Fábio Reis diz que JB faz política desprestigiando amigos

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O deputado federal Fábio Reis. Foto: Divulgação
O deputado federal Fábio Reis. Foto: Divulgação

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Publicada em 26/03/2017 às 00:24:00

“Quando se faz política desprestigiando seus amigos que estiveram ao seu lado nos momentos difíceis, para acomodar pessoas que não estiveram em sua campanha ou eram adversárias ou inimigas a bem pouco tempo, não pega bem dentro da base nem para população”. Com essa frase, dita com exclusividade ao JORNAL DO DIA, o deputado federal Fábio Reis (PMDB) resume seu descontentamento com ações do governador Jackson Barreto (PMDB).

Segundo Fábio, quando o governo faz ouvido de mercador para os problemas internos causa desconforto e cria situações inusitadas que num primeiro momento parece ser insignificante, mas com o tempo pode ser irremediável.Na entrevista, o deputado federal também fala sobre espaço no governo. “Nós tínhamos mais espaços no governo de Déda que na atual gestão do amigo JB”, garante, fazendo uma revelação preocupante. “Permanecer com a FHS, da maneira que está é impossível do ponto de vista político e administrativo. Já solicitamos audiência ao governador e Rosman Pereira irá entregar o cargo nesta segunda- feira”.

Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Jornal do Dia – Nos últimos dias, o senhor e outros deputados federais que integram a base do governo estadual vêm demonstrando insatisfação com o governador. Esses problemas podem levar a um rompimento?

Fábio Reis - A insatisfação é publica, não só nossa, mas de outros partidos da base aliada, o que é ruim para todos porque é uma exposição desnecessária para todos. Quando o governo faz ouvido de mercador para os problemas internos causa desconforto e cria situações inusitadas que num primeiro momento parece ser insignificante, mas com o tempo pode ser irremediável.

Politica sempre foi a arte da paciência e do diálogo. Quando se faz política desprestigiando seus amigos que estiveram ao seu lado nos momentos difíceis, para acomodar pessoas que não estiveram em sua campanha ou eram adversárias ou inimigas a bem pouco tempo, não pega bem dentro da base nem para população. Somos escravos das nossas decisões e temos que arcar com as consequências delas.

 

JD – Na última reforma do secretariado, o governador anunciou que o seu grupo ficaria com a direção da Fundação de Saúde, só que o novo secretário da Saúde, Almeida Lima, conseguiu esvaziar totalmente a fundação. Há ainda clima para continuar comandando a fundação?

FR - Vale lembrar que estávamos em nossa residência quando o governador fez o convite. Não pedimos nem exigimos nada, sempre fomos subutilizados pelo governo, nunca tivemos os espaços que os outros colegas têm no governo. Para você ter uma ideia, nós tínhamos mais espaços no governo de Déda que na atual gestão do amigo JB. Sempre tivemos que abrir espaços para as acomodações do governo, que são legítimas, porém em alguns casos injustas. Faltam critérios na maioria delas. Quanto a permanecer com a FHS, da maneira que está é impossível do ponto de vista político e administrativo. Já solicitamos audiência ao governador e Rosman irá entregar o cargo nesta segunda- feira.

 

JD – Com isso, o que o senhor espera do governador Jackson Barreto?

FR - Espero que ele fique feliz com nosso gesto de desprendimento. Cargos não influenciam em nossas decisões políticas. Mas o gestos...

 

JD – Quais os espaços ocupados pelo seu grupo no governo?

FR - Temos o governador, é que se costuma dizer aos aliados da sua cozinha. Você não precisa de espaço, já tem o prefeito, o governador, o presidente...

 

JD – O senhor vem se reunindo com parlamentares de outros partidos, que reclamam abertamente dos espaços que estão sendo dado ao deputado federal Laércio Oliveira, que aderiu recentemente. Laércio é mais bem tratado do que antigos aliados?

FR - A ideia é apenas de encontrar um nome que seja consenso e unifique a bancada, nada pessoal.

 

JD – Essa insatisfação pode refletir nas eleições de 2018?

FR - A eleição de 2018 será discutida em 2018, mas os partidos que estiveram desde os primeiros momentos de dificuldades devem ter preferência para ocupar a chapa majoritária.

JD – Qual a avaliação que o senhor faz das reformas que estão sendo propostas pelo presidente Temer? O senhor é favorável à reforma da previdência?

FR - O país precisa de reformas profundas, reforma tributária, política, trabalhista e previdenciária. Eu sou contra a reforma da previdência da forma que foi apresentada, pois não se pode permitir que uma mulher do campo tenha que passar mais dez anos para se aposentar, não é justo e dessa forma eu voto contra.

Eu na verdade proponho que se faça um plebiscito ou um referendo para que a população decida sobre esses temas polêmicos.