Manifestantes saem às ruas e prometem greve geral para o dia 28

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Manifestantes colaram cartazes nas paredes da empresa Multiserv, do deputado Laércio Oliveira, que foi relator da terceirização. Foto: Divulgação
Manifestantes colaram cartazes nas paredes da empresa Multiserv, do deputado Laércio Oliveira, que foi relator da terceirização. Foto: Divulgação

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Publicada em 01/04/2017 às 00:36:00

Sergipanos contrários ao projeto de terceirização e reforma da Previdência Social ocuparam as principais ruas do centro de Aracaju a fim de pressionar os parlamentares federais a votarem contra as medidas apresentadas pelo Governo Federal. Na mira dos manifestantes estavam o presidente da república Michel Temer, e o deputado federal por Sergipe, André Moura, líder do governo no Congresso Nacional. O movimento nacional foi organizado pelas frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo e Esquerda Socialista, e contou com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), além do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), e de grêmios estudantis.

Reunidos na Praça General Valadão, os trabalhadores reforçaram a necessidade de o Governo de Sergipe não se espelhar nas posturas administrativas adotadas por Temer. De forma unificada, as centrais criticaram o projeto de privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), a reforma do ensino médio e a desvalorização dos professores. Defendendo a promoção de greves e paralisações, os militantes ameaçam parar o Brasil no dia 28 deste mês, caso o Governo Federal não atenda aos anseios das classes trabalhadoras.

Rubens Marques, presidente da CUT/SE, pediu que os comerciários se unam contra os governos e apoiem a greve geral. "Vamos incendiar o país, construir a greve geral, garantir que nenhum direito seja retirado do cidadão trabalhador. Estamos unidos e vamos derrubar esse governo golpista que só pensa em destruir todos os benefícios conquistados desde o fim do golpe militar. Estamos vivenciando um momento histórico e a partir de agora o país vai se voltar contra todos os políticos corruptos que pensam em destruir o Brasil e desejam articular um novo golpe", disse.

A deputada estadual Ana Lúcia (PT) esclarece que o ato demonstra a revolta dos brasileiros com todos os gestores públicos que, após o período eleitoral trabalham de acordo com os interesses da classe patronal, e não com as classes sociais. A petista exigiu ainda a promoção de uma 'limpeza' em todas as unidades públicas e particulares que patrocinam a exploração do trabalhador. Aprovar a reforma da previdência, para Ana, é defender a volta da pobreza extrema no país.

"Precisamos mostrar para todos a vergonha que nós temos com todos os deputados e senadores que defendem esse conjunto de mudanças que acabam destruindo o nosso estado e o nosso país. A esquerda brasileira vai se manter forte e unida para retirar do poder cada um que massacra o cidadão trabalhador. Os sindicatos, movimentos sociais e estudantes precisam continuar unidos para todos os inimigos do trabalhador. Escravidão, nunca mais. Fora golpistas", declarou. Durante o ato a deputada esteve acompanhada pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sintese).

 

Caminhada - Por volta das 16h30 os manifestantes seguiram em macha pelas ruas do centro e Avenida Beira Mar com destino à sede do Grupo Multiserv, empresa de propriedade do deputado Federal Laércio Oliveira. Diante da empresa, Edival Góes, presidente da CTB, parabenizou os manifestantes e pediu que todos não parem de protestar contra os gestores aliados a Michel Temer. Revoltado com a postura pública adotada por parte dos congressistas sergipanos em Brasília, o sindicalista apontou os deputados André Moura, Valadares Filho e Laercio Oliveira como traidores da democracia brasileira.

"Fica claro que esse conjunto de deputados mancha a história do povo sergipano. Não podemos aceitar que gestores golpistas, fascistas continuem sacrificando o trabalhador e os jovens estudantes que também não são ouvidos por estes deputados que tentam botar na cabeça dos brasileiros que o sonho de dias melhores acabou. É preciso respeitar o desejo do povo e a honra das mulheres que está sendo abalada por políticos machistas", lamentou. O ato contou com aproximadamente 15 mil pessoas e acabou as 18h30 na Praça da Bandeira. A próxima manifestação está prevista para o próximo dia 28 de abril.

Agentes da Polícia Militar, Força Nacional, Guarda Municipal de Aracaju e Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) acompanharam a mobilização. Não houve registro de depredação do patrimônio público. No final do percurso um grupo de vândalos pichou a entrada principal da Multiserv e arremessou ovos na fachada. Ninguém foi preso. A atitude foi recriminada pela direção do movimento. "Somos contra qualquer tipo de baderna como essa. As pessoas que realizaram essa ação não se enquadram no perfil do brasileiro que está aqui defendendo os seus direitos", afirmou a direção da CUT.