Aracaju registra mais de 250 assaltos em ônibus em três meses

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Publicada em 02/04/2017 às 15:03:00

Trajeto certo, imunidade incerta. Esta tem sido a realidade nua e crua vivenciada por milhares de sergipanos habitantes de Aracaju e demais municípios da Região Metropolitana na hora de buscar o auxílio do transporte coletivo para se locomover. Cada vez mais na mira dos assaltantes, passageiros estão sendo diariamente abordados em pontos de ônibus, terminais de integração e arredores dos finais de linha devido a clara insuficiência de rondas ostensivas que deveriam ser promovidas pela Guarda Municipal de Aracaju, Polícia Militar e demais órgãos ligados à segurança pública. Na última sexta-feira, 2017 fechou o primeiro trimestre contabilizando mais de 250 assaltos contra passageiros e profissionais das empresas de ônibus.

 Em rápida análise é possível perceber a preocupação do setor empresarial em garantir o respectivo lucro diário e evitar problemas com a classe trabalhadora que promove a oxigenação do serviço. Por outro lado, existe inúmeros pais e mães de família que se preocupam com o que pode acontecer assim que tem acesso ao ônibus. Em janeiro, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju (Sinttra) ameaçou suspender, ou diminuir, o horário de linhas consideradas pela categoria como: ‘visadas’ e ‘presas fáceis’, para marginais que costumam promover arrastões. Já no dia 08 de fevereiro, meliantes anunciaram assalto na linha 003 João Alves / Orlando Dantas, e roubaram a arma de um militar que estava à paisana.

Sem sossego, o motorista Marcos de Souza – que trabalha há 16 anos no ramo, garante que a categoria teme a promoção de novos casos brutais semelhantes ao ocorrido em 14 de julho do ano passado, quando o cobrador David Jonathan Barbosa, de 26 anos e apenas um ano de profissão, foi assassinado por assaltantes, mesmo sem apresentar nenhum indício de reação. Para Marcos e outros centenas de profissionais do ramo, o medo, há pelo menos cinco anos, deixou de predominar no dia-a-dia dos marginais, e migrou para a rotina dos homens e mulheres de bem. Assaltado três vezes, ele torce para que o cenário até então de horror passe a mudar com a presença de agentes da Força Nacional.

 “Existe uma sensação de melhoria no ar; a realização de blitz nos conduz a isso, mas quando nos deparamos com colegas ainda sofrendo com a marginalidade, o medo acompanhado da revolta acaba tirando o nosso sono e a paz das nossas famílias. Espero que os órgãos competentes definam estratégias eficientes no combate a esse tipo de crime antes que outra pessoa de bem perca os seus pertences materiais, ou mesmo a própria vida”, relatou. compartilhando com as declarações do colega de farda, o cobrador Welson Mota, de 32 anos, acredita que este medo coletivo deve seguir pelos próximos meses devido ao histórico vivenciado pelos contribuintes sergipanos.

 Conforme avaliação apresentada, Mota esclarece que a inclusão de novas ferramentas tecnológicas implantadas nos ônibus do transporte coletivo é importante, mas ainda não contribui diretamente para que gere incertezas aos meliantes na hora de abordar todos os tripulantes. “O medo é o nosso passageiro mais fiel. Eu desconheço a existência de motoristas e cobradores que não sentem receio durante a rotina de trabalho em qualquer que seja o horário. Espero realmente que a situação esteja mudando porque ninguém suporta mais sair de casa para trabalhar sem saber se voltará vivo”, declarou. Em contraponto, as estatísticas recentemente apresentadas pela Secretaria de Estado da Segurança Públic a, indicam que a realidade já apresenta avanços significativos.

 

Dados – O último balanço apresentado pela cúpula da segurança estadual aponta redução nos dois primeiros meses deste ano, se comparado com o mesmo período do ano passado. Em fevereiro deste ano, foram computados 67 casos de roubo a ônibus, enquanto no segundo mês de 2016 foram contabilizados 175 registros. Uma redução de 61,71%. Sobre janeiro, houve registro de 78 roubos, enquanto no mesmo período do ano passado foram computados 188 casos; uma redução de 58,51%. No conjunto da obra a SSP garante que a queda foi de 61,71%. Com a chegada da Força Nacional, a PM e GMA, acreditam que no final deste mês de abril os dados sejam ainda mais positivos.

 “É isso o que mais desejamos. Lutamos por melhorias salariais e condições de trabalho a cada ciclo novo de lutas, mas o nosso bem maior que prezamos quando estamos trabalhando é a nossa vida e a integridade física dos passageiros”, afirmou o motorista Anderson Barreto, que concluiu dizendo: “os números começam a nos encher de esperança por dias melhores, mas é preciso deixar uma coisa bem clara: Não basta agir na operacionalidade. Para que o povo reconquiste a tranquilidade enquanto utiliza o serviço do transporte público urbano é preciso que o clima de proteção volte a dominar de domingo a domingo. Os rodoviários e os passageiros se somam nessa batalha”.