Seca permanece causando prejuízos em Sergipe

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A Cohidro está recuperando barragens para o período das chuvas. Foto: Divulgação
A Cohidro está recuperando barragens para o período das chuvas. Foto: Divulgação

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Publicada em 26/03/2017 às 00:10:00

Sertanejos que sofrem há mais de cinco anos com a seca em várias regiões de Sergipe encontraram nas recentes pancadas de chuva a esperança de minimizar os efeitos do sol predominante. Para milhares de famílias que padecem com a estiagem, a expectativa agora é que este seja apenas o início de um período propício para reestabelecer a ordem nas áreas mais distantes do litoral. Nos últimos cinco dias, Aracaju, cidades da região metropolitana e do alto sertão registraram chuvas contínuas, as quais podem permanecer em áreas isoladas até o próximo sábado, 01, conforme estudos do Instituto Nacional de Meteorologia.

Para se ter noção das dificuldades enfrentadas pelo sergipano, dos 75 municípios, 30 já decretaram estado de emergência. Esses números representam 40% das cidades em risco, colocando Sergipe na 8ª colocação do ranking de estados brasileiros que sofrem com a seca. Em meio às perdas já contabilizadas nos últimos dois anos em Sergipe, é possível citar a safra de feijão que esperava produzir uma média de 11 mil toneladas; três a mais se comparado a 2015 e início de 2016, mas não foi alcançada. Dano em escala ainda maior tem sido vivenciado por produtores de milho. A seca rendeu aos sergipanos uma perda de 80% da safra. A maior perda já calculada na história de Sergipe.

De acordo com a direção da Defesa Civil do Estado de Sergipe, municípios como Poço Redondo, por exemplo, possuem cerca de 70% da população morando na zona rural onde boa parte dessas localidades não possui sistema de abastecimento por meio de canos. A água só chega ou pelas chuvas, ou em carros-pipa que são fornecidos pelos governos Federal e Estadual. Atualmente a Operação Carro-Pipa dispõe de44 caminhões e atende a aproximadamente 160 mil pessoas, em Sergipe. Esse aparato assistencial custa aos cofres públicos um investimento mensal de R$ 420 mil. Segundo o coordenador da Defesa Civil do Estado de Sergipe, Erivaldo Mendes, a situação em geral é preocupante.

"Nós temos intensificado nossas atuações porque percebemos que com o passar dos meses a situação dessas famílias só agrava, e infelizmente a chuva que cai ainda não é suficiente para cessar esse período longo de seca, como também não tem caído em várias áreas que estão em estado de emergência. Estamos diante de um problema que está muito mais acentuado do que já havíamos deparado antes", avaliou. A situação apresentada pelos órgãos sergipanos já foram apresentados ao Governo Federal, que, esta semana, oficializou o decreto de emergência para 30 municípios locais.

Os municípios em situação de emergência são: Cedro de São João, Canhoba, Graccho Cardoso, Propriá, Telha, Porto da Folha, Simão Dias, Poço Verde, Moita Bonita, São Miguel do Aleixo, Nossa Senhora de Lourdes, Poço Redondo, Gararu, Feira Nova, Cumbe, Canindé de São Francisco, Pedra Mole, Canhoba, Nossa Senhora das Dores, Monte Alegre de Sergipe, Aquidabã, Tobias Barreto, Japoatã, Tomar do Geru; Capela, Nossa Senhora da Glória, Riachão do Dantas, Carira, Salgado e Nossa Senhora Aparecida.

Segundo a Superintendência de Recursos Hídricos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), a administração pública estadual tem debatido o assunto com as prefeituras e acompanhado o aquecimento climático por meio de monitores. A medida tem por objetivo identificar a gravidade do fenômeno e tentar minimizar as dificuldades deparadas pelos sertanejos.

A preocupação também se direciona para os açudes que servem como depósito de água destinada para o consumo animal, bem como para a irrigação das plantações. "Infelizmente os estudos mostram que a seca é um desastre gradual, ele vai se agravando com o decorrer do tempo e precisa-se investir mais para garantir o mínimo de condições de vida para os habitantes destas áreas. O carro-pipa é uma medida paliativa que ajuda na nossa missão, mas é preciso pensar além disso", pontuou Erivaldo Mendes.