Capela: perícia conclui que invasão em prefeitura foi forjada

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Publicada em 31/03/2017 às 00:44:00

A Polícia Civil anunciou uma reviravolta no caso da invasão aos gabinetes da Prefeitura Municipal de Capela (Agreste), denunciada no último dia 2 de janeiro. Na ocasião, os gabinetes da repartição foram completamente revirados e documentos foram espalhados, dando a ideia de que houve uma tentativa de arrombamento.  Em coletiva de imprensa realizada ontem, a delegada Mariana Amorim, responsável pelo caso, informou que o episódio teria sido forjado por pessoas ligadas ao grupo político da atual prefeita Silvany Sukita (PTN).

As investigações da polícia pela ainda transcorrem, mas um interrogatório realizado anteontem resultou na confissão de Alexsandro Santos Dantas, como autor do falso testemunho que endossou o inquérito policial. “No dia 2 de janeiro, a atual prefeita Silvany Sukita compareceu à delegacia para registrar boletim de ocorrência informando ter encontrado diversos setores da prefeitura totalmente revirados com caixas de arquivo espalhados, a exemplo da sala da prefeita, da secretaria de obras e do arquivo. A partir de então o inquérito policial foi instaurado para apurar os fatos”, comenta Mariana.

A perícia criminal foi acionada na data de comunicação do fato e após perícia in loco de quase quatro horas, bem como análise pericial que durou cerca de 45 dias, foi possível concluir que houve um forjamento da cena de crime, para que as autoridades policiais fossem induzidas a acreditar que o ato de vandalismo havia sido produzido pela gestão do ex-prefeito Ezequiel Leite (PSC). Conforme o perito criminal, André Feitosa, “não houve arrombamento; furto, apesar de as pastas estarem espalhadas; e a faca encontrada na cena do crime não corresponde ao instrumento cortante utilizado para cortar os fios de internet”.

Segundo a delegada, Alessandro foi motivado a fazer a falsa comunicação no inquérito policial pela promessa de um cargo na atual gestão. “Ele participou da organização das caixas de arquivo, quando a casa alugada que abrigava alguns documentos da prefeitura foi esvaziada na véspera da mudança de gestão. Os demais envolvidos na mudança confirmaram que houve a realocação  e organização dos documentos, mas ele foi o único a comentar que tudo havia sido deixado bagunçado. A confissão foi resultado de diversas contradições tomadas em depoimentos no decorrer dos 3 meses de investigação”, declara Mariana.

Com o laudo pericial e a confissão do servidor, as investigações adquirem novos aspectos quando deixam de apontar funcionários da antiga gestão como autores do ato de vandalismo e passam a tender para a gestão conduzida pela prefeita Silvany Sukita. “Não há aqui alguma manifestação política tendenciosa. A Polícia Civil busca a verdade dos fatos, independentemente de qualquer ato político, tanto que há inquéritos instaurados para apurar fatos das duas gestões. O nosso objetivo é a prestação de contas à sociedade”, ressalta o delegado geral, Alessandro Vieira.

A encarregada do caso esclarece que o cabe à Delegacia de Capela é afirmar se houve ou não ato de vandalismo. Os desdobramentos em relação a crimes contra a administração pública serão investigados pelo Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap). “Após a comunicação do ato de vandalismo, por exemplo, foi possível por parte da gestora aprovar um estado de emergência no município que ensejou em contratações temporárias, locações de prédios, veículos. Diversos serviços executados e com a utilização de recursos públicos sem o devido rigor proporcionado por uma licitação”, ressalta a delegada.

 

Resposta – Em nota divulgada ao fim da tarde, a prefeita Silvany Sukita anunciou que os servidores investigados, cujos nomes foram citados na coletiva da Polícia Civil, pediram afastamento de seus cargos até o final das investigações. Ela reafirmou que recebeu a administração da Prefeitura de Capela em estado caótico, com equipamentos deteriorados e ausência significativa de documentos e que a referida situação foi devidamente comunicada à Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado, o qual considerou gravíssimas as denúncias apresentadas.

Silvany disse também que “a administração municipal espera que a verdade dos fatos seja apurada com a mais absoluta imparcialidade e isenção, e que seguirá pleiteando das autoridades policiais que levem em consideração a documentação e as provas apresentadas, bem como a ouvida das demais testemunhas indicadas antes de emitir qualquer juízo de valor sobre o mérito da questão, já que o mesmo é função do Poder Judiciário”.