‘Operação Babel’: donos da Torre prestam depoimento

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Publicada em 01/04/2017 às 00:41:00

A Polícia Civil ouviu ontem os depoimentos dos sócios-proprietários da empresa baiana Torre Empreendimentos, escolhida no mês passado para fazer um contrato emergencial de coleta de lixo com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) – atualmente suspenso por determinação judicial. Acompanhados por dois advogados, os empresários José Antônio Torres Neto e Soraya Machado Torres dos Santos compareceram pela manhã à sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária (Deotap), no bairro Cirurgia (zona centro), onde apresentaram muitos documentos e falaram por pouco mais de quatro horas.

Antônio e Soraya foram ouvidos dentro do inquérito policial da ‘Operação Babel’, deflagrada para investigar denúncias de favorecimento ilegal, superfaturamento e outras irregularidades em contratos anteriores de limpeza urbana, firmados pelas partes entre os anos de 2010 e 2016. A apuração veio a público no último dia 21, quando equipes da Deotap, em cumprimento a 13 mandados da 3ª Vara Criminal de Aracaju, apreenderam documentos, computadores e celulares nas sedes da Torre, da Emsurb e do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública de Sergipe (Sindilimp).

Um dos advogados da Torre, Evânio Moura, disse a jornalistas que a investigação da Deotap foi provocada por “componentes políticos e empresariais”, entre outros motivos. Ele não citou quais, mas tratou-se de uma referência indireta às denúncias apresentadas à polícia pelo grupo paulista Estre Ambiental, que opera a limpeza pública de Aracaju através da empresa Cavo Saneamento – e com quem a Torre vem travando uma guerra pelo controle dos serviços de limpeza em Sergipe. A Estre questiona o preço de R$ 42 milhões cobrado no contrato firmado entre Torre e Emsurb, além de uma série de aditivos que prorrogaram os contratos anteriores da firma baiana até a entrada da Cavo.

“A empresa Torre vai apresentar toda a documentação, todos os contratos e todas as explicações que a polícia solicitar. Absolutamente nenhuma pergunta ficará sem resposta. A Torre tem explicação para todo e quaisquer questionamentos. Para os aditivos, cláusulas do contrato e pagamentos. Temos a consciência tranquila e uma farta prova documental acerca do trabalho prestado, da regularidade dos contratos da qualidade do serviço prestado ao Município e dos valores praticados como sendo valores de mercado”, disse o advogado antes do depoimento, acreditando que as provas apresentadas podem resultar no “arquivamento” do inquérito contra a empresa.

O Deotap não se manifestou sobre o depoimento de ontem. A expectativa é de que, nos próximos dias, sejam ouvidos os dirigentes do Sindilimp, que promoveram uma sequência de greves contra a Cavo no ano passado, alegando desrespeito aos direitos trabalhistas. Já foram colhidas as explicações de representantes da Cavo e de funcionários da Emsurb. O presidente do órgão, Mendonça Prado, compareceu na última quarta-feira e invocou o direito de não responder o interrogatório, mas criticou o trabalho dos delegados ao sair. “Praticamente todos os armários da Emsurb foram esvaziados. Se eu quisesse vir trabalhar aqui na polícia, ficaria mais fácil”, disparou.