato. Tivemos um final de semana violento e para buscar papéis vieram 10 delegados e vários policiais quando até mesmo o motoboy da SSP poderia pegá-los. Eu queria que todos estivessem na minha posição com a consciência tranquila e respaldado pela lei”, afirmou.

 

Defesa própria 2

Declarou ainda Mendonça: “Não podemos ser coagidos porque a autoridade policial não quer essa ou aquela empresa. A Cavo está envolvida em um dos maiores escândalos da história do Brasil, a Lava Jata, e ainda sim o promotor Henrique Cardoso pediu à Justiça que o contrato emergencial fosse estendido. Não vou me submeter a abuso de autoridade nenhum e vou processar os dois”, disse, se referindo a Henrique Cardoso e a delegada Daniele Garcia.

 

A pressão continua

Na Câmara Municipal de Aracaju os vereadores de oposição voltaram a pressionar o presidente Nitinho (PSD) para instalar a CPI do Lixo, cujo requerimento com as assinaturas necessárias para sua instalação foi dado entrada na Casa há cerca de 15 dias. Nitinho prometeu instalar a CPI na próxima semana.  


CPI da Previdência 1

A CPI da Previdência foi criada no Senado com assinaturas válidas de 61 parlamentares, com novas adesões até a meia-noite da quarta-feira. Os três senadores de Sergipe assinaram a CPI: Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSC) e Maria do Carmo Alves (DEM).

 

CPI da Previdência 2

Para a instalação da comissão e o início dos trabalhos, os líderes partidários devem indicar os parlamentares que vão integrá-la. Serão sete titulares e cinco suplentes. O prazo para a conclusão dos trabalhos é de 120 dias, prorrogável por mais 60 dias, caso haja aprovação no plenário do Senado. Ao final, a comissão envia à mesa, para conhecimento do plenário, relatório e conclusões.

 

Ponto de vista

Do senador Valadares (PSB) sobre a possibilidade de votação ao mesmo tempo o Fim do Foro Privilegiado e Abuso de Autoridade no Senado: “Votar a um só tempo Fim do Foro Privilegiado (consenso) e Abuso de Autoridade (polêmico) é o mesmo que se agarrar à última pra não aprovar a primeira. O ideal é que ambas as propostas sejam discutidas sem qualquer dependência de uma em relação a outra. Primeiro vamos ao fim do foro privilegiado.

 

O quadro da seca 1

Em 2017, em todo o Brasil, já são 872 as cidades com reconhecimento federal de situação de emergência causada por um longo período de estiagem. A região mais afetada é a do Nordeste e o estado da Paraíba é o que concentra maior número de municípios, com 198 que comunicaram o problema à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

 

O quadro da seca 2

Os municípios em estado de emergência no Nordeste: Paraíba (198), Rio Grande do Norte (154), Ceará (140), Bahia (94), Alagoas (75), Pernambuco (71), Piauí (45), Sergipe (29) e Maranhão (8).

 

Veja essa...

Do vereador pastor Alves (PRB) ontem na tribuna da Câmara Municipal chateado com o presidente Nitinho (PSD) por ter interferido junto às lideranças do PRB (Jony Marcos e Heleno Silva) para que os controlassem na Casa após discurso criticando o tratamento de secretários municipais aos vereadores aliados: “Sou aliado do prefeito Edvaldo Nogueira, trabalhei para elegê-lo e trabalhei para que vossa excelência se tornasse presidente da Câmara. Não sou bajulador e detesto bajulador. Não admito estar mandando recadinhos por telefone para meus irmãos evangélicos para me controlar aqui na Câmara. Não admito esse tipo de postura de quem quer que seja. Que isso não se repita mais. Aqui tem vereador que não chega ao chulé da prostituta Raabe (prostituta bíblica). Não vou me estender, porque o tempo é curto. Vou retornar e contar a história da Raab”.

 

CURTAS

O secretário Jorge Carvalho (Educação) recebeu na manhã de ontem o presidente da Juventude do PMDB, Juraci Nunes, além de integrantes do partido. A visita de cortesia teve como finalidade discutir as temáticas relacionadas à melhoria do ensino no estado. 

 

 

Na oportunidade, Jorge Carvalho ressaltou o compromisso do Governo do Estado em oferecer uma educação de qualidade e quais as ações e projetos da secretaria que buscam a melhoria dos indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

 

O senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) votou pela aprovação do projeto que concede aos portadores da Síndrome de Talidomida um reajuste na pensão especial dos atuais R$ 359,00 para R$ 1.000,00. O aumento foi aprovado pela Comissão de Direitos Humano. Segundo o senador, a doença provoca deficiências físicas, visuais e auditivas. A proposta vai à Câmara.

 

O deputado estadual Gustinho Ribeiro (PRP) é contra o voto em lista fechada, que tem sido pauta de discussão em Brasília. “Sou totalmente contrário à lista fechada porque é uma afronta à democracia, inibe o surgimento de lideranças políticas e faz com que os caciques, donos de partidos, coloquem quem eles queiram como primeiro, como segundo ou como terceiro na lista. Isso é retrocesso”, afirmou.

 

Em um vídeo ontem nas redes sociais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a lista fechada. “É uma lei que tem por objetivo evitar que a Lava Jato  vá adiante. O povo vai votar em partidos? Quais? O povo nem sabe o nome dos partidos.  Não dá para aprovar nada que tenha cheiro de impunidade”, disparou.

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Os deputados federais Fábio Mitidieri (PSD), Fábio Reis (PMDB) e Jony Marcos (PRB) almoçaram ontem em Brasília. No cardápio, a substituição do novo coordenador da bancada federal Laércio Oliveira (SD) e as eleições de 2018.

Mitidieri se referiu ao encontro como “mais uma reunião de amigos”. Disse que esteve na pauta “muita política, proposta para o imbróglio da coordenação da bancada e 2018”.